
Comentário: Trata-se de um filme baseado no livro homônimo - "Women Talking" - de Miriam Toews que conta histórias reais sobre estupros ocorridos de 2005 a 2009 numa comunidade religiosa menonita (comunidade de cristãos que descende diretamente do movimento anabatista que surgiu na Europa no século XVI, na época da Reforma Protestante) na Bolívia. O filme tem sua trama focada numa comunidade tradicional religiosa em um local indefinido dos Estados Unidos (e não na Bolívia como no livro), onde seus habitantes vivem como se estivessem há centenas de anos atrás. As coisas se complicam quando um grupo de homens droga e estupra as mulheres. O fato as abala profundamente e elas passam a discutir o que farão depois do ocorrido. Há a possibilidade de seus agressores voltarem. O que fazer, então? Aceitar tudo, ficar e lutar ou fugir? A partir daí, um grupo formado por parte de suas habitantes passa a se reunir para tomar uma decisão sobre suas vidas. Ao mesmo tempo, elas revelam suas angústias e temores que permaneciam escondidos dentro de si.
O que disse a crítica: Segundo Célio Silva do site G1, “Numa época em que ainda são reportados casos de agressões e feminicídio, um filme como ‘Entre Mulheres’ é mais do que necessário. (...) Ele mostra questões complexas do universo feminino de maneira contundente e, ainda assim, com respeito, cuidado e delicadeza. O filme só não funciona melhor por falta de impacto. Com uma premissa e um elenco tão fortes, era de se esperar que ‘Entre Mulheres’ fosse mais memorável”.
Fernando JG do site Plano Crítico também achou o resultado aquém do esperado. Ele diz: “O drama imperfeito de Sarah Polley persegue questões antigas e modernas no que diz respeito à luta de gênero, e evidencia que a violência feminina e a religião cristã caminham de mãos dadas secularmente. A resolução da trama é ainda mais simplória e menos comovente, entre ficar e lutar ou ir embora, elas partem. Não me surpreende o desfecho, uma vez que tudo caminha para isso: uma solução mediana e previsível para um filme também mediano e previsível - com isso a cineasta evita maiores problemas na construção do enredo e o encerra pela porta de saída, literalmente, assim como faz com as suas personagens”.
Marcelo Müller do Papo de Cinema achou bom. Ele escreveu: o filme “cansa um pouco, porque ‘Entre Mulheres’ não precisa de mais do que alguns minutos para colocar todas as suas principais cartas na mesa. Depois dessa eficiente fase introdutória, na qual somos apresentados às personagens e à situação de opressão contra a qual todas pretendem se rebelar, Sarah Polley apenas insere pequenas nuances que acentuam a reunião de mulheres cansadas de terem seus corpos tratados como posse dos homens da vizinhança. (...) Infelizmente, Sarah Polley coloca todas as teses, discordâncias e réplicas na boca das pessoas, não dando margem para o espectador preencher lacunas, permitindo que a tensão amorne e o panorama geral enfraqueça”.
O que eu achei: Achei particularmente interessante a aparência geral do ambiente e do vestuário indicar que o filme se passa há 100 anos atrás e, de repente, surgir um carro do recenseamento tocando "Daydream Believer" dos Monkees indicando que a história se passa no ano de 2010. Ou seja, aquilo que deveria ser uma questão do passado nunca foi resolvida e, apesar de parecer algo antigo, é tema da atualidade. Entretanto, achei cansativa a discussão que quando parece que vai evoluir gira em círculos. Nesse quesito, de fato, poderia ser melhor.