Sinopse: Kurt Gerstein (Ulrich Tukur) é um oficial do Terceiro Reich que trabalhou na elaboração do Zyklon B, gás mortífero originalmente desenvolvido para a matança de animais mas usado para exterminar milhares de judeus durante a 2ª Guerra Mundial. Gerstein se revolta com o que testemunha e tenta informar os aliados sobre as atrocidades nos campos de concentração. Católico, busca chamar a atenção do Vaticano, mas suas denúncias são ignoradas pelo alto clero. Apenas um jovem jesuíta (Mathieu Kassovitz) lhe dá ouvidos e o ajuda a organizar uma campanha para que o Papa (Marcel Iures) quebre o silêncio e se manifeste contra as violências ocorridas em nome de uma suposta supremacia racial.
Comentário: O filme impõe uma série de questionamentos sobre as relações entre o Vaticano e o Terceiro Reich, em especial a busca de respostas sobre o clamoroso silêncio do Vaticano sobre o fato de milhões de judeus serem mortos na Europa ocupada pelos nazistas. Na época que o filme retrata, Eugenio Pacelli (Pio XII) ocupava a cadeira de papa e o filme procura vasculhar que razões guiariam esta figura carismática a optar por um silêncio tão doloroso. Sabe-se que ele foi o homem mais bem colocado na hierarquia papal para entender a Alemanha e sua liderança nazista, já que ele fora núncio em Munique e depois em Berlim, conhecendo pessoalmente a alta hierarquia nazista. Esse mesmo papa foi responsável pela Concordata - um acordo de cooperação e divisão de tarefas entre a Igreja Católica e o Terceiro Reich. O que se diz é que Pacelli era absolutamente anticomunista e ele via no nazismo uma forma de controle contra o comunismo. Em nome dessa "razão" ele coloca de lado os preceitos teológico e filosófico obviamente incompatíveis com o cristianismo.
