11.9.10

"Laranja Mecânica" - Stanley Kubrick (Reino Unido, 1971)

Sinopse: Num futuro próximo, um bando de delinquentes ultraviolentos pratica atrocidades: invadem casas, batem nos moradores, estupram mulheres... O líder do bando Alex DeLarge (Malcolm McDowell) é preso e passa por lavagem cerebral para eliminar seus instintos violentos.
Comentário: Trata-se do filme número 50 da lista dos 100 Essenciais elaborada pela Revista Bravo! em 2007. A matéria diz: "Além da genialidade de sua visões, Stanley Kubrick era um diretor de gêneros. Em cada um de seus filmes, explorou um diferente, dentro dos formatos codificados do cinema. Ficção científica ('2001', de 1968), terror ('O Iluminado', de 1980), guerra ('Glória Feita de Sangue', de 1957, e 'Nascido para Matar', de 1987), filme de época ('Barry Lindon', de 1975), épico ('Spartacus', de 1960), sátira política ('Dr. Fantástico', de 1965), comédia de costumes ('Lolita', de 1962), noir ('O Grande Golpe' de 1956), drama familiar ('De Olhos Bem Fechados', de 1999). 'Laranja Mecânica' seu filme mais cultuado (sobretudo pelas novas gerações), chama a atenção por não se encaixar exatamente em um único gênero narrativo. Tem muito de ficção científica, já que se passa num futuro não tão distante. É também comédia de costumes por trabalhar com aspectos cotidianos de uma nova sociedade. Além disso, traz elementos de humor negro e de ordem política. ‘Laranja Mecânica’ é original desde seu universo, em que os personagens possuem uma linguagem cheia de termos próprios. Alex DeLarge (Malcolm McDowell) lidera um grupo de jovens libertinos, os ‘droogs’, adeptos da ultraviolência. Saem pelas ruas espancando mendigos, estuprando mulheres (ao som de ‘Singin’ in the Rain’) e provocando todo tipo de arruaça. Mas Alex acaba preso e é obrigado a participar de um programa de reabilitação do governo que prevê um tratamento cruel para evitar que os bandidos voltem a praticar atos violentos. Só que, ao deixar a prisão, o ex-niilista se vê inadequado à sociedade e ao meio em que vivia, incapaz de voltar a se relacionar. O filme, que causou polêmica no lançamento, traz uma visão amarga sobre o sadismo não só físico, mas também moral, sobre o controle e a hipocrisia das autoridades e sobre a fragilidade das identidades individuais, tornadas reféns de padrões. Embora se passe no futuro, ‘Laranja Mecânica’ poderia perfeitamente ter lugar na América moderna, das ruas violentas e desassossego urbano, a mesma de outras produções desta época, como ‘Táxi Driver’ (1976). E o filme, baseado em romance homônimo de Anthony Burgess (e considerado por muitos melhor que o livro), antecipa em algumas décadas ‘Clube da Luta’ (1999), de David Fincher, e ‘Assassinos Por Natureza’ (1994), de Oliver Stone, entre outros. Sua influência, que se estende também à cultura pop, parece interminável”. De fato, o resultado é incrível. Na trilha sonora há músicas de Beethoven, Elgar e Rossini. Kubrick inova e choca. As cenas são impactantes, violentas e fortes, a nudez é explícita e as agressões nítidas. O vocabulário usado no filme foi criado pelo próprio Burgess (autor do livro). Trata-se de uma mistura entre línguas completamente distintas (inglês e russo) e mais as gírias ou vocabulário jovem, gerando palavras como theloveque, drugues, devótcheca, bog, véssiches, glazes, rote, etc. Por mais estranhas que essas palavras pareçam, Kubrick nos fornece uma riqueza de imagens que as torna compreensíveis. E o livro é todo escrito assim, são poucas as palavras que não sofrem alterações. O filme foi retirado de cartaz no Reino Unido a mando de Stanley Kubrick. Irritado com as críticas recebidas, de que "Laranja Mecânica" seria muito violento, Kubrick declarou que o filme apenas seria exibido lá após sua morte. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar e três ao Globo de Ouro. Transformou toda uma geração, e até hoje muitas bandas de rock são influenciadas pelo estilo da gangue de Alex, usando roupas apertadas, botas, cartolas, maquiagem e tudo mais (no filme, as roupas deles são brancas, mas na obra original de Burgess, são pretas). Obra-prima.