
Comentário: Jim Jarmush (1953) é um cineasta e ator norte-americano conhecido pelas suas produções independentes feitas com orçamento limitado. Assisti dele 7 filmes: a obra-prima "Down By Law" (1986), os ótimos "Sobre Cafés e Cigarros" (2003) e “Amantes Eternos” (2013), o bom “Estranhos no Paraíso” (1984) e os não tão bons “Paterson” (2016) e “Os Mortos não Morrem” (2019). Desta vez vou conferir “Uma Noite Sobre a Terra” (1991).
Luiz Carlos Oliveira Jr. do site Contracampo nos conta que “O acesso aos filmes de Jim Jarmusch raramente se dá pelo enredo ou por personagens. É preciso, antes, aderir a signos. Em seu primeiro longa-metragem, ‘Férias Permanentes’ (1980), despontava um maneirismo menos de atletismo de câmera e mais de estases gráficas em que a estilização dizia respeito a gestos, poses e referências (...). ‘Estranhos no Paraíso’ (1984), o filme posterior, trazia também personagens que perfaziam o ciclo ambíguo do novo mercado de imagens: consumir imagens até se tornar uma delas. Vinte anos e sete longas depois, vem ‘Flores Partidas’ (2005), o filme em que Jarmusch mais aprisiona seu universo em formas e personagens cimentados, paralisados justamente na sua tendência de movimento. Um falso road movie - se por road movie se entende um filme que traz ao cinema a sensação de movimento e passagem, ‘Flores Partidas’ está mais para o estatuário de uma América que antes de chegar à tela já é imagem. Don Johnston (Bill Murray) faz o passeio por um museu de cera da sociedade americana: o que interessa a Jarmusch é um mapeamento dos EUA a partir de tipos que se encontra tanto viajando de carro quanto assistindo à televisão - mas que requerem um olhar diferenciado, atento a detalhes”. O filme conta a história de um solteirão (Bill Murray), cuja última namorada o abandona justamente no dia em que ele recebe uma carta anônima dizendo que ele tem um filho de 19 anos. Seu vizinho o motiva a sair em busca de antigas ex-namoradas (dentre elas Sharon Stone, Jéssica Lange e Tilda Swinton) para tentar descobrir quem é a mãe. Na falta do que fazer, ele sai em viagem.
Luiz Carlos Oliveira Jr. do site Contracampo nos conta que “O acesso aos filmes de Jim Jarmusch raramente se dá pelo enredo ou por personagens. É preciso, antes, aderir a signos. Em seu primeiro longa-metragem, ‘Férias Permanentes’ (1980), despontava um maneirismo menos de atletismo de câmera e mais de estases gráficas em que a estilização dizia respeito a gestos, poses e referências (...). ‘Estranhos no Paraíso’ (1984), o filme posterior, trazia também personagens que perfaziam o ciclo ambíguo do novo mercado de imagens: consumir imagens até se tornar uma delas. Vinte anos e sete longas depois, vem ‘Flores Partidas’ (2005), o filme em que Jarmusch mais aprisiona seu universo em formas e personagens cimentados, paralisados justamente na sua tendência de movimento. Um falso road movie - se por road movie se entende um filme que traz ao cinema a sensação de movimento e passagem, ‘Flores Partidas’ está mais para o estatuário de uma América que antes de chegar à tela já é imagem. Don Johnston (Bill Murray) faz o passeio por um museu de cera da sociedade americana: o que interessa a Jarmusch é um mapeamento dos EUA a partir de tipos que se encontra tanto viajando de carro quanto assistindo à televisão - mas que requerem um olhar diferenciado, atento a detalhes”. O filme conta a história de um solteirão (Bill Murray), cuja última namorada o abandona justamente no dia em que ele recebe uma carta anônima dizendo que ele tem um filho de 19 anos. Seu vizinho o motiva a sair em busca de antigas ex-namoradas (dentre elas Sharon Stone, Jéssica Lange e Tilda Swinton) para tentar descobrir quem é a mãe. Na falta do que fazer, ele sai em viagem.
O que disse a crítica: Oliveira analisa: “’Flores Partidas’ esconde uma propulsão que Jarmusch quase nunca deixava aflorar (...), e que consiste numa vontade de fazer o filme chegar ao espectador por caminhos menos intelectuais do que emotivos. A aproximação ao filme é concentrada num universo cultural não tão fechado. O que equivale a dizer que Jarmusch fez seu filme menos indie e mais ‘universal’. Mudança que não salva ‘Flores Partidas’ de ser excessivamente cauteloso na administração dos temas e das proposições formais. O melhor do filme está mesmo em alguns momentos de comédia inteligente com Bill Murray inspirado”.
Fernando JG do Plano Crítico vê alguns pontos positivos no filme, mas também não se empolga. Ele aponta como lado negativo os “personagens femininos, que poderiam ser muito melhor aproveitados e inflados de afetividade e emoção". Ele diz: "O pouco tempo de tela não é bem aproveitado e a grandeza dramática do longa fica por conta de Murray, que carrega o drama do filme nas costas. Se era a intenção do filme ou não, ele é, de fato, uma película morna e mediana – e combina bem com seu próprio ritmo narrativo. Ainda que bem amarrado, ele não consegue ser muito mais do que isso e por vezes acaba caindo no vazio”.
Robledo Milani foi mais elogioso, ele escreveu: “’Flores Partidas’ não é um filme antibiótico, de efeito imediato e ação passageira. Pelo contrário, sua eficácia é mais homeopática, dosada com carinho, agindo com parcimônia e precisão absoluta. Uma raridade, seja pela trilha sonora envolvente, pela mão delicada e inteligente do diretor, que consegue lidar com todos os elementos de sua obra com muita razão, ou pelo elenco, que enobrece ainda mais um roteiro sincero e intenso, sem deixar de ser dolorido ou divertido quando necessário”.
O que eu achei: Eu particularmente gostei. Não é uma obra-prima como “Down By Law” (1986), mas é melancólico e engraçado ao mesmo tempo, bom para ser visto naqueles dias em que se deseja algo leve. Quem gosta do Bill Murray irá aproveitar: o papel de protagonista não poderia ser de mais ninguém.