
Comentário: A manchete da Folha de SP diz “'A Última Floresta' vai da poesia à denúncia ao retratar os yanomamis”. Naief Haddad nos explica que “o filme de Luiz Bolognesi lembra que a Terra Indígena Yanomami foi reconhecida pelo governo brasileiro em 1992. Apesar do ato oficial, garimpeiros atrás de ouro invadiram uma aldeia no ano seguinte e mataram pelo menos 16 indígenas, incluindo mulheres e crianças. O episódio ficou conhecido como o massacre do Haximu. Desde então, sob a liderança de Davi Kopenawa e com apoio de organizações brasileiras e estrangeiras, o território foi protegido. No entanto, a partir de 2019, sob novo governo [Jair Bolsonaro], milhares de garimpeiros têm invadido estas terras, provocando desmatamento e poluindo os rios com mercúrio. (...) No filme de 2018 [‘Ex-Pajé’] e neste (...), a câmera não aparece como intrusa. Pelo contrário, ‘A Última Floresta’ foi feito em parceria com os indígenas, a começar pelo roteiro, assinado por Bolognesi e Kopenawa”.
O que disse a crítica: Davi Lima do site Plano Crítico achou o documentário ótimo. Escreveu: “o documentário brasileiro agrupa os mistérios e realismos que tanto projeta e pouco se conhece sobre os grupos indígenas ‘isolados’ do ponto de vista da sociedade urbanizada. Muito do efeito do filme parte dessa quebra de estrutura social de imaginação lúdica, como se as histórias dos Yanomami não tivessem, para algumas pessoas, sua força interpretativa na arte cinematográfica de representação teatral, apenas na oratória da história oral. Diante disso, enquanto apercebe-se o local pequeno onde o povo se situa na floresta, por uma fotografia isométrica que encerra a obra, é simultânea a proporção grandiosa em que o diretor insere o espectador na documentação da luta real e da crença religiosa desses indígenas na Amazônia”.
Bruno Carmelo do site Papo de Cinema também gostou. Ele disse: “’A Última Floresta’ nos permite descobrir uma concepção de mundo diferente da nossa, através de um olhar atencioso e respeitoso. Bolognesi rende-se aos letreiros didáticos somente no início e no final: no começo, para nos lembrar de que os Yanomami ocupam aquelas terras séculos antes de o Brasil ser reconhecido enquanto tal, e no final, para alertar sobre os perigos do governo [Bolsonaro]”.
Lorenna Montenegro do Cenas de Cinema achou excelente. Escreveu: “Ao empreender uma queda do céu, Davi Kopenawa embarca na missão de tentar alertar os estudiosos e formadores de opinião sobre os males em buscar apenas o ouro canibal em detrimento da salvação do planeta. A esperança manifesta em ‘A Última Floresta’, que é veículo artístico da pujança da cosmogonia yanomami, se traduz também na possibilidade de que a troca de saberes entre brancos e índios seja horizontal e verdadeira, um escambo intelectual que deveria oportunizar a todos nós, reféns da ignorância a conhecer a biologia, a rica visão cósmica e os anseios daqueles que são parte de nós e donos originários dessa floresta”.
O que eu achei: Eu também achei o documentário excelente. Primeiro, por motivos pessoais, gostei muito de ver a Aldeia Watoriki, aqui retratada. Meu marido esteve nessa aldeia em 2009, então foi emocionante ver o documentário com ele ao meu lado. Gostei também de conhecer a lenda dos irmãos Omama e Yoasi, que deram origem aos Yanomami, incluindo a procriação por parte de dois homens e uma mulher pescada nas águas do rio. Outro ponto forte é a fotografia impecável de Pedro Márquez. Trata-se de um documentário imprescindível, um alerta, um grito fundamental. Simplesmente veja.