
Comentário: Segundo o site Wikipédia, trata-se do oitavo filme do Almodóvar. A matéria conta que a produção “marcou o rompimento do diretor com sua estrela de longa data Carmen Maura, abrindo uma ferida que demoraria muitos anos para ser sanada. (...) O filme foi o início de uma bem-sucedida relação do diretor com Victoria Abril, em quem ele já havia pensado para os papéis de Cristal, a vizinha prostituta de ‘Que Fiz Eu para Merecer Isto?’, e Candela, a modelo que foge de uma relação com um terrorista em ‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’. Abril fizera uma participação em ‘A Lei do Desejo’ e já era uma atriz estabelecida, identificada com fortes personagens femininas. O papel de protagonista masculino é interpretado por Banderas, em seu quinto e mais importante trabalho com Almodóvar. Sua participação no filme fez decolar sua carreira nos Estados Unidos”. A história gira em torno de Ricky (Antonio Banderas), que acaba de receber alta de um hospital psiquiátrico. Ele deseja reencontrar Marina Osorio (Victoria Abril), uma estrela de filmes pornográficos, envolvida com drogas, com quem passara uma noite no passado. Apaixonado ele pretende sequestrá-la e trancá-la em sua própria casa. Diversas análises feitas ao longo dos anos entendem esse enredo como um exemplo clássico daquilo que se denomina “Síndrome de Estocolmo”, um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade pelo seu agressor.
O que disse a crítica: Lançado na Espanha em janeiro de 1990, o filme foi bem recebido pelos críticos espanhóis. Lluis Bonet do jornal La Vanguardia, chamou o filme de “uma história de amor suave e terrível”, concordando com o diretor que a melhor cena era aquela em que Marina, inicialmente feita refém por Ricky, termina pedindo que ele a amarre para que ela não fuja do amor que ele havia despertado nela.
O crítico Javier Maqua do jornal Cinco Dias disse que o pedido de Marina era uma demonstração do "mais intenso amor".
Rodrigo Pereira do site Plano Crítico escreveu em sua análise que mesmo que um ou outro detalhe tenha lhe causado certo incômodo, “’Ata-me!’ cumpre muito bem sua proposta". Ele diz: "É bastante interessante perceber como cada personagem lida com seu vício e tem sua vida afetada por ele, sendo quase uma análise dessas obsessões no comportamento humano (tudo magnificamente ambientado em Madrid e no colorido característico de Almodóvar)”.
Mas nem todo mundo gostou. Feministas criticaram o filme por seus tons sadomasoquistas e seu bem-sucedido rapto e abuso de mulher. Espectadores também criticaram o filme por "aprovar o comportamento de Ricky, sugerindo que é aceitável brutalizar e subjugar uma mulher, desde que movido por um afeto sincero".
O que eu achei: Nos EUA o filme encontrou oposição das agências de classificação devido a uma longa cena de sexo e a duas cenas em que Marina, e posteriormente sua irmã Lola, sentam na privada para urinar. Particularmente controversa é a cena com Marina na banheira se masturbando com um brinquedo semelhante a um mergulhador. Por conta disso, e também por conter várias cenas de nudez frontais, o filme foi envolvido numa disputa de classificação etária, então convém tirar as crianças da sala antes de assistir. Atenção à trilha sonora do filme composta pelo magnífico Ennio Morricone.