Sinopse: A bordo de um navio de cruzeiro que atravessa o sul da América Latina, o jovem marinheiro Chico Ventana (Daniel Quiroga) descobre uma porta que misteriosamente o leva a um apartamento em Montevidéu. Enquanto isso, a milhares de quilômetros de distância, perto de uma pequena aldeia rural nas Filipinas, um grupo de camponeses encontra uma antiga cabana abandonada na colina, que também está ligada ao navio.
Comentário: Alex Piperno (1985) é um escritor, roteirista e cineasta uruguaio. Dentre seus livros de poesia estão "Sahara" (2009), "Maschwitz" (2010) e "Bagrejaponés" (2010). Dentre seus filme estão os curtas "La Inviolabilidad del Domicilio se Basa en el Hombre Que Aparece Empuñando un Hacha" (2011), "¡Hola a los Fiordos!" (2016) e "Lloren la Locura Perdida de Estos Campos" (2019). "Chico Ventana Também Queria Ter um Submarino" (2020) é seu primeiro longa e o primeiro filme que vejo dele.
Trata-se de uma coprodução internacional envolvendo Uruguai, Argentina, Brasil, Holanda e Filipinas, o que reflete tanto na diversidade de locações quanto no caráter híbrido de sua narrativa. O filme teve circulação destacada em festivais internacionais, integrando a seleção oficial da Berlinale (Festival de Berlim), o que contribuiu para sua projeção no circuito de cinema independente.
A obra não é uma adaptação literária, sendo baseada em um roteiro original escrito pelo próprio Piperno. O projeto surgiu do interesse do diretor em explorar situações cotidianas atravessadas por eventos inexplicáveis, combinando ficção científica de baixo orçamento com observação social e humor discreto. A proposta do filme se afasta da espetacularização típica do gênero, optando por uma abordagem minimalista e absurda.
A narrativa acompanha duas histórias que se desenvolvem em espaços distintos e que, aos poucos, se conectam. De um lado está um cruzeiro turístico que navega entre a Argentina e o Uruguai, onde trabalha um funcionário responsável pela manutenção das cabines. Em uma delas, surge um fenômeno estranho: um som persistente e inexplicável que parece vir das paredes. Paralelamente, o filme acompanha uma jovem nas Filipinas que trabalha como empregada doméstica e que descobre, em uma casa vazia, uma porta capaz de conduzir a outros lugares. Esses dois eixos narrativos se entrelaçam por meio de elementos fantásticos tratados com naturalidade.
O elenco é formado majoritariamente por atores não profissionais ou pouco conhecidos, reforçando o tom cotidiano da narrativa. O diretor opta por performances contidas e por diálogos escassos, dando destaque aos sons, aos espaços e aos tempos mortos.
As filmagens ocorreram em locações reais, incluindo um navio de cruzeiro em funcionamento e ambientes urbanos e residenciais nas Filipinas. A produção se caracteriza por recursos técnicos simples, com ênfase no desenho de som, elemento central da narrativa, e em uma encenação que mistura o banal com o insólito. O título do filme faz referência direta a um personagem fictício e reforça o tom de humor melancólico e absurdo que atravessa a obra.
O que eu achei: "Chico Ventana Também Queria Ter um Submarino" foi concebido como uma experiência cinematográfica que cruza fronteiras geográficas e narrativas, explorando a circulação de pessoas, objetos e sons em um mundo globalizado. Ao articular ficção científica, cotidiano e deslocamento, o filme se insere em uma tradição de cinema autoral latino-americano interessado em reinventar gêneros a partir de situações mínimas e observação do real. É tipo uma mistura de "2001 - Uma Odisseia no Espaço" com "Quero ser John Malcovitch" numa pegada Apichatpong Weerasethakul. O filme é isso. Uma cabana que aparece do nada numa floresta nas Filipinas, um navio que tem uma porta que desemboca num apartamento em Montevidéu e o trânsito de pessoas - que mais parecem fantasmas - por três espaços fisicamente distantes. O filme foge, portanto, de qualquer lógica racional e trafega por esse universo mágico onde a solidão de um esbarra na solidão do outro. Muito pouca coisa acontece nas 1h35m. É um filme experimental, discreto e poético com bons enquadramentos, fotografia e montagem. Eu particularmente gostei, mas é aquele tipo de filme que agrada apenas um público bem específico, aberto à esse tipo de experiência.
A narrativa acompanha duas histórias que se desenvolvem em espaços distintos e que, aos poucos, se conectam. De um lado está um cruzeiro turístico que navega entre a Argentina e o Uruguai, onde trabalha um funcionário responsável pela manutenção das cabines. Em uma delas, surge um fenômeno estranho: um som persistente e inexplicável que parece vir das paredes. Paralelamente, o filme acompanha uma jovem nas Filipinas que trabalha como empregada doméstica e que descobre, em uma casa vazia, uma porta capaz de conduzir a outros lugares. Esses dois eixos narrativos se entrelaçam por meio de elementos fantásticos tratados com naturalidade.
O elenco é formado majoritariamente por atores não profissionais ou pouco conhecidos, reforçando o tom cotidiano da narrativa. O diretor opta por performances contidas e por diálogos escassos, dando destaque aos sons, aos espaços e aos tempos mortos.
As filmagens ocorreram em locações reais, incluindo um navio de cruzeiro em funcionamento e ambientes urbanos e residenciais nas Filipinas. A produção se caracteriza por recursos técnicos simples, com ênfase no desenho de som, elemento central da narrativa, e em uma encenação que mistura o banal com o insólito. O título do filme faz referência direta a um personagem fictício e reforça o tom de humor melancólico e absurdo que atravessa a obra.
O que eu achei: "Chico Ventana Também Queria Ter um Submarino" foi concebido como uma experiência cinematográfica que cruza fronteiras geográficas e narrativas, explorando a circulação de pessoas, objetos e sons em um mundo globalizado. Ao articular ficção científica, cotidiano e deslocamento, o filme se insere em uma tradição de cinema autoral latino-americano interessado em reinventar gêneros a partir de situações mínimas e observação do real. É tipo uma mistura de "2001 - Uma Odisseia no Espaço" com "Quero ser John Malcovitch" numa pegada Apichatpong Weerasethakul. O filme é isso. Uma cabana que aparece do nada numa floresta nas Filipinas, um navio que tem uma porta que desemboca num apartamento em Montevidéu e o trânsito de pessoas - que mais parecem fantasmas - por três espaços fisicamente distantes. O filme foge, portanto, de qualquer lógica racional e trafega por esse universo mágico onde a solidão de um esbarra na solidão do outro. Muito pouca coisa acontece nas 1h35m. É um filme experimental, discreto e poético com bons enquadramentos, fotografia e montagem. Eu particularmente gostei, mas é aquele tipo de filme que agrada apenas um público bem específico, aberto à esse tipo de experiência.
