14.8.10

"O Sétimo Selo" - Ingmar Bergman (Suécia, 1957)

Sinopse: No século 14, depois de dez anos de luta nas Cruzadas, o cavaleiro sueco Antonius Blok (Max von Sydow) volta a seu país e o encontra assolado pela Peste Negra. A Morte (Bengt Ekerot) surge diante do cavaleiro e quer levá-lo consigo. Este pede um adiamento da pena, durante o qual jogará uma partida de xadrez com a Morte. O cavaleiro, acompanhado sempre pelo ateu escudeiro Jons (Gunnar Björnstrand), vê à sua volta a morte pela fome e pela peste, fiéis que se flagelam em rituais sinistros e bruxas queimadas pela Igreja. Somente quando conhece Jof (Nils Poppe) e Mia (Bibi Andersson), um ingênuo casal de saltimbancos, é que suas dúvidas e tormentos são aliviados.
Comentário: Trata-se do filme número 26 da lista dos 100 Essenciais elaborada pela Revista Bravo! em 2007. A matéria diz: "Ingmar Bergman estava mesmo inspirado em 1957. Nesse ano, o cineasta sueco lançou dois de seus melhores filmes, 'Morangos Silvestres' e 'O Sétimo Selo', bem diferentes entre si: o primeiro é uma descrição realista e contemporânea de um dia na vida de um professor que revê sua vida ao viajar à cidade natal, para receber um prêmio. Já 'O Sétimo Selo' (vencedor do prêmio do júri em Cannes) se passa na Idade Média. O cavaleiro Antonius Block (Max von Sydow) volta das sangrentas cruzadas com a própria fé abalada, e encontra seu país devastado pela peste. Acompanhado de um escudeiro (Gunnar Björnstrand), Block observa a destruição prevista na Bíblia (o título do filme é tirado do livro do Apocalipse) e dá de cara com a Morte, que veio para levá-lo também. Por ser uma alegoria e por ser focada na Idade Média, é fácil acreditar que 'O Sétimo Selo' tenha menos da vida de Bergman do que 'Morangos Silvestres'. Não é o caso. Quando escreveu o roteiro, o diretor vinha passando por um período de depressão causada por uma crise de fé e pelo medo da morte. Filho de um rígido pastor luterano, Bergman sempre se engajou no debate sobre a existência de Deus. Seu interesse, afirmou certa vez, era mais intelectual que emocional. Isso é claro em Antonius Block, que não consegue abandonar sua dúvidas. 'Você nunca pára de questionar?', pergunta-lhe a Morte. Diante da negativa do cavaleiro, ela lhe diz que ele jamais chegará a uma conclusão. Os únicos poupados do apocalipse são alguns artistas circenses. Seria a arte um modo de redenção? Encurralado, Block tenta um último lance para escapar do fim iminente: desafia a Morte para um jogo de xadrez, em uma das sequências mais angustiantes da carreira de Bergman, continuamente parodiada em outros filmes. A Morte, é claro, aceita. Afinal, ela nunca perde, e este é o mote de 'O Sétimo Selo'. O que fazer para escapar ou amenizar o temor pela certeza do fim? Refugiar-se na religião, mesmo sabendo que se trata de uma instituição cruel, que mata e persegue conforme seus interesses - um Deus que mata pode ser amor? Se é impossível ter fé, já que somos racionais demais para crer, é melhor estar alienado? Como a Morte, Bergman não tem respostas para oferecer a Block, nem a nós". 
O que eu achei: Vale lembrar que o apocalipse descrito na bíblia fala justamente do sétimo selo, o último selo antes do fim dos tempos, o selo que simboliza a morte. Bergman usou esse símbolo para montar o duelo entre vida e morte durante o jogo de xadrez, junto com diálogos muito bem construídos. O fato da história se passar no século XIV, quando a Europa estava passando por guerras e peste negra, remete à uma época na qual as pessoas muito religiosas acreditavam que seria um alerta do fim do mundo. Com o filme Bergman discute o presente com a certeza da morte e a dúvida sobre a existência de Deus. Obra-prima.