13.3.23

“Capitão Phillips” – Paul Greengrass (EUA, 2013)

Sinopse:
 
Richard Phillips (Tom Hanks) é um comandante naval que aceita trabalhar com uma nova equipe na missão de entregar mercadorias e alimentos para o povo somaliano. Piratas somalis invadem o navio cargueiro e mantêm o capitão Richard Phillips e sua tripulação como reféns.
Comentário: O filme é baseado numa história real. O site Adoro Cinema nos conta tratar-se de um episódio ocorrido com o comandante naval Richard Phillips, “que, durante a viagem para [a Somália], tem seu navio invadido por piratas, que acabam o levando como refém. Com direção de Paul Greengrass, o roteiro de Billy Ray é baseado no livro de Phillips, de 2010, ‘A Captain's Duty: Somali Pirates, Navy Seals and Dangerous Days at Sea’ (vendido no Brasil como ‘Dever de Capitão’)”. Basicamente tudo o que está no livro, está no filme, que conta em detalhes como ocorreu o sequestro do navio Maersk Alabama. Quem salvou a vida do capitão foi o presidente Obama e a Marinha dos EUA. Na época, obviamente, a história virou notícia nacional ocupando boa parte da mídia americana. Claro que esse “retrato fiel” da história é baseado num livro escrito pelo próprio capitão Phillips. Então fica a pergunta: até que ponto o que ele contou é o que de fato ocorreu? No site Papo de Cinema, Rodrigo de Oliveira diz que “membros da tripulação envolvida no sequestro vieram a público desmentir os fatos do filme, argumentando que a arrogância e a incompetência de Phillips teriam deixado o Maersk Alabama à mercê dos somalis”. Entretanto ele acredita que mesmo que isso seja verdade, “o que importa realmente é como o cineasta consegue envolver o espectador. Neste quesito, o filme é irretocável. Quanto à veracidade dos fatos, visto que se trata de um filme de ficção, a importância é mínima”. Apesar daquela habitual pegada americana do herói nacional e da veracidade dos fatos ser algo questionável, a história em si é interessante e muito bem contada por Greengrass, de quem já assisti aos ótimos “Domingo Sangrento” (2002) e “Relatos do Mundo” (2020). 
O que disse a crítica: Marcelo Hessel do site Omelete gostou, ele disse: “O que impede ‘Capitão Phillips’ de se tornar um filme panfletário contra o descaso com que o mundo trata a África, em boa medida, é que não há muito espaço para discursos - depois que a premissa se estabelece, o resto é ação. E então as oposições desproporcionais se tornam físicas mesmo: o cargueiro contra o bote dos somalis, o corpo subnutrido dos africanos contra a muralha de músculos que são os fuzileiros navais”. Ele resume: “é um filme sobre desproporções”. 
Bruno Carmelo também gostou. Escreveu: “Seria muito fácil retratar os somalianos como grandes vilões (afinal, são eles os agressores, são eles os homens armados) e a tripulação americana como bondosas vítimas. Felizmente, Phillips e Muse são mais do que isso: trata-se de dois homens preocupados com a sobrevivência de si próprios e de seus homens, e que não hesitam em atacar o inimigo quando necessário. A história humaniza os piratas, desenvolvendo uma personalidade distinta para cada um. Muse é repleto de cinismo e objetividade durante a agressão (...), mas nunca age por simples maldade. Os motivos que impulsionam o confronto dos dois são econômicos: Muse precisa de dinheiro, e Phillips está transportando uma carga de comida e mercadorias. Os dois executam ordens de seus superiores, e pretendem desempenhar seus planos da melhor maneira possível”. 
O que eu achei: Descontadas as possíveis interpretações dos fatos, o filme resulta numa boa oportunidade de conhecermos uma realidade pouco vivenciada: os ataques piratas que em pleno século XXI ainda assolam o planeta, inclusive no Brasil. Segundo o International Maritime Bureau (IMB), uma instituição sediada na Malásia que monitora a atividade de pirataria ao redor do mundo, em 2020 foram registrados 195 ataques no mar, o que representa um aumento de 20% os casos em relação ao ano anterior. Incrível, não?