6.5.23

“Corsage” - Marie Kreutzer (Áustria/Luxemburgo/Alemanha/França, 2022)

Sinopse:
 
A imperatriz Elisabeth da Áustria (Vicky Krieps) é idolatrada por sua beleza e conhecida por ditar tendências de moda. Mas, em 1877, “Sissi” completa 40 anos e é oficialmente considerada velha. Vaidosa, ela inicia então uma cruzada para tentar manter sua imagem pública e começa uma batalha contra o tempo.
Comentário: Trata-se de uma ficcionalização feita em cima de uma personagem real: Isabel Amália Eugénia da Baviera (em alemão: Elisabeth Amalie Eugenie von Bayern), imperatriz da Áustria. Interessante como a figura dessa imperatriz está em alta: nos últimos três anos, nada menos que cinco produções, entre curtas, longas e uma série da Netflix, trazem a personagem como protagonista. Segundo Rafaela Paiva do site Entretelas, “comparada a Lady Di e considerada uma das primeiras celebridades da realeza europeia, Elisabeth - apelidada de Sissi - nasceu em 24 de dezembro de 1837 em Munique, Baviera. Filha do duque Maximilian Joseph da Baviera e da princesa Ludovika da Baviera, a menina de espírito livre teve uma educação informal, gostava de literatura e frequentemente fugia das aulas para explorar o campo. No entanto, a vida sem responsabilidades mudou completamente quando a jovem se casou com o imperador Franz Josef, aos 16 anos”. O filme começa em dezembro de 1877 com Elisabeth já casada completando 40 anos. Sua beleza estonteante e seu corpo esbelto já não são mais os mesmos e ela vem sendo ironizada por súditos e pela imprensa da época. O título do filme - "Corsage" (que significa espartilho) - diz respeito à peça de vestuário que se tornou a mais importante para ela a partir daquele momento. Segundo José Geraldo Couto do IMS, “Que não se espere fidelidade histórica desse relato. As liberdades tomadas pela diretora Marie Kreutzer são enormes, e ela não faz questão de escondê-las, espalhando anacronismos ostensivos ao longo do filme: um telefone, um trator motorizado, mops e baldes de plástico, barras de aço antipânico, etc. – sem falar da canção ‘As tears go by’, dos Rolling Stones, cantada em cena. Há subversões significativas de dados biográficos, culminando na cena final, em total desacordo com os fatos históricos”. 
O que disse a crítica: Caio Coletti do site Omelete deu nota 3 para o filme. Ele diz que embora esteticamente o filme seja interessante, ele “não consegue elaborar as próprias ideias com a mesma profundidade. A estrutura do roteiro de Kreutzer é nula - no começo, parece uma recontagem episódica de eventos da vida da imperatriz; depois, tenta rimas narrativas fracas, que pouco convencem e nada dizem; por fim, nos atira uma reviravolta claramente improvisada diante da urgência de dar finalidade à história. Não se trata nem de ter más ideias, mas de ignorar a diligência necessária para que as boas ideias funcionem. No fim das quase duas horas de ‘Corsage’, fica na memória a beleza austera e a fúria justificada de um filme que, infelizmente, vive em desencontro consigo mesmo”.
Marcelo Müller do site Papo de Cinema deu nota 2,5. Escreveu: a atriz “Vicky Krieps aposta num tom monocórdico, ou seja, está basicamente sempre com os mesmos semblantes e se valendo de intensidades parecidas. Claro que se trata de uma escolha deliberada para expressar a prostração da personagem, mas o resultado é mais apático do que indicativo de uma profunda e angustiada introspecção. Além disso, determinados subtextos desprendidos da convivência da Imperatriz com outros personagens não ganham força para tornar esse painel mais complexo”. 
O que eu achei: O filme lembra em parte "Maria Antonieta" de Sofia Coppola (2006) tanto na temática da monarquia quanto na retratação do passado com elementos contemporâneos inseridos nos cenários. Claro que isso não é gratuito, pois Kreutzer está mostrando justamente uma mulher cercada de machismo por todos os lados, tema que perdura até a atualidade. Entretanto, a partir do momento que a diretora opta por não contar a história oficial, mas sim algo ficcional, espera-se que ela faça isso com maestria mas não é o que ocorre. O resultado não chega a ser uma catástrofe, mas poderia ser bem menos monótono e melhor resolvido. Ele roda roda, mas se encerra ali entre o mediano e o bom. Passou raspando.