23.10.20

"Eraserhead" - David Lynch (EUA, 1977)

Sinopse:
 
Henry (Jack Nance) e Mary (Charlotte Stewart) têm um bebê que nasceu prematuro e não é humano. Quando a mãe os abandona por não conseguir suportar seu terrível aspecto, Henry deve se esforçar para cumprir seu papel de pai solteiro.
Comentário: David Lynch (1946-2025) foi um diretor, roteirista, produtor, artista visual, músico e ator norte-americano. Conhecido por seus filmes surrealistas, ele desenvolveu um estilo cinematográfico próprio. Assisti dele: a obra-prima "O Homem Elefante" (1980), os ótimos "A Estrada Perdida" (1997), "Cidade dos Sonhos" (2001) e "Império dos Sonhos" (2006) e o mediano "Coração Selvagem" (1990). Desta vez vou conferir "Eraserhead" (1977).
O que eu achei: Eu não tenho recordação de ter visto na vida um filme tão louco quanto "Eraserhead". É o primeiro longa-metragem de David Lynch e levou quase oito anos para ficar pronto, um tempo que, de certa forma, já anuncia a estranheza e o perfeccionismo por trás da obra. Bizarro e perturbador definem bem a experiência. A história, se é que pode ser chamada assim, acompanha Henry Spencer em um universo industrial, sujo e opressor, onde a chegada de um bebê deformado desencadeia uma sucessão de imagens e situações cada vez mais surreais. A estética em preto e branco, o design de som desconfortável e a ausência de explicações lógicas criam uma atmosfera sufocante, quase hipnótica, que ao mesmo tempo repele e prende o espectador. Não é um filme fácil nem agradável no sentido convencional. "Eraserhead" funciona como uma imersão em um pesadelo filmado, onde cada detalhe - da textura dos cenários ao olhar perdido do protagonista - parece pensado para inquietar. Lynch já demonstra aqui a vocação para o estranho, para o grotesco e para o inconsciente, características que marcariam toda a sua carreira. No fim, "Eraserhead" vale, no mínimo, como experiência. Pode não ser um filme para todos os gostos, mas dificilmente deixa alguém indiferente: é cinema experimental no limite, um delírio visual e sonoro que revela o nascimento de um diretor singular, disposto a incomodar e fascinar em igual medida.