Sinopse: One Round Jack (Carl Brisson) é um lutador de boxe que realiza frequentemente lutas de exibição. Sem revelar sua verdadeira identidade, um campeão australiano (Ian Hunter), que se apaixonou pela esposa de Jack (Lillian Hall-Davis), o desafia para um combate.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele 26 filmes, dentre eles as obras-primas "Os Pássaros" (1936), "Festim Diabólico" (1948), "Janela Indiscreta" (1954), "Um Corpo Que Cai" (1958) e "Psicose" (1960) e os ótimos: "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), "Interlúdio" (1946), "Pacto Sinistro" (1951), "Disque M para Matar" (1954), "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e "Frenesi" (1972). Desta vez vou conferir "O Ringue" (1927).
Luiz Santiago do site Plano Crítico disse que o filme possui uma "fácil sequência de eventos, (...) realizada em um ritmo certo (os erros de montagem nesse filme são mínimos) (...) acompanhada de ótimas sequências visuais, com direito a sobreposições, câmeras subjetivas e ângulos que não eram muito comuns no cinema do final da década de 1920”.
O que eu achei: "O Ringue" (1927) é um bom exemplo do cinema mudo britânico e mostra como Alfred Hitchcock, mesmo em início de carreira, já tinha um olhar atento para a narrativa visual. O filme segue a tradição da época, com uma história direta, sem diálogos sonoros e com personagens que mudam de comportamento de forma repentina, algo comum naquele período do cinema, mas que aqui funciona dentro da proposta. O ritmo é ágil, a fotografia em preto e branco tem seu charme, e Hitchcock demonstra habilidade ao contar uma história simples de maneira eficiente, sem se perder em excessos. Ainda que não seja dos seus filmes mais marcantes, "O Ringue" mantém o interesse do público e revela traços do talento que mais tarde faria dele um dos diretores mais importantes do cinema.
