5.6.22

“Fassbinder - Ascensão e Queda de um Gênio” - Oskar Roehler (Alemanha, 2020)

Sinopse:
 
Em 1982, o genial cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder (Oliver Masucci) morreu de overdose, com apenas 37 anos, deixando uma obra impressionante para sua pouca idade. Em menos de duas décadas, ele produziu mais de 60 filmes e peças, além de colaborar em outras funções, como ator, montador e roteirista. Essa é a fascinante história de um dos mais importantes representantes do “Novo Cinema Alemão”, cuja ascensão fulminante como um dos principais diretores da Europa coincide com sua queda mental e física, que levaram à sua morte prematura.
Comentário: Trata-se da cinebiografia do diretor de cinema alemão Rainer Werner Fassbinder (1945-1982). Ele nasceu na Baviera, filho de um médico e de uma tradutora. Em 1951, os pais se separaram e ele passou a morar com a mãe, em Colônia. Quando esta adoeceu de tuberculose, Fassbinder foi internado num orfanato. Em 1963, antes de concluir o nível médio, ele começou a estudar teatro na escola Fridl-Leonhard Studio, em Munique, onde conheceu Hanna Schygulla, que mais tarde seria sua atriz favorita. Seus dois primeiros curtas ("Die Stadtstreicher" e "Das kleine Chaos") datam de 1966 e, apesar dele ter morrido aos 37 anos, sua produção somou 43 filmes, 24 peças teatrais e 02 séries de TV (uma delas, a poderosa “Berlim Alexanderplatz”). O filme não conta sua história completa, começando em 1967 e seguindo até seu falecimento. Com isso, o diretor Oskar Roehler basicamente se concentra no Fassbinder adulto com seu temperamento difícil, seus diversos relacionamentos amorosos, na vida desregrada, no uso excessivo de drogas e no caos que é sua vida pessoal, emocional e financeira, tudo isso enquanto produz. Para retratar esse enfant terrible (título original do filme), o filme opta por um visual bem teatral, desde os cenários até a iluminação sempre intercalando tons de branco, vermelho e azul. O personagem, interpretado por Oliver Masucci, cuja aparência física é bem semelhante ao personagem, é mostrado quase o tempo todo gritando, alterado e desleixado com sua grande barriga de fora. Essa constante de cores e gritos por mais de 2hs acaba cansando um pouco, mas de forma nenhuma reduz o filme à um produto mal feito. Ao contrário, essa estética retrata bem o quão caótico, complexo e incômodo era o convívio com ele. Apesar de Fassbinder ter sido bissexual, o filme basicamente foca nos seus relacionamentos homossexuais. No site Revista de Cinema, Maria do Rosário Caetano nos conta que “Hanna Schygulla, hoje com 77 anos, pode ser reconhecida entre as poucas mulheres vistas no filme. Mas não é nominada. Sua participação é secundaríssima. Já Ingrid Caven, 83, que teria sido mulher de Fassbinder (de 1970 a 1972), é o ombro amigo do artista, até seu trágico fim. Tem falas e certo destaque”. Já nos relacionamentos com homens o filme mostra claramente sua relação com eles, em especial seu amor por um ator negro, casado e depois, a relação com um marroquino (El Hedi Bem Salem), pai de dois filhos, que Fassbinder ajuda a sequestrar as crianças e levá-las para a Alemanha. Relação mais tumultuada, impossível, mas pelo menos deixou um grande fruto cinematográfico: “O Medo Devora a Alma” (1974), que deu a ele o Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Cannes. Antes de falecer ele ainda recebeu o Urso de Ouro no Festival de Berlim por “O Desespero de Veronika Voss” (1982), obra que também ganhou o Prêmio da Crítica Internacional do Festival Internacional de Cinema de Toronto. Seu falecimento se dá em junho de 1982 de overdose.