Sinopse: Durante a Segunda Guerra, o soldado britânico Edgar Brodie (John Gielgud) descobre que uma agência do governo forjou sua morte e trocou seu nome. Agora ele será enviado para uma operação especial: viajar para a Suíça e matar um agente alemão. Para levar a cabo a missão, ele é ajudado por uma agente novata chamada Elsa Carrington (Madeleine Carroll) e um assassino profissional (Peter Lorre).
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele o ótimo "A Sombra de Uma Dúvida" (1943) e o bom "Os 39 Degraus" (1935). Desta vez vou conferir "O Agente Secreto" (1936).
Segundo Rubens Ewald Filho, "produzido pelo ator Bob Hoskins, este foi o segundo filme como realizador de Hampton, famoso roteirista premiado de 'Ligações Perigosas' e diretor de 'Carrington'. Nem chegou a passar em nossos cinemas, apesar de ser baseado em romance de Joseph Conrad (que inspirou 'Apocalipse Now'). Tem um excelente elenco, trazendo inclusive Robin Williams como o professor, sendo creditado pelo pseudônimo George Spelvin. Trilha musical de Phillip Glass. Alfred Hitchcock fez esta história atualizada em 1936 como 'O Marido era o Culpado' (Sabotage)".
O que eu achei: “O Agente Secreto” (1936) é um filme que demonstra bem a habilidade do diretor em unir suspense, humor e romance dentro de uma narrativa de espionagem. A trama acompanha um escritor que, após descobrir ser considerado morto, é recrutado para uma missão secreta na Suíça. A mistura de tensão e leveza, característica dessa fase britânica de Hitchcock, dá ao filme um ritmo agradável e envolvente, mesmo quando a história assume tons mais sombrios. O elenco contribui bastante para o resultado, com destaque para John Gielgud, que traz um certo ar de elegância ao protagonista, e para Peter Lorre, que, como sempre, oferece um personagem excêntrico e cheio de energia. A interação entre os personagens ajuda a quebrar o clima de mistério com momentos de humor, algo que Hitchcock sempre soube fazer muito bem, e que aqui funciona para dar equilíbrio à narrativa. Tecnicamente, nota-se o cuidado na construção das cenas, principalmente nos ambientes e nas passagens de suspense. Embora não tenha o impacto de outras obras do diretor, “O Agente Secreto” mostra um Hitchcock seguro, experimentando fórmulas que mais tarde refinaria ainda mais em seus grandes clássicos. O resultado é um filme sólido, divertido e bem construído, que cumpre o papel de entreter e prender nossa atenção até o fim.
