13.2.18

“A Autópsia” - Andre Ovredal (EUA/Reino Unido, 2016)

Sinopse: O corpo maltratado de uma mulher não identificada (Olwen Catherine Kelly) é descoberto em uma pequena vila na Virgínia e eventos inexplicáveis começam a atormentar os donos do necrotério (Brian Cox e Emile Hirsch).
Comentário: Andre Ovredal (1973) é um cineasta e roteirista norueguês. Assisti dele o mediano "O Caçador de Troll" (2010). Desta vez vou conferir “A Autópsia” (2016).
Trata-se de um roteiro original, escrito por Ian B. Goldberg e Richard Naing, e combina elementos de mistério sobrenatural com suspense psicológico ambientado quase inteiramente em um único espaço.
A trama acompanha o médico legista Tommy Tilden e seu filho Austin, que trabalham juntos em um necrotério familiar em uma pequena cidade norte-americana. Após a polícia encontrar vários corpos em circunstâncias inexplicáveis, pai e filho recebem para exame o cadáver de uma jovem desconhecida, identificada provisoriamente como “Jane Doe”. À medida que realizam a autópsia, descobrem indícios físicos cada vez mais perturbadores, que não correspondem ao estado externo do corpo, enquanto fenômenos estranhos começam a ocorrer no local.
O elenco conta com atores reconhecidos internacionalmente. Brian Cox interpreta Tommy Tilden, trazendo ao papel a experiência de uma carreira consolidada no cinema e na televisão, enquanto Emile Hirsch vive o filho Austin. A personagem Jane Doe é interpretada pela atriz e modelo Olwen Catherine Kelly, cujo desempenho exigiu permanecer imóvel durante grande parte das filmagens, já que o corpo é o elemento central da narrativa.
Grande parte do filme foi rodada em locações na Inglaterra, com o necrotério construído como cenário principal em estúdio, reforçando a atmosfera claustrofóbica. A produção optou por efeitos práticos e maquiagem detalhada para as cenas de autópsia, buscando realismo nos procedimentos médicos.
"A Autópsia" estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto e foi exibido em diversos festivais de cinema fantástico. Recebeu prêmios e indicações em eventos especializados no gênero, como o Sitges – Festival Internacional de Cinema Fantástico da Catalunha, além de menções em premiações dedicadas ao terror independente.
Entre as curiosidades comentadas está o cuidado da equipe médica consultora para garantir precisão nos procedimentos forenses e o desafio técnico de filmar cenas longas em um espaço reduzido, aumentando a tensão narrativa.
O que disse a crítica 1: Segundo Isabela Boscov da Veja, "fã de terror tem que ter persistência: a gente enfrenta duas dezenas de filmes medíocres, ou iguaizinhos uns aos outros, até topar com algum que não seja uma completa perda de tempo. Mas quem gosta de terror (eu adoro) costuma achar que até as recompensas mais modestas valem a pena. 'A Autópsia 'é uma dessas: não chega a ser a última bolacha do pacote, mas tem originalidade e clima suficientes para entreter bem durante uma hora e meia".
O que eu achei: "A Autópsia" (2016) é um terror que aposta menos em sustos fáceis e mais na construção gradual de atmosfera. Ambientado quase inteiramente dentro de um necrotério, o filme acompanha pai e filho legistas - interpretados por Brian Cox e Emile Hirsch - durante o exame de um corpo feminino encontrado em circunstâncias misteriosas. A premissa simples sustenta uma narrativa claustrofóbica que se apoia no confinamento e na curiosidade científica para gerar tensão. O grande mérito do filme está na ambientação. O espaço fechado, iluminado por lâmpadas frias e envolto em silêncio quase constante, cria um clima de desconforto crescente. A câmera acompanha os procedimentos da autópsia com atenção detalhada, o que aumenta o realismo e reforça o estranhamento à medida que os achados médicos se tornam cada vez mais inexplicáveis. A interpretação contida de Brian Cox dá peso dramático à história, enquanto Hirsch funciona como contraponto emocional mais vulnerável. Quando o roteiro começa a revelar a dimensão sobrenatural do mistério, o filme mantém o interesse, mas perde parte da força inicial. A sugestão é mais eficaz do que a explicação, e algumas escolhas no terço final tornam a narrativa mais convencional do que o começo promissor indicava. Ainda assim, o longa consegue equilibrar investigação forense e horror sobrenatural sem descambar para o exagero. No conjunto, o longa é um bom exemplar do terror contemporâneo de baixo orçamento que valoriza atmosfera e atuação acima de efeitos grandiosos. Não reinventa o gênero, mas entrega tensão consistente e uma experiência envolvente, sustentada principalmente pela solidez do elenco e pela direção segura.