
Comentário: Trata-se do primeiro filme realizado pela Produções Cinematográficas Zé do Caixão, quando a empresa tinha apenas o próprio Mojica, a montadora Nilcemar Leyart e o diretor de fotografia Giorgio Attili como técnicos profissionais. A maior parte da equipe técnica, incluindo o codiretor Marcelo Motta e grande parte do elenco, fazia parte da trupe de Mojica ou eram alunos de sua escola de atores e todos ajudaram a custear a produção comprando cotas do filme. Ivan Finotti do jornal Notícias Populares nos conta que tanto “A Estranha Hospedaria dos Prazeres” quanto “Inferno Carnal” (1977) são produções nas quais “Mojica retornava - após uma série de pornochanchadas - ao horror cru que lhe garantiu o sucesso nos anos 60. Rodados quase simultaneamente em 1976, os filmes marcam um ano trágico para o diretor. Longe do sucesso que tinha alcançado no fim dos anos 60, Mojica estava atolado em dívidas. No meio das filmagens de ‘A Estranha Hospedaria...’, com o orçamento estourado, foi obrigado a estabelecer uma sociedade com uma produtora. Não foi suficiente. Quando finalizava ‘Inferno Carnal’, sofreu um infarto após ter sua falência decretada. No período em que ficou internado, Mojica atribuiu seu mal aos ‘abutres do cinema’. ‘Peço aos credores que esperem pela minha recuperação’, declarou na época. Mestre na autopromoção, conseguiu se recuperar no dia 13 de agosto de 76, uma sexta-feira 13, e sair da clínica às exatas 13h13. As histórias das duas fitas já haviam sido filmadas pelo diretor em seu programa na TV Tupi, no fim dos anos 60. Além do formato diferente, os protagonistas eram outros: Juca de Oliveira em ‘A Estranha Hospedaria’ e Lima Duarte em ‘Inferno Carnal’. Nos filmes (...) é Mojica quem faz os papéis principais. A rigor, ‘A Estranha Hospedaria dos Prazeres’ não é um filme de José Mojica Marins. Foi dirigido por um de seus aprendizes, Marcelo Motta (...). No fim das filmagens, no entanto, Mojica alterou toda a fita. ‘Eu queria dar uma força, mas ele se perdeu. A filmagem foi uma das mais longas de que já participei. O que eu teria feito em dez dias, ele demorou três meses. Aí estourou o orçamento’, afirma o diretor. Para ‘consertar’ o filme, Mojica precisou de quatro meses trabalhando com a truca (equipamento utilizado para produzir efeitos em imagens já filmadas). ‘Havia muito problema de continuidade, muitas cenas paralelas. Tive que fazer fusão, inverter negativos e coisas assim’, diz”. A história se passa numa noite de tempestade na qual diversas pessoas procuram abrigo numa hospedaria gerenciada por um sujeito sinistro (José Mojica Marins). Com o local lotado, a câmera passeia pelos diversos cômodos mostrando, até a exaustão, as atividades de cada grupo: há jogatina, negociatas, chantagem, crimes, orgia, adultério e taras. Essa repetição cansa, você chega a pensar em desistir de seguir adiante, mas lá pelo terço final do filme, quando você acha que nada mais vai acontecer, a história engrena e tudo fará sentido.
O que disse a crítica: Remier Lion do Portal Brasileiro de Cinema disse: “’A Estranha Hospedaria dos Prazeres’ (...) pode até conquistar a simpatia de quem ainda não cansou de ver os mesmos clichês repetidos filme após filme. Há também um clima de nonsense, de filme inglês rodado na Boca do Lixo e de psicodelia que vai prendendo a atenção do espectador menos exigente”.
Felipe M. Guerra do site Boca do Inferno escreveu: “Mesmo que eu concorde com quase todas as críticas negativas ao filme, principalmente aquelas que reclamam do ritmo arrastado, da repetição de cenas e do fato de praticamente nada acontecer até a revelação final, confesso que tenho certa admiração por ‘A Estranha Hospedaria dos Prazeres’. Quem sabe até pela sua extrema ruindade, ou talvez pelo seu título fenomenal somado ao cartaz fora de série (desenhado pelo mestre Benício), uma obra de arte que eu adoraria ter na minha coleção. Ou, quem sabe, pela presença da belíssima Marizeth Baumgartem, uma promessa de estrelinha da Boca do Lixo que não vingou e sumiu do mapa logo depois”.
O que eu achei: Resumindo, é mais um exemplar de filme que de tão ruim chega a ser bom.