Sinopse: Christine Clay (Pamela Carme) é uma famosa atriz que sofre com os ciúmes de seu ex-marido Guy (George Curzon) que a acusa de manter um relacionamento com o jovem escritor Robert Tisdall (Derrick De Marney). Na manhã seguinte, Christine aparece morta na praia e Robert a vê e corre para buscar ajuda. Quando a polícia chega, constata que a mulher fora asfixiada com um cinto achado ao lado do corpo e duas banhistas testemunham que viram Robert fugindo.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os ótimos "Sabotagem" (1936), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943) e "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e os bons "Os 39 Degraus" (1935) e "O Agente Secreto" (1936). Desta vez vou conferir "Jovem e Inocente" (1937).
É um dos filmes menos conhecidos de Hitchcock, embora se inclua na fase mais rica do seu período inglês. É também aquele que, neste período, se afasta do tema da espionagem, centrando-se apenas na questão do "falso culpado" que procura descobrir o autor do crime de que é acusado. Contém um dos grandes "tour de force" técnicos de Hitchcock: o famoso travelling que atravessa a sala de baile para mostrar o criminoso entre os membros da orquestra.
O que eu achei: “Jovem e Inocente” (1937), é um dos thrillers mais leves da fase britânica do cineasta. A história acompanha um homem injustamente acusado de assassinato que, na tentativa de provar sua inocência, acaba vivendo uma série de situações repletas de tensão e humor. O ritmo ágil e a mistura entre suspense e romance tornam o filme muito agradável. O casal protagonista, interpretado por Derrick De Marney e Nova Pilbeam, funciona muito bem, trazendo uma química convincente e diálogos que alternam humor e seriedade de forma natural. Além disso, Hitchcock insere passagens de puro virtuosismo técnico, sendo a mais célebre a impressionante tomada que vai do alto de um salão de baile até um close revelador do verdadeiro assassino - um momento de grande criatividade e precisão narrativa. Com uma história bem amarrada, personagens cativantes e uma direção segura, "Jovem e Inocente" mantém o espectador envolvido até o final. Gostei muito.
