
Comentário: A produção é do estúdio americano de animação Pixar da The Walt Disney Company tratando-se do primeiro longa-metragem do ilustrador italiano Enrico Casarosa. A história - ambientada na Riviera Italiana - gira em torno do jovem monstro-marinho Luca que vive com a família em uma caverna no fundo do mar. Por conta do aparecimento de objetos jogados na água, seu interesse em ir até a superfície conhecer quem são os humanos e onde vivem é grande. E é movido por essa curiosidade que ele vai conhecer seu novo amigo: Alberto, outro monstro-marinho que pode curiosamente se transformar em humano sempre que sua pele fica seca.
O que disse a crítica: Lucas Vasconcelos do Cineset achou bom. Escreveu: “Em um contexto em que a sociedade contemporânea retrocede cada vez mais, permitindo o surgimento de pré-julgamentos do que é diferente e desconhecido, ‘Luca’ levanta a reflexão de que as pessoas devem deixar os preconceitos de lado e permitir-se conhecer novas formas de mundo, novos horizontes”.
Bruno Botelho do site Adoro Cinema também gostou. Ele nos conta que “os protagonistas Luca e Alberto são baseados na infância do diretor Enrico Casarosa e seu amigo, também chamado Alberto, em Gênova, na Itália. Casarosa se aproveita da sua experiência pessoal com a história para estabelecer o lugar com impressionante riqueza nos detalhes e explorar a relação de amizade sendo construída entre os dois meninos”.
Mariana Canhisares do site Omelete avaliou o desenho como ótimo. Ela disse: “Talvez o grande mérito de ‘Luca’ seja justamente se permitir ser infantil e falar de igual para igual com as crianças. E, olha, nem por isso o filme é menos válido para os adultos. Para além das referências ao cinema italiano, a verdade é que esse olhar menos cínico e mais encantador para a vida parece um abraço e, na atual conjectura, a gente bem que está precisando”.
Entretanto, apesar de todos concordarem que o desenho seja sobre amizade e preconceito, apenas no texto de Janda Montenegro do site Cinepop é que chegamos ao âmago da questão: a forma inteligente como a animação trata da imigração que chega pelo mar, trazendo seus “monstros-marinhos” que a “civilização” local está sempre pronta a discriminar e abater. Ela diz: “Luca, Alberto e todos os monstros marinhos retratados no longa são metáforas alegóricas para representar, na verdade, a tragédia da imigração em massa dos povos africanos e asiáticos que nos últimos cinco anos têm chegado em grande quantidade às cidades costeiras italianas. Só em 2016 foram mais de 150 mil. É só lembrar da figura desses refugiados chegando pelo mar: muitos chegam nadando, desnudos, com roupas rasgadas, sujos, desnutridos, à beira da morte, porém, depois dos devidos cuidados médicos, esses imigrantes são seres humanos como qualquer outro. Mas, nessas imagens, há o medo ocidental da outridade: o medo daquele que é diferente”.
O que eu achei: O desenho é sim sobre amizade, mas o que ele de fato mostra é como a amizade entre diferentes raças, entre europeus e refugiados, é possível e saudável. Nesse contexto o desenho vai além de sua aparente simplicidade. Mais do que mero entretenimento, ele é fundamental. Com certeza, vale ver. Atenção à voz do ator Sacha Baron Cohen (“Borat”, “Os 7 de Chicago”, “Os Miseráveis”) que interpreta o personagem tio Ugo.