12.5.15

"Jersey Boys: Em Busca da Música" - Clint Eastwood (EUA, 2014)

Sinopse: Na década de 1950, o ítalo-americano Tommy DeVito (Vincent Piazza) divide seu tempo entre cometer pequenos furtos e comandar uma banda. Ele é amigo do jovem e talentoso Frankie Valli (John Lloyd Young) que, não demora, é convidado para se juntar ao grupo musical. Com a entrada do compositor Bob Gaudio (Erich Bergen) no entanto, eles - ao lado de Nick Massi (Michael Lomenda) - formam uma das mais bem-sucedidas bandas dos anos 1960, o 'The Four Seasons', responsável por hits como "Sherry", "Big girls don't cry", "Walk like a man" e "Can't take my eyes off you".
Comentário: Clint Eastwood (1930) é um cineasta e ator americano. Assisti dele os ótimos "As Pontes de Madison" (1995), "Menina de Ouro" (2004), "A Conquista da Honra" (2006) e "Cartas de Iwo Jima" (2006); os bons "A Troca" (2008), "Gran Torino" (2008), "Invictus" (2009) e "J. Edgar" (2011) e o não tão bom "Além da Vida" (2010). Desta vez vou conferir "Jersey Boys: Em Busca da Música" (2014).
Baseado no musical da Broadway, o longa de Clint Eastwood mostra a ascensão e queda do quarteto, de muito talento, mas envolto em uma nuvem de brigas internas e relações escusas com a máfia. 
Segundo Tim Grierson do Screen International, "infelizmente, o retrato inteligente e tranquilo de Eastwood sobre o popular musical 'The Four Seasons' é prejudicado pela estrutura familiar das 'biografias de ascensão e queda', que anula os outros elementos potencialmente mais interessantes da trama".
O que eu achei: Em "Jersey Boys: Em Busca da Música" (2014), Clint Eastwood adota uma abordagem surpreendentemente convencional para contar a história do grupo 'The Four Seasons'. Baseado no musical homônimo da Broadway, o filme segue uma estrutura biográfica bastante conhecida, avançando cronologicamente pela ascensão, conflitos internos e queda do grupo, sem grandes riscos formais ou narrativos. O resultado é correto e funcional, mas raramente inspirado, como se Eastwood estivesse mais preocupado em respeitar o material de origem do que em reinventá-lo para o cinema. A encenação preserva muitos elementos teatrais, inclusive a quebra da quarta parede, recurso que funciona de maneira irregular na tela grande. As performances musicais são bem executadas e agradam, sobretudo para quem já conhece o repertório, mas o filme tende a ilustrar a história em vez de aprofundá-la. Os conflitos pessoais - dívidas, traições, disputas de ego - são apresentados de forma direta, quase esquemática, o que limita o impacto dramático e torna a trajetória dos personagens previsível. Como cinema, "Jersey Boys" não chega a comprometer, mas também não deixa marca duradoura. Falta-lhe o vigor emocional ou o olhar autoral mais afiado que Eastwood demonstrou em outros projetos. Funciona como um registro competente da história da banda, agradável de acompanhar, porém excessivamente seguro. Um filme que passa sem maiores sobressaltos, sustentado mais pela música do que pela força cinematográfica.