
Comentário: Alejandro González Iñárritu (1963) é um cineasta mexicano. Ele iniciou sua carreira profissional em 1984 como DJ na emissora de rádio mexicana WFM. A partir de 1988 começou a se dedicar a compor músicas para alguns filmes mexicanos. Estudou cinema em Maine e em Los Angeles. Na década de 1990 já estava encarregado da produção da Televisa. Em 1991 criou sua própria companhia, a Zeta Films, que produzia propagandas e curtas-metragens assim como programas de televisão. Seu primeiro filme, um curta-metragem, foi "Detrás Del Dinero" (1995), daí pra frente não parou mais. Assisti dele os ótimos "Amores Brutos" (2000), "21 Gramas" (2003), "Babel" (2006), "Biutiful" (2010), "Birdman" (2014) e "O Regresso" (2015). Agora vou conferir “Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades” (2022).
Escrita pelo próprio Iñárritu em parceria com Nicolás Giacobone (roteirista de "Birdman"), o filme conta a história de um jornalista mexicano chamado Silvério Gama (vivido por Daniel Giménez Cacho) que, após anos de trabalho como jornalista e após rodar um documentário, é chamado para comparecer em Los Angeles para receber o prestigioso Prêmio Alethea. Nas semanas que antecedem o recebimento do tal prêmio, ele resolve visitar seu país natal, pela primeira vez em 15 anos. Ao mesmo tempo em que ele celebra, ele acaba revendo diversos aspectos de sua vida e reflete sobre as transformações sociais do México, embarcando numa crise existencial.
Em clima de delírio as cenas vão desde a Cidade do México até a fronteira dos EUA, retratando passagens históricas, urbanas e a imigração em massa, enquanto o protagonista alucina.
O título do filme “Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades”, nos dá pistas sobre o surrealismo que percorre toda a película, já que Bardo significa 'contador profissional de histórias' enquanto, no sânscrito, se traduz como 'o estado de existência entre a vida e a morte', ou seja, o limbo.
O que disse a crítica 1: Segundo Leandro Reis da UFES, “Iñarritu aposta em uma chave surrealista para refletir, pelo menos em parte, sobre sua própria trajetória. Mexicano, assim como seu protagonista Silvério, o diretor também imigrou para os Estados Unidos e teve seu trabalho reconhecido em Hollywood. Embora o elemento autobiográfico seja incontornável, o clima onírico leva o espectador a outros planos e histórias, como ao passado imperialista espanhol, responsável por dizimar a população indígena do México”.
O que disse a crítica 2: João Garção Borges do site Magazine HD avaliou o filme como excelente. Ele disse: “Há sequências inteiras que valem por muitos filmes. Fico no entanto por aqui, convidando o espectador a ir vê-lo numa grande tela, a maior que conseguir encontrar, numa sala devidamente equipada para apreciar a notável trilha sonora no que diz respeito à montagem e misturas de som, e ainda a trilha sonora musical, ritmos latinos e atmosferas de diversas proveniências que se conjugam na perfeição com a multifacetada imagética servida por uma direção de fotografia cinco estrelas, responsabilidade de Darius Khondji, que recebeu apoio indispensável da direção artística de Eugenio Caballero”.
O que eu achei: Alerta de spoiler: se, no começo, a sensação é de que as cenas não têm o menor sentido, conforme o filme avança vamos percebendo que boa parte delas está se passando com o protagonista em coma, no limbo, entre a vida e a morte, algo que eu preferiria ter sabido logo de cara e não apenas no final do filme. Esse estado de ser permite que Iñarritu elabore cenas impressionantes e imaginativas que fogem completamente à realidade. O filme é bom, mas, por conta dessa subjetividade, não vai agradar a todos. É um filme para se ver com disposição, atenção e aberto à novas experiências. É preciso se render à isso para usufruir do espetáculo. Atenção à cena na qual Silvério entrevista um presidiário: o diálogo é a reprodução de uma crônica do brasileiro Arnaldo Jabor que inventou, em 2006, uma entrevista fictícia com o líder do PCC, Marcos Camacho, o Marcola.