
Comentário: Darren Aronofsky (1969) é um cineasta, roteirista, produtor cinematográfico e ambientalista americano. Assisti dele a obra-prima "Mãe!" (2017), os excelentes “Réquiem Para Um Sonho” (2000), "O Lutador" (2008) e "Cisne Negro" (2010), o bom “A Baleia” (2022) e o péssimo "Noé" (2014). Desta vez vou conferir "Ladrões" (2025).
Cesar Soto do G1 publicou: “’Ladrões’, novo filme do renomado cineasta Darren Aronofsky, mostra que alguma coisa mudou dentro do americano de 56 anos. Conhecido por histórias perturbadoras como ‘Réquiem Para Um Sonho’ (2000) - clássico sobre jovens viciados que lançou sua carreira e traumatizou uma geração no processo - e ‘Cisne Negro’ (2010), ele apresenta um dos filmes mais divertidos do ano.
Protagonizado por uma estrela em franca ascensão em Hollywood, Austin Butler, a aventura criminosa (...) conta a história de um ex-jogador de beisebol preso, por acidente, em uma disputa entre gângsteres de Nova York.
Um contraste gritante em relação aos estudos sobre religiosidade, humanidade e obsessão, dentro de ambientes sufocantes e claustrofóbicos como os retratados pelo diretor em ‘Mãe!’ (2017) ou ‘A Baleia’ (2022), seu filme mais recente.
Mas o que levou um dos cineastas americanos mais conhecidos por seu currículo cheio de obras incômodas e sombrias? ‘Há uma certa fome por esse tipo de coisa agora. É difícil chamar a atenção das pessoas. Há tanta distração no mundo’, diz Aronofsky em entrevista ao G1. ‘Se há uma coisa que Hollywood deveria fazer neste momento é calar a boca e dançar’. ‘Então, eu gostaria de fazer apenas algo que fosse divertido e desse às pessoas duas horas de uma ótima jornada. E esse era o filme mais meio que comercial que eu estava desenvolvendo há um tempo’.
Conhecido também por escrever a maior parte de seus filmes, em ‘Ladrões’ o diretor realiza pela segunda vez seguida uma adaptação para o cinema de uma história escrita por outra pessoa. Pela segunda vez, também, convida o autor original para o cargo.
Em ‘A Baleia’, o trabalho tinha ficado com o dramaturgo Samuel D. Hunter, responsável pela peça na qual o filme era baseado. ‘Acho que ele é um dos grandes escritores dos Estados Unidos’, fala Aronofsky. Mesmo assim, em seu primeiro trabalho para o cinema, Hunter precisou de muita atenção do diretor. ‘Mas a natureza de suas palavras era tão linda que eu não queria mexer com elas’, conta. Com Charlie Huston, escritor do livro (‘Caught Stealing’, mesmo título em inglês) adaptado em ‘Ladrões’, a experiência foi bem diferente. Afinal, ele já tinha um rascunho pronto, ‘que definitivamente capturava a energia e parecia um filme’.
‘Olha, escrever um livro é uma situação muito diferente do que escrever um roteiro. Por exemplo, você não pode fazer monólogos internos tão bem. E a voz de Hank (o protagonista) era uma parte grande do livro’, diz Aronofsky. ‘Mas, quero dizer, nesses dois casos tudo deu certo’.
Lançado em 2005, ‘Caught Stealing’ - título que faz referência ao beisebol que o protagonista não joga mais - é na verdade o primeiro de uma trilogia. Por isso, o cineasta faz um paralelo com seus próprios enredos do passado, compostos por discussões complexas e protagonistas perturbados. ‘Você assiste ao desenvolvimento de um personagem em uma história bem mais longa, de uma forma muito mais realista. E o que foi divertido foi me apegar a esse realismo da trama e do personagem, mesmo quando ele está cercado por todos esses acontecimentos absurdos’, afirma o diretor.
Ele sabe que essa vontade sincera de levar puro entretenimento ao público vai de encontro às expectativas que seus fãs - e o público em geral - têm de seu trabalho. Por isso, espera que as pessoas consigam separar a obra do artista, ‘por mais que eu esteja aqui falando sobre o filme’.
‘Isso é engraçado. Eu ando um pouco preocupado com isso - que as pessoas vão ficar chateadas por não estarem mais perturbadas. Então, você meio que está ferrado não importa o que aconteça. Não há como ganhar’."
O que disse a crítica 1: Robledo Milani do site Papo de Cinema avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, regular. Disse: “Hank é o típico cara ‘na hora errada e no lugar errado’. No decorrer dos próximos dias e horas, tudo vai ficando cada vez pior, e se mostrará ainda mais difícil decidir o que fazer e em quem confiar. A inspiração para o roteiro de Charlie Huston (também autor do livro no qual o filme é uma adaptação), obviamente, é o hoje referencial ‘Depois de Horas’ (1985). Porém, aquilo que Martin Scorsese falava com propriedade sobre uma cidade corrompida, exótica e que existia por meio de vias tortas, Darren Aronofsky se aproxima por meio do estereótipo, do clichê publicitário e fazendo uso de um verniz que aposta mais na pose do que nas motivações. Dessa forma, é fácil acompanhar os desdobramentos pelos quais os personagens se ocupam durante as quase duas horas de ‘Ladrões’. Mas é mais um quebra-cabeças esforçando-se para fazer sentido e menos uma história de desencontros e falsas coincidências que urgia em ser narrada. Por outro lado, também não chega a ser mero veículo para o estrelato de um ou outro astro envelhecido (...). Enfim, entrega o que promete. E nem um passo além disso”.
O que disse a crítica 2: Francisco Carbone do Cenas de Cinema avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Com um elenco onde se misturam rostos conhecidos com tipos menos testados, é o rosto central que exemplifica todo o amálgama de intenções de ‘Ladrões’. Austin Butler surgiu para o grande público na impressionante corporificação de Elvis, e desde então ele sempre demonstra ter mais potencial que lá. Como o protagonista de Aronofsky, ele encarna as camadas de seu personagem e filme, que dividem as mesmas conotações – (...) seu rosto invade a tela para preencher cada possível dúvida de entendimento narrativo. Seja na angústia atroz que carrega, no sofrimento onde esbarra, na fúria que se aplaca em determinado momento, na saudade de um tempo que ele mesmo foi responsável por encerrar, Butler é um nome da novíssima geração que tem a dizer através da expressividade que seu diretor, como sempre, é hábil em arrancar de seus atores”.
O que eu achei: O título original "Caught Stealing" pode tanto significar “Pego Roubando”, como pode ser entendido como um trocadilho de termo clássico do beisebol que se refere uma jogada em que um corredor tenta avançar para a próxima base sem que a bola tenha sido rebatida, mas é ‘pego’ pelo time adversário. A trama se passa na Nova York de 1998. Conta a história de Hank Thompson (Austin Butler), um ex-prodígio do beisebol que atualmente trabalha como barman. Seu vizinho punk viaja e lhe pede para cuidar de seu gato. O que parecia uma tarefa simples vira um inferno já que o rapaz é traficante de drogas e há uma penca de gente do mal atrás do dinheiro obtido com a venda dos entorpecentes. O filme é um thriller gostoso de ver. Me lembrou muito dois filmes do Guy Ritchie: "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes" (1998) e "Snatch: Porcos e Diamantes" (2000). O curioso é que o longa é muito diferente dos filmes do próprio Aronofsky, famoso pelos dramas psicológicos intensos, as tragédias, o terror e as histórias de autodestruição que deixam o público angustiado. Este é basicamente um suspense policial de ritmo acelerado com o protagonista passando por apuros, com uma narrativa sendo guiada pelo caos urbano, cheio de adrenalina e gags, que nem parece dele. O roteiro foi escrito pelo Charlie Huston, autor do livro original no qual o filme se baseia. Então prepare-se para ver algo muito diferente do que ele habitualmente faz. Poucos diretores conseguem se reinventar assim, transitando entre universos tão diferentes sem perder a qualidade técnica. Além do filme em si ser bom, o longa se mostrou uma excelente oportunidade para o ator Austin Butler se libertar do fantasma do Elvis. Ele dá um show na pele de um bartender comum, super vulnerável e magnético. Resumindo, é um filme violento na medida certa, divertido de se ver e que tem uma trilha sonora pós-punk incrível que dita o ritmo. Vale o play.
Cesar Soto do G1 publicou: “’Ladrões’, novo filme do renomado cineasta Darren Aronofsky, mostra que alguma coisa mudou dentro do americano de 56 anos. Conhecido por histórias perturbadoras como ‘Réquiem Para Um Sonho’ (2000) - clássico sobre jovens viciados que lançou sua carreira e traumatizou uma geração no processo - e ‘Cisne Negro’ (2010), ele apresenta um dos filmes mais divertidos do ano.
Protagonizado por uma estrela em franca ascensão em Hollywood, Austin Butler, a aventura criminosa (...) conta a história de um ex-jogador de beisebol preso, por acidente, em uma disputa entre gângsteres de Nova York.
Um contraste gritante em relação aos estudos sobre religiosidade, humanidade e obsessão, dentro de ambientes sufocantes e claustrofóbicos como os retratados pelo diretor em ‘Mãe!’ (2017) ou ‘A Baleia’ (2022), seu filme mais recente.
Mas o que levou um dos cineastas americanos mais conhecidos por seu currículo cheio de obras incômodas e sombrias? ‘Há uma certa fome por esse tipo de coisa agora. É difícil chamar a atenção das pessoas. Há tanta distração no mundo’, diz Aronofsky em entrevista ao G1. ‘Se há uma coisa que Hollywood deveria fazer neste momento é calar a boca e dançar’. ‘Então, eu gostaria de fazer apenas algo que fosse divertido e desse às pessoas duas horas de uma ótima jornada. E esse era o filme mais meio que comercial que eu estava desenvolvendo há um tempo’.
Conhecido também por escrever a maior parte de seus filmes, em ‘Ladrões’ o diretor realiza pela segunda vez seguida uma adaptação para o cinema de uma história escrita por outra pessoa. Pela segunda vez, também, convida o autor original para o cargo.
Em ‘A Baleia’, o trabalho tinha ficado com o dramaturgo Samuel D. Hunter, responsável pela peça na qual o filme era baseado. ‘Acho que ele é um dos grandes escritores dos Estados Unidos’, fala Aronofsky. Mesmo assim, em seu primeiro trabalho para o cinema, Hunter precisou de muita atenção do diretor. ‘Mas a natureza de suas palavras era tão linda que eu não queria mexer com elas’, conta. Com Charlie Huston, escritor do livro (‘Caught Stealing’, mesmo título em inglês) adaptado em ‘Ladrões’, a experiência foi bem diferente. Afinal, ele já tinha um rascunho pronto, ‘que definitivamente capturava a energia e parecia um filme’.
‘Olha, escrever um livro é uma situação muito diferente do que escrever um roteiro. Por exemplo, você não pode fazer monólogos internos tão bem. E a voz de Hank (o protagonista) era uma parte grande do livro’, diz Aronofsky. ‘Mas, quero dizer, nesses dois casos tudo deu certo’.
Lançado em 2005, ‘Caught Stealing’ - título que faz referência ao beisebol que o protagonista não joga mais - é na verdade o primeiro de uma trilogia. Por isso, o cineasta faz um paralelo com seus próprios enredos do passado, compostos por discussões complexas e protagonistas perturbados. ‘Você assiste ao desenvolvimento de um personagem em uma história bem mais longa, de uma forma muito mais realista. E o que foi divertido foi me apegar a esse realismo da trama e do personagem, mesmo quando ele está cercado por todos esses acontecimentos absurdos’, afirma o diretor.
Ele sabe que essa vontade sincera de levar puro entretenimento ao público vai de encontro às expectativas que seus fãs - e o público em geral - têm de seu trabalho. Por isso, espera que as pessoas consigam separar a obra do artista, ‘por mais que eu esteja aqui falando sobre o filme’.
‘Isso é engraçado. Eu ando um pouco preocupado com isso - que as pessoas vão ficar chateadas por não estarem mais perturbadas. Então, você meio que está ferrado não importa o que aconteça. Não há como ganhar’."
O que disse a crítica 1: Robledo Milani do site Papo de Cinema avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, regular. Disse: “Hank é o típico cara ‘na hora errada e no lugar errado’. No decorrer dos próximos dias e horas, tudo vai ficando cada vez pior, e se mostrará ainda mais difícil decidir o que fazer e em quem confiar. A inspiração para o roteiro de Charlie Huston (também autor do livro no qual o filme é uma adaptação), obviamente, é o hoje referencial ‘Depois de Horas’ (1985). Porém, aquilo que Martin Scorsese falava com propriedade sobre uma cidade corrompida, exótica e que existia por meio de vias tortas, Darren Aronofsky se aproxima por meio do estereótipo, do clichê publicitário e fazendo uso de um verniz que aposta mais na pose do que nas motivações. Dessa forma, é fácil acompanhar os desdobramentos pelos quais os personagens se ocupam durante as quase duas horas de ‘Ladrões’. Mas é mais um quebra-cabeças esforçando-se para fazer sentido e menos uma história de desencontros e falsas coincidências que urgia em ser narrada. Por outro lado, também não chega a ser mero veículo para o estrelato de um ou outro astro envelhecido (...). Enfim, entrega o que promete. E nem um passo além disso”.
O que disse a crítica 2: Francisco Carbone do Cenas de Cinema avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Com um elenco onde se misturam rostos conhecidos com tipos menos testados, é o rosto central que exemplifica todo o amálgama de intenções de ‘Ladrões’. Austin Butler surgiu para o grande público na impressionante corporificação de Elvis, e desde então ele sempre demonstra ter mais potencial que lá. Como o protagonista de Aronofsky, ele encarna as camadas de seu personagem e filme, que dividem as mesmas conotações – (...) seu rosto invade a tela para preencher cada possível dúvida de entendimento narrativo. Seja na angústia atroz que carrega, no sofrimento onde esbarra, na fúria que se aplaca em determinado momento, na saudade de um tempo que ele mesmo foi responsável por encerrar, Butler é um nome da novíssima geração que tem a dizer através da expressividade que seu diretor, como sempre, é hábil em arrancar de seus atores”.
O que eu achei: O título original "Caught Stealing" pode tanto significar “Pego Roubando”, como pode ser entendido como um trocadilho de termo clássico do beisebol que se refere uma jogada em que um corredor tenta avançar para a próxima base sem que a bola tenha sido rebatida, mas é ‘pego’ pelo time adversário. A trama se passa na Nova York de 1998. Conta a história de Hank Thompson (Austin Butler), um ex-prodígio do beisebol que atualmente trabalha como barman. Seu vizinho punk viaja e lhe pede para cuidar de seu gato. O que parecia uma tarefa simples vira um inferno já que o rapaz é traficante de drogas e há uma penca de gente do mal atrás do dinheiro obtido com a venda dos entorpecentes. O filme é um thriller gostoso de ver. Me lembrou muito dois filmes do Guy Ritchie: "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes" (1998) e "Snatch: Porcos e Diamantes" (2000). O curioso é que o longa é muito diferente dos filmes do próprio Aronofsky, famoso pelos dramas psicológicos intensos, as tragédias, o terror e as histórias de autodestruição que deixam o público angustiado. Este é basicamente um suspense policial de ritmo acelerado com o protagonista passando por apuros, com uma narrativa sendo guiada pelo caos urbano, cheio de adrenalina e gags, que nem parece dele. O roteiro foi escrito pelo Charlie Huston, autor do livro original no qual o filme se baseia. Então prepare-se para ver algo muito diferente do que ele habitualmente faz. Poucos diretores conseguem se reinventar assim, transitando entre universos tão diferentes sem perder a qualidade técnica. Além do filme em si ser bom, o longa se mostrou uma excelente oportunidade para o ator Austin Butler se libertar do fantasma do Elvis. Ele dá um show na pele de um bartender comum, super vulnerável e magnético. Resumindo, é um filme violento na medida certa, divertido de se ver e que tem uma trilha sonora pós-punk incrível que dita o ritmo. Vale o play.