Sinopse: O jovem Sammy Fabelman (Mateo Zoryan e Gabriel LaBelle), crescendo no Arizona pós-Segunda Guerra Mundial, se apaixona pelo cinema depois que seus pais o levam para ver "O Maior Espetáculo da Terra". Armado com uma câmera, Sammy começa a fazer seus próprios filmes em casa, para o deleite de sua mãe solidária (Michelle Williams). Porém, quando o jovem descobre um segredo de família devastador, ele decide explorar como o poder dos filmes nos ajuda a ver a verdade uns sobre os outros e sobre nós mesmos.
Comentário: Embora o longa seja apresentado como uma semiautobiografia que toma muitas liberdades em relação aos fatos que aconteceram, a verdade é que há várias situações e momentos representados na trama que de fato aconteceram com a família Spielberg e que marcaram a infância do pequeno Steven. Durval Ramos do Canal Tech nos conta que “o confronto entre arte e ciência que o pequeno Sam (...) tem dentro de casa” é real. “Apaixonado pelo cinema desde criança, ele vê o embate entre o lúdico e o pragmático em suas figuras paternas, com sua mãe (...) vivendo uma ex-pianista que incentiva o talento artístico do filho, enquanto o pai (...) é um engenheiro que vê no cinema apenas um hobby do filho”. Os conflitos familiares – que não vou enumerar aqui apenas para evitar spoilers – também são todos reais, assim como a primeira namorada apresentada como “uma adolescente fanática religiosa que se interessa pelo protagonista por ele ser judeu como Jesus Cristo e ela achar o Salvador alguém sexy. (...) Durante a divulgação do filme, Spielberg comentou que a personagem é inspirada em uma garota com quem ele namorou quando estava na sétima série”. Até o macaco que a mãe leva pra casa pra criar foi algo que realmente aconteceu. Ao final, o rápido encontro que ele tem com John Ford aos 15 anos, que lhe dá uma aula rápida de enquadramento, idem. Isso de fato ocorreu e eu mesma já vi ele contando essa história num documentário. Então apesar dos nomes serem todos inventados - incluindo o sobrenome da família que numa tradução literal seria algo como “homem-fábula” - há muito de verdade no que se vê.
O que disse a crítica: Marcelo Hessel do site Omelete achou o filme ótimo. Ele disse: “A narrativa parte de um lugar testamental para honrar a família e as influências do diretor, mas o que ‘Os Fabelmans’ consegue realizar ao final é um feito maior: conciliar dois sistemas quase conflitantes de crença, o classicismo de John Ford e o maneirismo de De Palma, e enxergar esses dois pontos da história do cinema como eles são de fato, uma linha contínua, evolutiva, de construção e desvelamento do mundo”.
Luiz Santiago do Plano Crítico achou bom. Escreveu: “Não é possível separar o enredo de ‘Os Fabelmans’ da vida de seu diretor, porque o filme não foi concebido e nem vendido para que essa separação existisse. Ao contrário, as propagandas oficiais da Universal colocam o próprio Spielberg falando que ‘desta vez, não se trata de metáfora, mas de memória’. A trama, no entanto, é um pacote autoindulgente que parece não conseguir decidir exatamente o que quer explorar, confusão que termina por trazer incômodos no que diz respeito ao foco narrativo e ao sentido dramático da fita”.
O que eu achei: Eu achei o filme bom, mas ele não chega aos pés de outros do diretor como "Tubarão" (1975), "E.T. O Extraterrestre" (1982), “A Lista de Schindler” (1993) ou "A.I. - Inteligência Artificial" (2001), apenas para citar alguns. A duração - 2h31m - é exagerada, poderia enxugar um pouco a trama que resulta relativamente arrastada. De resto o que vemos são ótimas atuações e a oportunidade de conhecer um pouco da história de vida do Spielberg. O filme já conquistou diversos prêmios internacionais. No Globo de Ouro 2023, por exemplo, o longa venceu nas categorias Melhor Filme de Drama e Melhor Direção. Ele agora segue em direção ao Oscar. Atenção ao David Lynch no papel de John Ford e à excelente trilha sonora de John Williams.
