
Comentário: “Morte em Veneza” (1971) de Luchino Visconti, é um dos meus filmes preferidos. Quem assistiu, com certeza se recorda do personagem Tadzio interpretado pelo sueco Björn Andrésen, um menino de 15 anos, de uma beleza ímpar, que é perseguido durante toda a trama por um senhor mais velho chamado Gustav von Aschenbach (Dirk Bogarde), protagonista do filme e do livro de Thomas Mann no qual o filme foi inspirado. O documentário mostra como se deu a seleção do menino, a repercussão do filme e o sucesso, e como ele está hoje, aos 66 anos, melancólico, com sua personalidade moldada pelo estrelato forjado e pelos problemas familiares de uma mãe que se suicidou e um pai que ele nunca conheceu.
O que disse a crítica: Ivanildo Pereira do Cineset achou o documentário bom. Ele disse: “Björn Andrésen ainda trabalha como ator de vez em quando: recentemente foi visto em (...) ‘Midsommar’ (2019), de Ari Aster (...). Porém, a imagem que ficará dele para a História é a dos seus 15 anos, andando por Veneza e sorrindo misteriosamente para um homem velho que está sempre à distância do seu objeto de desejo, sem conseguir tocá-lo. Ao se assistir a ‘O Garoto Mais Bonito do Mundo’, não ficamos com a sensação de que o velho Andrésen fez as pazes com a sua versão pré-adolescente, e esse é o aspecto mais complexo deste filme que vira um conto de alerta sobre o estrelato infantil e sobre como o ser humano muitas vezes não consegue simplesmente lidar com a beleza diante de si”.
Eduardo Kaneco do Leitura Filmica, também gostou. Escreveu: “Sem intenção, ‘O Garoto Mais Bonito do Mundo’ revela o traço comportamental que impediu Björn Andrésen de ter uma vida melhor. Ou seja, sua predisposição para aceitar as propostas que as outras pessoas lhe fazem. Como vemos, ele concordou em deixar os realizadores guiarem sua vida durante a produção do documentário. Da mesma forma que antes disse sim a Visconti (...). O resultado, como filme, é ótimo, mas seus diretores perigosamente se beneficiam da fraqueza que eles mesmos nele salientam. Assim, a troca de olhares entre Björn jovem (como Tadzio) e Björn velho (como representado no documentário), na cena que fecha o filme, ganha outra significação. Ou seja, a de que Björn continua a mesma pessoa suscetível de ser manipulada”.