Sinopse: Bola Ogun (Susan Wokoma) é uma conselheira dedicada que media as sessões de reconciliação entre condenados e as vítimas de seus crimes. Quando sua própria filha desaparece, sua crença no perdão é testada.
Comentário: Akin Omotoso (1974) é um cineasta, escritor e ator nigeriano. Ele é mais conhecido por dirigir o filme “Rise” (2022). "O Fantasma e a Casa da Verdade" (2019) é o primeiro filme que vejo dele.
Trata-se de mais um filme da Mostra Cine África que o SESC vem exibindo ao longo do semestre.
O filme é enxuto (67m de duração) e possui como protagonista Susan Wokoma, uma atriz que já faturou o BAFTA de revelação.
O longa ganhou como Melhor Narrativa no Festival de Cinema UrbanWorld de Nova York, ganhou também Melhor Atriz, Melhor Filme Nigeriano e Melhor Diretor no Festival Internacional de Cinema Africano em Lagos.
O que eu achei: “O Fantasma e a Casa da Verdade” (2019) é um drama contido e eficiente que parte de uma investigação criminal para abordar feridas muito mais profundas da sociedade sul-africana. O desaparecimento de uma menina funciona como ponto de partida para um retrato tenso de um país ainda marcado por desigualdades raciais, violência estrutural e silêncios herdados do apartheid. Omotoso conduz a narrativa com sobriedade, evitando o sensacionalismo e apostando em uma atmosfera de inquietação constante, na qual o mistério nunca se resolve apenas no plano dos fatos, mas sobretudo no campo moral. O grande mérito do filme está na forma como transforma a busca por respostas em um espelho das contradições pessoais e coletivas de seus personagens. A direção privilegia olhares, pausas e espaços vazios, sugerindo que a verdade é fragmentada e difícil de alcançar. As atuações, especialmente a da protagonista, reforçam esse clima de ambiguidade e cansaço ético, dando densidade a um roteiro que se interessa menos pelo suspense tradicional e mais pelas consequências humanas da violência. Sem ser um filme arrebatador ou radical, “O Fantasma e a Casa da Verdade” se sustenta como uma obra sólida e relevante. É um bom exemplo de cinema social que confia mais na sugestão do que na denúncia explícita, deixando no espectador a sensação incômoda de que, em certos contextos, a verdade pode até existir, mas raramente traz alívio ou redenção. Boa pedida.
