
Comentário: Ingmar Bergman (1919-2007) é um diretor de cinema sueco famoso pela abordagem psicológica que ele dá a seus filmes. Sua produção engloba em torno de uns 60 filmes. Assisti dele 12 filmes, dentre eles as obras-primas "O Sétimo Selo" (1957), "Morangos Silvestres" (1957), "Persona" (1966), "O Ovo da Serpente" (1977) e "Sonata de Outono" (1978). Desta vez vou conferir “A Paixão de Anna” (1969).
Segundo Luiz Santiago do site Plano Crítico, “As filmagens de ‘A Paixão de Anna’ (1969) duraram 45 dias e foram marcadas por inúmeros contratempos, todos previamente imaginados pelo diretor e roteirista Ingmar Bergman, que tentou jogar com o improviso em algumas cenas, e com a ocorrência de eventualidades, já que a história exigia esse tipo de composição com menos controle a fim de dar o tom do despedaçamento dos protagonistas fracassados. (...)
Levando em conta o duplo significado de ‘paixão’ no filme, algo entre o prazer e o sofrimento, o roteiro de Bergman segue por algo que ele chamou de ‘uma sequência virtual’ do filme ‘Vergonha’, do qual vemos um pedaço de cena reproduzida aqui, em um sonho em preto e branco de Anna Fromm, a personagem da excelente Liv Ullmann.
No meio de tudo isso, uma tensão latente esteve durante todo o tempo nos sets, pois este filme aconteceu no momento em que o relacionamento entre Ullmann e Bergman estava acabando, condição que tornava parte dos assuntos do roteiro ainda mais pessoais e profundamente íntimos para atriz e diretor”. Interessante saber que o diretor considerava este filme uma “sequência” do filme “Vergonha” (1968), pois de fato eles têm muito em comum: "algumas composições de quadros são as mesmas, o fato de ambos os filmes terem sido rodados nas ilhas Fårö (...) com casas pegando fogo, cenas de descontrole emocional, de sexo como um tipo de expurgo de dores incuráveis e tentativa de conexão com o mundo também são ingredientes presentes nas duas fitas”.
Uma coisa curiosa que o filme tem são os depoimentos dos quatro atores principais - Max von Sydow, Liv Ullmann, Bibi Andersson e Erland Josephson – no meio do filme, ou seja, a história sofre quatro interrupções (interlúdios) na sua narrativa para que esses atores falem sobre os personagens que interpretam.
O que disse a crítica 1: Conrado Heoli do site Papo de Cinema gostou. Ele disse: “’A Paixão de Anna’ figura dentre os filmes menos otimistas de Bergman, em sua jornada para retratar a alma humana no cinema. O sueco não deixa esperança para os personagens que criou e o pouco que se pode esperar para os mesmos se esvai ao longo da trama, até seu final, que não poderia ser mais amargo e pessimista”.
O que disse a crítica 2: Natasha Moura do Cineset achou o filme mediano. Escreveu: “’A Paixão de Anna’ tenta representar mais uma vez a impossibilidade de comunicação entre dois indivíduos dentro de uma mesma relação, a barreira invisível e quase intransponível entre os seres. (...) Bergman até tenta, mas o longa não tem o mesmo efeito dos filmes anteriores. Assim como Andreas e Anna, o filme não consegue estabelecer uma conexão entre o que quer dizer, e o que é dito”.
O que eu achei: Eu também achei a produção mediana. O filme não chega a ser ruim mas é uma obra menor que acabou esquecida dentre a laureada filmografia do diretor. É um filme mais para fanáticos por Bergman do que para quem quer ter um primeiro contato com seus trabalhos.