31.10.21

"Sal em Nossas Águas" - Rezwan Shahriar Sumit (Bangladesh/França, 2020)

Sinopse:
 
Para realizar sua mais recente instalação artística, Rudro (Titas Zia) viaja até uma ilha isolada em um manguezal no delta do Ganges, em Bangladesh, a um dia de barco e a um mundo de distância da capital do país, Daca. As ideias modernas e as esculturas antropomórficas do artista encantam os mais jovens e a filha de seu senhorio (Tasnova Tamanna), e ele é bem recebido pelos pescadores locais e pelo líder da comunidade (Fazlur Rahman Babu). Mas quando a pesca na região começa a se mostrar infrutífera, os anciões passam a culpar Rudro pela maldição das redes vazias.
Comentário: Trata-se do primeiro longa do diretor Rezwan Shahriar Sumit. Nascido em Bangladesh ele possui no curriculum apenas os curtas "Moon Fairy" (2009), "Raising Flames" (2014) e "Remnants of Men" (2016). Então esta é sua primeira incursão num filme maior. A premissa é até interessante, mostrando um artista tentando fazer uma espécie de residência artística em uma ilha de pesca isolada do centro e enfrentando, além do choque cultural, diversos tipos de tabus que associam as esculturas que ele faz ao azar na pesca daquele ano, mas o filme não prende a atenção. Existe uma certa banalização na caracterização dos personagens, todos mostrados sem nuances, adquirindo um tom novelesco onde os maus são maus e os bons são bons. O filme carece de fluidez narrativa, com um tropeço aqui outro ali, impedindo que o espectador crie um envolvimento emocional real. A costa de Bangladesh inegavelmente bela, filmada sem grande aproveitamento, acaba por afastar o público do ponto de vista privilegiado do protagonista. Sua partitura é um monocórdio que nunca atinge os agudos. Talvez o que reste de interessante aqui é a crítica embutida aos problemas ecológicos que afligem o planeta. O filme faz parte da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e está disponível no site do SESC Digital.