11.6.22

"A.I. - Inteligência Artificial" - Steven Spielberg (EUA/Reino Unido, 2001)

Sinopse:
 
Num futuro onde o efeito estufa derreteu as calotas polares e deixou as cidades debaixo d’água, a humanidade agora obedece um rígido controle de natalidade a fim de evitar a superpopulação na Terra. A tecnologia se encontra extremamente avançada, e em meio a esta evolução, o professor Hobby (William Hurt) apresenta a proposta de criar um robô com a capacidade de amar e sonhar. Assim sendo, o casal Monica (Frances O’Connor) e Henry (Sam Robards) aceita fazer parte da experiência de levar um destes robôs para casa, uma vez que Monica sente-se solitária devido ao congelamento de seu filho, vítima de uma rara doença ainda sem cura. O casal estabelece um laço familiar com o robô batizado de David (Haley Joel Osment), mas a situação tomará novos rumos com o despertar de Martin (Jake Thomas), filho do casal.
Comentário: Segundo Rafael W. Oliveira do Plano Crítico, "Spielberg traz diversas discussões cientificas e filosóficas sobre nosso futuro, tendo como principal ponto a convivência e interação entre seres humanos e robôs. Pode soar como algo fantasioso em demasia para o espectador desavisado, mas Spielberg expande o tema e aborda as consequências éticas, filosóficas e científicas da situação. E no fim, e não surpreendentemente em se tratando de um filme de Spielberg, 'Inteligência Artificial' é também uma ode ao amor e a convivência familiar. Com três atos muito bem divididos e apresentados (embora o clímax tenha gerado duras reclamações devido a sua extensão aparentemente desnecessária), Spielberg guia sua narrativa com pulso firme, dando vida a um ritmo que casa perfeitamente com o objetivo do diretor em se aprofundar em seus personagens. O roteiro de Ian Watson e Brian Aldiss é bastante funcional nas abordagens do enredo, concedendo espaço suficiente para que cada tema seja aprofundado com perícia por Spielberg. Além de sua direção sóbria e coerente, 'Inteligência Artificial' também é uma das experiências visuais mais ricas desde o início dos anos 2000 até aqui. Sem exageros, o trabalho técnico é de uma elegância invejável e fascinante de se ver, dominadas com extremo profissionalismo pelo diretor. Os efeitos visuais são absurdamente realistas, e pouquíssimas vezes podemos notar o uso de computação gráfica, o que ajuda a manter a sobriedade da história. A direção de arte oscila entre o luxuoso e o degradante, algo que é ressaltado pela fotografia que oscila perfeitamente bem entre tons alegres e sombrios. E o compositor John Williams, constante parceiro de Spielberg, se mostra deveras contido e acentua seus arranjos nos momentos apropriados, sem soar forçado em demasia". Sensacional. Para ver e rever.