Sinopse: Os últimos dias de vida do polêmico diretor italiano Pier Paolo Pasolini (Willem Dafoe), conhecido por obras como "Teorema" e "Saló ou Os 120 Dias de Sodoma". O filme acompanha as suas ideias para um filme não realizado, sua última entrevista polêmica, os textos provocadores contra a ordem estabelecida e a relação com os desejos homossexuais.
Comentário: Abel Ferrara é um cineasta norte-americano. "Pasolini" (2014) é o primeiro filme que vejo dele.
Comentário: Abel Ferrara é um cineasta norte-americano. "Pasolini" (2014) é o primeiro filme que vejo dele.
Segundo Luciano Trigo, "o cineasta italiano Pier Paolo Pasolini estabelecia uma distinção entre o 'cinema de prosa' e o 'cinema de poesia', associando o primeiro à câmera, por assim dizer, invisível da narrativa cinematográfica hollywoodiana, linear e convencional, e o segundo a uma narrativa de invenção, disposta a provocar no espectador um efeito semelhante ao da boa poesia sobre os leitores – obtendo-se assim os efeitos desejados por meio da transgressão das (e não da submissão às) normas da linguagem". Este filme vai no caminho do retrato poético reconstituindo seus últimos dias – antes de ser brutalmente assassinado por um garoto de programa numa praia deserta, Ostia, em 2 de novembro de 1975 – com uma colagem caleidoscópica de momentos de sua trajetória".
O que eu achei: “Pasolini” (2014) é um retrato contido e respeitoso dos últimos dias do cineasta e escritor italiano, mais interessado em captar a presença e o pensamento do artista do que em reconstruir sua morte trágica. O filme evita o formato biográfico convencional e se concentra na atmosfera de incerteza e melancolia que cercava Pasolini, construindo um clima quase de suspensão entre a realidade e o imaginado. Willem Dafoe, em interpretação precisa e contida, dá corpo a um homem lúcido, cansado, mas ainda inquieto diante da arte e da política. Ferrara, sem recorrer a didatismos, faz um filme sobre o ato de criação e sobre o risco de viver coerentemente com as próprias ideias. A mistura entre cenas do cotidiano e trechos do projeto inacabado de Pasolini cria um diálogo entre o que ele foi e o que ainda queria realizar. Mesmo irregular, o filme tem momentos de grande força poética, especialmente quando deixa o espectador entrever a solidão de um artista que continua provocando o mundo até o fim.
