Sinopse: Por toda a França Agnès Varda encontra catadores e catadoras, respigadores e recuperadores. Por necessidade, acaso ou escolha, eles entram em contato com os restos dos outros. A partir de um célebre quadro de Millet, o filme de Varda é um olhar sobre a persistência na sociedade contemporânea dos respigadores, aqueles que vivem da recuperação de coisas (detritos, sobras) que os outros não querem ou deixam para trás.
Varda acompanha pessoas que coletam comida, objetos e materiais rejeitados pela sociedade de consumo: trabalhadores rurais que recolhem sobras de colheitas, moradores de rua, artistas, cozinheiros e catadores urbanos. Ela revela como esses “restos” ganham novos sentidos, seja por necessidade, sobrevivência, consciência ecológica ou expressão criativa.
Ao mesmo tempo, Varda se inclui no filme (“e eu”), transformando o documentário também em um autorretrato sensível e ensaístico. Com uma pequena câmera digital, ela registra suas mãos envelhecidas, seus gestos cotidianos, suas curiosidades e suas associações poéticas, refletindo sobre tempo, envelhecimento, morte e o próprio cinema.
Este documentário, feito de uma forma extremamente livre, acabou indo parar no 8º lugar de uma lista dos 50 maiores documentários de todos os tempos, numa pesquisa organizada pelo BFI e pela revista “Sigth & Sound”.
Comentário: Agnès Varda (1928-2019) foi uma fotógrafa e cineasta belga que se radicou na França. É considerada uma das precursoras da Nouvelle Vague. Seus filmes se notabilizam pela produção caseira e pela pesquisa de uma linguagem extremamente pessoal. Assisti dela os documentários "As Praias de Agnès" (2008) e "Visages, Villages" (2016) feito em parceria com o artista JR. Desta vez vou conferir "Os Catadores e Eu" (2000).
Trata-se de um documentário que investiga a prática de “catar” (recolher restos), sobretudo alimentos descartados, como ponto de partida para uma reflexão social, filosófica e artística sobre consumo, desperdício, memória e criação. Varda acompanha pessoas que coletam comida, objetos e materiais rejeitados pela sociedade de consumo: trabalhadores rurais que recolhem sobras de colheitas, moradores de rua, artistas, cozinheiros e catadores urbanos. Ela revela como esses “restos” ganham novos sentidos, seja por necessidade, sobrevivência, consciência ecológica ou expressão criativa.
Ao mesmo tempo, Varda se inclui no filme (“e eu”), transformando o documentário também em um autorretrato sensível e ensaístico. Com uma pequena câmera digital, ela registra suas mãos envelhecidas, seus gestos cotidianos, suas curiosidades e suas associações poéticas, refletindo sobre tempo, envelhecimento, morte e o próprio cinema.
Este documentário, feito de uma forma extremamente livre, acabou indo parar no 8º lugar de uma lista dos 50 maiores documentários de todos os tempos, numa pesquisa organizada pelo BFI e pela revista “Sigth & Sound”.
O que eu achei: O resultado é uma obra simples e profunda ao mesmo tempo: crítica ao desperdício, celebração da criatividade nas margens e exercício de liberdade cinematográfica. O filme transforma o banal em significativo e revela beleza onde normalmente só se vê descarte. A catadora, nesse sentido, é a própria Agnès Varda, que experimentando pela primeira vez uma pequena câmara digital, se quer assumir como uma “recuperadora” das imagens que os outros não querem ver nem fazer, e que portanto deixam para trás.
