23.10.21

"Terra Distante" - Erkan Yazici (Turquia, 2020)

Sinopse:
 
Costa do Mar Negro, 1925. Paris (Abdurrahman Gönan), um menino grego de 12 anos de Trabzon foge do campo de concentração e vai até sua casa para pegar uma lembrança herdada de seu pai. Quando retorna, os refugiados já se foram e o campo está desocupado. O novo regime declara o major Osman (Haydar Sisman), um homem devastado pela guerra, como um traidor, e ele é preso no campo que foi abandonado pelos refugiados gregos. Esse local se converterá no crepúsculo de um país para ambos, até que um navio chegue ao cais.
Comentário: Aproveitando a 45ª Mostra Internacional de Cinema, resolvi assistir o longa turco "Terra Distante". Logo no início do filme aparece um letreiro informando que o cenário é o intercâmbio populacional Turquia-Grécia, ou seja, a história se baseia num acontecimento real mas, além do letreiro, muito pouco se saberá desse fato histórico. Foi necessária uma pesquisa para saber que essa troca de população foi uma migração forçada de cidadãos entre os dois países com base na religião, por conta do Tratado de Paz de Lausanne em 1923. Resumindo informações retiradas da Wikipédia, se olharmos para a situação antes do acordo, o que tínhamos era o Império Otomano que quase perdeu completamente suas terras na região da Rumélia após a Guerra dos Balcãs em 1912, perdendo sua soberania. Milhares de turcos muçulmanos que caíram na posição de cidadãos minoritários de um estado, partiram. Por 10 anos muçulmanos dessa região sofreram intensas opressões e massacres. Da mesma forma, quando o Exército grego deixou a Anatólia derrotado, um milhão de gregos da Anatólia começaram a migrar para a Grécia. À medida que esses imigrantes iam chegando, os problemas para se encontrar terrenos baldios e moradias começaram na Grécia e esses imigrantes da Anatólia queriam ocupar o lugar dos muçulmanos que ali estavam. Se os muçulmanos fossem obrigados a ir para a Turquia o problema se resolveria e novos incidentes desagradáveis seriam evitados. Foi aí que Turquia e Grécia assinaram esse contrato de troca de cidadãos. No filme, um menino grego de 12 anos chamado Paris, que teve sua família extraditada, vai parar num acampamento da Cruz Vermelha. Porém, por conta de um vacilo do menino, sua família segue num navio enquanto ele fica preso sozinho no local, tendo que conviver diariamente com uma única pessoa: o Major Osman, que foi designado para cuidar daquela área. O filme é bem lento, a monotonia do acampamento vazio é a mesma monotonia do filme que, apesar de ter um quê de poético deixa a desejar nas interpretações forçadas e na mudança de comportamento abrupta entre os dois personagens. É um filme não de todo perdido, mas que vale apenas basicamente pela curiosidade de se conhecer um pouco mais sobre outras culturas.