15.5.23

“O Circo” - Charles Chaplin (EUA, 1928)

Sinopse:
Um batedor de carteiras (Steve Murphy) está agindo em meio à multidão. Para evitar que seja pego, ele coloca uma carteira roubada no bolso do vagabundo (Charles Chaplin), sem que ele perceba. Quando a polícia se afasta, o batedor volta para recuperar o dinheiro perdido. O vagabundo foge, tanto do batedor quanto da polícia, e acaba entrando sem querer no picadeiro de um circo local. Suas trapalhadas fazem enorme sucesso junto ao público. O dono do circo (Al Ernest Garcia) resolve então contratá-lo e fazer dele sua atração principal.
Comentário: Segundo Robledo Milani do site Papo de Cinema, Chaplin, ao final de sua carreira “somava três estatuetas [do Oscar] na estante! Ok, nenhuma era de Melhor Direção ou Melhor Ator. Mas esses eram apenas alguns dos talentos deste artista multifacetado. E muito antes de ter ganhado como Melhor Trilha Sonora por ‘Luzes da Ribalta’ (1952) ou ter sido saudado com aplausos de uma multidão em pé, por quinze minutos, quando apareceu para receber o seu troféu pelo conjunto da carreira em 1972, ele foi premiado na cerimônia inaugural da Academia, em 1928, com um troféu honorário por sua versatilidade como ator, roteirista, diretor e produtor. E tudo isso, por qual filme? Justamente ‘O Circo’, aquele que, curiosamente, viria a ser um dos mais subestimados de sua carreira”. O filme conta a história do vagabundo Carlitos (Chaplin), que chega a um picadeiro que não está em sua melhor fase. O dono do circo, ao perceber a facilidade com que o Vagabundo consegue arrancar risadas da plateia, contrata o maltrapilho para trabalhar junto com sua trupe, e logo ele se apaixona por uma bailarina. O filme é realmente uma beleza! 
O que disse a crítica: A crítica, com razão, é unânime em ovacionar de pé o resultado. Inácio Araujo, crítico da Folha, escreveu: “Um grave erro que pode cometer quem deseje saber o que é cinema consiste em desprezar o cinema mudo. (...) Sem a sustentação do ‘assunto’, sem diálogos ou música envolventes, certos filmes se desfazem aos nossos olhos: revelam seu nada. Isso para dizer que ‘O Circo’, que Chaplin fez e interpretou em 1928, não precisa de uma só palavra para ser emocionante. Chaplin era um gênio. Mas, não por acaso, um gênio do cinema. Seu tipo, sua mímica, o humor involuntário de seu personagem, nada disso dá um bom quadro ou um bom romance. Dá um ótimo filme. Mudo”. 
Rafael W. Oliveira do Plano Crítico, que classificou o filme como obra-prima, escreveu: “’O Circo’ é um dos ápices do diretor no que se refere ao uso do humor visual, da criação de gags criativas, as quais apenas alguém como Chaplin era capaz de criar. Neste sentido, não há como negar: ‘O Circo’ é uma das grandes comédias da história, e algumas das melhores risadas do Cinema se encontram aqui”. 
O site Cinema com Rapadura - cuja resenha vale ser lida na íntegra - nos conta todos os problemas que Chaplin teve para fazer o filme: o marido da atriz Merna Kennedy acusou Chaplin de adultério, a história vira um escândalo nacional, Chaplin passa meses com depressão nervosa, quando o filme é retomado, uma tempestade atinge a Califórnia e destrói o estúdio, em seguida ele perde parte do filme já rodado por erro no laboratório. Outro problema, foi que, por conta das cenas envolvendo um leão e outra envolvendo macacos, Chaplin se machuca e acaba hospitalizado por seis semanas. Enfim, “só no final de 1927 que Chaplin pôde respirar. Ao final das contas, foram 2 anos de muito estresse. O suficiente para Chaplin nem mencionar 'O Circo' em suas memórias em 1964 (‘História de Minha Vida’). Contudo, vale lembrar que ‘O Circo’, é, sem sombra de dúvida, um dos mais belos filmes já feito sobre o sutil equilíbrio entre a comédia e a tragédia, capaz de botar em foco assuntos tão polêmicos como a opressão dos trabalhadores, bem como o olhar de Chaplin perante a indústria do entretenimento”. 
O que eu achei: Recebendo sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator, Chaplin brilha nesta comédia pastelão, num papel que lhe cai como uma luva. É daqueles filmes que você pode reunir a família pois tanto os idosos quanto as crianças vão se divertir e se emocionar. Charlie Chaplin transforma “O Circo” em uma história repleta de humor espontâneo enquanto mantém o interesse melancólico que aprendemos a esperar dele. Imperdível.