6.12.21

“Conto de Verão” - Éric Rohmer (França/EUA, 1996)

Sinopse:
 
Gaspard (Melvil Poupaud) decide passar férias no balneário francês de Dinard, onde espera a chegada de sua instável namorada Lena (Aurelia Nolin). Acontece que ela demora a chegar e Gaspard conhece duas garotas: a simpática e falante Margot (Amanda Langlet), que logo se torna a sua confidente, e a "caliente" Solene (Gwenaëlle Simon), um legítimo caso de verão. Durante as próximas três semanas, ele terá que escolher entre as três mulheres.
Comentário: Nos anos 60 e 70 Éric Rohmer reservou alguns filmes para narrar os "Contos Morais", nos 80 outros tantos para contar as "Comédias e Provérbios", nos 90 vieram os "Contos das Quatro Estações" onde "Conto de Verão" (1996) está inserido. Segundo Inácio Araújo para a Folha SP, este é mais um "em que a natureza dá o tom, com suas transformações de luz e atmosfera. (...) Seus filmes não são, em definitivo, para quem busca carrosséis de acontecimentos. 'Conto de Verão' é mais uma dessas histórias sem história: nada, ou quase, acontece. Ao olhar desavisado. Pois tudo acontece: paixões, desencantos, ciúmes e uma busca. Tudo isso, porém, irrompe de maneira quase subterrânea. Como se a vida, a exemplo das séries rohmerianas, devesse obedecer a princípios e a uma certa previsibilidade ditada pela razão, pela crença ou pela moral. Mas há nesses personagens algo que escapa ao seu controle - uma distância sutil entre o que são e o que falam. Daí seu cinema ser tão falado e tão cinematográfico: se não fossem filmadas, essas falas sofreriam de falta de imagens. Elas é que nos trazem as hesitações, as expressões de corpo, os olhares ambíguos - enfim, tudo isso que desmente o que se fala sem desmentir de todo. Sim, é um cinema de imagens simples, tão diretas que parecem quase simplórias ao olhar desavisado, acostumado a crer naquilo que os personagens de cinema (ou da vida real, tanto faz) dizem. Mas como as imagens desdizem o que é dito, impõe-se pensar se simplórios não seríamos nós. É difícil admitir uma coisa dessas. Talvez por isso quase ninguém goste de imediato dos filmes de Rohmer. E quase todos os amem ao vê-los pela terceira ou quarta vez. Compreendemos aí que até então não víamos de verdade seus filmes, que não tínhamos olhos nem ouvidos para apreciar essa modulação sutil. Assim como [o personagem] Gaspard neste 'Conto de Verão', aprenderemos então que nada, às vezes, é menos evidente do que a evidência".