
Comentário: A história é a seguinte: Joaquin Phoenix, que dispensa apresentações, é um jornalista de rádio que está engajado num projeto de viajar os EUA entrevistando crianças para coletar depoimentos sobre como elas se sentem e como vêem o futuro. Ocorre que sua irmã - separada do marido - terá que se ausentar por um tempo e não tem com quem deixar a criança e caberá a ele cuidar do sobrinho de 9 anos. O filme mescla ficção com documental, pois a história em si é alternada pela coleta dos depoimentos reais e espontâneos, feitos por jovens atores não treinados.
O que disse a crítica: Kevin Rick do site Plano Crítico gostou. Ele elogiou a fotografia em P&B com seu rigor estético, mas achou que dramaturgicamente não houve coragem para inovar, caminhando tenuemente na superficialidade. Ele disse: “É uma história de momentos prosaicos sobre as pessoas em nossas vidas, aqueles que amamos, brigamos, odiamos, reconciliamos e encontramos consolo. Norman é fantástico como um menino curioso e maduro para sua idade, enquanto Phoenix demonstra que pode facilmente interpretar um cara legal e afável, ainda cheio de nuances em seu personagem vulnerável”.
Para Marcelo Hessel do site Omelete, “A despeito da irresistível fofura que exala de ‘Sempre em Frente’, o novo filme do diretor Mike Mills não deixa de ser bastante inflexível no seu recado político. O mundo está acabando e Mills pega emprestada a pureza da resposta das crianças para tratar da responsabilidade dos adultos em tudo que afeta a existência, inclusive nessa potencial extinção da raça humana”.
Para Alvaro Goulart do site Cinema com Crítica: “Acompanhar o caminhar de Johnny e Jesse é uma experiência agridoce. Não é difícil compreender os receios daquele homem de meia idade em não estar preparado para lidar com algumas situações inesperadas enquanto cuida de seu sobrinho. As quase duas horas de filme são também um apaixonante aprendizado sobre o quanto é possível aprender com as crianças. É incrível poder compartilhar do olhar simples e objetivo de Jesse sobre a vida. O filme deixa claro a capacidade de observação das crianças e jovens. Eles possuem uma maturidade proporcional às suas vivências e atenção a temas negligenciados por muitos adultos”.
O que eu achei: O resultado é muito delicado. A construção do relacionamento entre os dois termina como algo bem pedagógico. O filme se encerra e a sensação que se tem é que você aprendeu um pouco mais sobre como lidar com a transição de uma criança para a adolescência, além de te fazer refletir sobre o futuro do mundo. Atenção ao talento do menino Woody Norman que interpreta o sobrinho. Do mesmo diretor do ótimo “Adoráveis Mulheres” (2016).