3.11.17

"Síndromes e Um Século" - Apichatpong Weerasethakul (França/Áustria/Tailândia, 2006)

Sinopse: Dividido em duas partes, o filme conta como funciona a memória e o sentimento de felicidade desencadeado por algo aparentemente insignificante. A primeira parte tem como foco a vida de uma médica (Nantarat Sawaddikul). Já a segunda, a de um médico (Jaruchai Iamaram).
Comentário: Apichatpong Weerasethakul (1970) é um diretor tailandês que faz filmes pouco convencionais. Assisti dele o ótimo "Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas" (2010) e os bons "Hotel Mekong" (2012) e "Cemitério do Esplendor" (2015). Desta vez vou assistir "Síndromes e Um Século" (2006).
Eduardo Valente no site Cinética escreveu que quem nunca viu toma um filme do tailandês Apichatpong toma um "choque estético". É um tipo de filme que pede "uma constante reavaliação de olhar do espectador a partir das suas propostas estéticas, (...) uma entrega quase absoluta à sua proposição dramatúrgica, onde a conexão que existe entre os planos é tão importante quanto o universo descortinado por cada um destes - e onde, do ritmo autenticamente musical da sequência e acumulação das sequências atinge-se um efeito semelhante ao do recitar de um mantra, que vai lenta, mas inexoravelmente nos puxando para dentro de um outro estado de absorção do mundo".
O que eu achei: O cinema do tailandês Apichatpong Weerasethakul não é muito fácil de se explicar racionalmente, e "Síndromes e um Século" (2006) talvez seja um dos exemplos mais belos dessa singularidade. É um filme que requer entrega - se o espectador não estiver aberto a essa nova experiência sensorial e poética, ele pode parecer indecifrável. Dividido entre o campo e a cidade, entre o passado e o presente, Apichatpong constrói um retrato delicado da memória, da espiritualidade e da passagem do tempo, utilizando planos longos, silêncios e gestos sutis que evocam mais sentimentos do que explicações. Assim como em toda a sua filmografia, é preciso ver o filme disposto e receptivo: só então ele se revela como uma meditação cinematográfica de rara beleza, que transforma o cotidiano em pura transcendência. Excelente.