8.2.16

"O Pequeno Príncipe" - Mark Osborne (França, 2015)

Sinopse: Uma garota acaba de se mudar com a mãe, uma controladora obsessiva que deseja definir antecipadamente todos os passos da filha para que ela seja aprovada em uma escola conceituada. Entretanto, um acidente provocado por seu vizinho faz com que a hélice de um avião abra um enorme buraco em sua casa. Curiosa em saber como o objeto parou ali, ela decide investigar. Logo conhece e se torna amiga de seu novo vizinho, um senhor que lhe conta a história de um pequeno príncipe que vive em um asteroide com sua rosa e, um dia, encontrou um aviador perdido no deserto em plena Terra.
Comentário: Laura Aidar do site Cultura Genial nos conta que o livro "'O Pequeno Príncipe' é uma obra literária do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, que conta a história da amizade entre um homem frustrado por ninguém compreender os seus desenhos, com um principezinho que habita um asteroide no espaço. O título original é 'Le Petit Prince', e o livro foi publicado pela primeira vez em 1943, nos Estados Unidos. Esta obra é marcada pelo seu alto teor filosófico e poético, mesmo sendo considerada a princípio uma literatura para crianças.
No enredo, o autor do livro é o personagem principal da história, que assume também o papel de narrador, contando sobre o fatídico dia em que o seu avião teria caído no meio do deserto do Saara. Lá, o personagem principal adormece e, ao acordar, se depara com o pequeno príncipe, que pede para que ele desenhe um cordeiro numa folha de papel.
O protagonista é frustrado em relação aos seus desenhos, pois nunca ninguém conseguia interpretar as suas artes da forma correta.
Ao longo da história, o pequeno príncipe vai narrando as suas aventuras para o protagonista.
O jovem estaria a procura de um carneiro para comer as árvores que estariam crescendo em excesso em sua terra, um asteroide conhecido por B 612, que teria apenas uma rosa vermelha e três vulcões, sendo um deles inativo.
Ao ouvir as aventuras do pequeno príncipe, o protagonista vai percebendo como as pessoas deixam de dar valor as pequenas coisas da vida conforme vão crescendo".
Na animação, a roteirista Irena Brignull escreveu o roteiro baseando-se nesse romance, porém o filme apresenta um dispositivo de enquadramento não presente no romance, com uma estudante que descobre o Principezinho através de um vizinho idoso solitário. 
O filme utilizou a animação digital 3D para o mundo da garota e a animação stop-motion para o mundo do Pequeno Príncipe, como ela imagina".
O que eu achei: Em "O Pequeno Príncipe" (2015) a clássica obra de Antoine de Saint-Exupéry ganha uma adaptação que opta por um caminho criativo: em vez de simplesmente transpor o livro para a tela, o filme constrói uma nova narrativa que dialoga com o texto original. A história apresenta uma garota submetida a uma rotina rígida, que acaba conhecendo um excêntrico aviador - ligação direta com o universo do romance. A partir daí, o filme intercala dois níveis narrativos: o cotidiano da menina, em animação 3D, e os trechos do livro, recriados em delicado stop-motion. Essa escolha visual não é apenas estética, mas também simbólica, diferenciando o mundo racional do imaginativo. Visualmente, o contraste entre as técnicas é um dos grandes acertos. As sequências em stop-motion têm textura, calor e poesia, evocando com sensibilidade o espírito do livro. Já a parte em CGI, mais fria e geométrica, reforça a crítica à vida automatizada e excessivamente planejada. Quanto à fidelidade, o filme não é uma adaptação literal. Ele não segue integralmente a narrativa do romance, mas incorpora seus principais temas - infância, imaginação, afeto e perda - em uma história paralela. Essa abordagem pode surpreender quem espera uma transposição direta, mas permite uma releitura contemporânea que amplia o alcance da obra. O resultado é uma animação sensível e bem construída, que respeita a essência do livro sem se prender a ele. Finaliza funcionando como homenagem, conseguindo emocionar ao traduzir, à sua maneira, a delicadeza e a profundidade do texto original que aborda questões filosóficas como a perda da inocência e fantasia ao longo dos anos, conforme as pessoas vão crescendo e abandonando a infância.