28.6.20

"O Caso Richard Jewell" - Clint Eastwood (EUA, 2020)

Sinopse: A história real de Richard Jewell (Paul Walter Hauser), segurança que se tornou um dos principais suspeitos de bombardear as Olimpíadas de Atlanta, no ano de 1996. Na realidade, ele foi o responsável por ajudar inocentes a fugirem do local e avisar da existência de um dos explosivos.
Comentário: Clint Eastwood (1930) é um cineasta e ator americano. Assisti dele a obra-prima "Os Imperdoáveis" - Clint Eastwood (EUA, 1992); os ótimos "As Pontes de Madison" (1995), "Menina de Ouro" (2004), "A Conquista da Honra" (2006) e "Cartas de Iwo Jima" (2006); os bons "A Troca" (2008), "Gran Torino" (2008), "Invictus" (2009) e "J. Edgar" (2011) e os não tão bons "Além da Vida" (2010), "Jersey Boys: Em Busca da Música" (2014), "Sniper Americano" (2015), "Sully - O Herói do Rio Hudson" (2016), "15h17 - Trem para Paris" (2018) e "A Mula" - Clint Eastwood (EUA, 2018). Desta vez vou conferir "O Caso Richard Jewell" - Clint Eastwood (EUA, 2020).
O filme se baseia numa história real ocorrida em 1996, sobre o segurança que se tornou um herói depois de identificar uma bomba em uma mochila abandonada no Centennial Olympic Park, durante as Olimpíadas de Atlanta. 
É evidente que nesta década o diretor Clint Eastwood se empenhou em fazer filmes sobre o "homem comum que se tornou um herói norte-americano". Vimos isso em "Sniper Americano" (2014), "Sully" (2016) e "15:17 – Trem Para Paris" (2018).  
Segundo Michel Gutwilen do Plano Crítico, "novamente - e sem jamais soar repetitivo - 'O Caso Richard Jewell' é sobre mais uma dessas figuras injustiçadas e perseguidas pelo sistema que, para Clint, não merecem cair no esquecimento. Mais do que isso, o próprio ato de escolher ficcionalizar suas histórias através do cinema é como uma medalha de honra do diretor para esses homens" pois, como diz o crítico, com todo o sistema de governo e de mídia corrompidos "quem quer ser o herói de um sistema falido? Talvez apenas os lunáticos que possuem uma convicção inabalável nele".
O que eu achei: Clint Eastwood retorna a um tema que lhe é caro: o indivíduo comum esmagado por instituições maiores do que ele. Baseado em fatos reais, o filme reconstrói o episódio dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, quando um segurança que inicialmente foi celebrado como herói passa a ser tratado como principal suspeito de um atentado a bomba. Eastwood conduz a narrativa de forma clássica e clara, privilegiando o ponto de vista de Jewell e enfatizando a rapidez com que a opinião pública pode se voltar contra alguém. O filme funciona bem ao expor o papel da mídia e das autoridades na construção precipitada de culpados, mostrando como vazamentos, suposições e interesses institucionais podem destruir reputações. Sem recorrer a grandes arroubos estilísticos, a direção aposta na sobriedade e no rigor narrativo, o que dá força ao drama. O retrato de Richard Jewell é empático, mas não idealizado: ele surge como um homem simples, ingênuo em certos momentos, profundamente confiante nas instituições que acabarão por traí-lo. Embora não esteja entre os trabalhos mais ambiciosos ou complexos de Eastwood, "O Caso Richard Jewell" (2020) é um bom filme, sólido e envolvente, que cumpre bem seu propósito. Ele provoca reflexão sobre justiça, poder e responsabilidade sem necessidade de exageros dramáticos, reafirmando a habilidade do diretor em contar histórias reais com eficiência e humanidade. É um cinema discreto, mas eficaz, que se sustenta pela clareza do olhar e pela força do caso que retrata.