15.6.26

"Ben-Hur" - William Wyler (EUA, 1959)

Sinopse:
Ben-Hur (Charlton Heston) é um mercador judeu que, após um desentendimento, é condenado a viver como escravo por um amigo de juventude, Messala (Stephen Boyd), que é o chefe das legiões romanas da cidade. Mas uma surpreendente oportunidade de vingança surge de onde ele menos espera.
Comentário: Trata-se do filme número 83 da lista dos 100 essenciais elaborada pela Revista Bravo! em 2007. A matéria diz: "'Ben-Hur' é um filme grande sob todos os aspectos. Além das suas três horas e meia de duração, os números de produção impressionam ainda hoje. O orçamento total foi de US$ 15 milhões (o longa mais caro já feito, até então), e a bilheteria, de mais de US$ 70 milhões só nos Estados Unidos, tirou a MGM do buraco. Foram utilizados 100 mil figurinos e 300 sets construídos. A emblemática cena da corrida de bigas exemplifica o espírito grandioso: sua filmagem durou três meses e exigiu a presença de 8 mil extras em uma arena construída em um ano, ao custo de US$ 1 milhão. Uma meticulosidade típica de William Wyler, por anos tido injustamente como um diretor sem personalidade; um artesão, não um autor. A história da vingança do escravo Ben-Hur (Charlton Heston, que ganhou o papel após recusa de Burt Lancaster e Paul Newman) contra seu traidor e ex-amigo Messala (Stephen Boyd), cheia de referências bíblicas e à vida de Cristo, foi adaptada do romance homônimo do general americano Lew Wallace. Até a versão final, 40 roteiros diferentes foram trabalhados (um dos roteiristas não-creditados é o escritor Gore Vidal). O filme detém até hoje o recorde de 11 estatuetas do Oscar, número só igualado por 'Titanic' (1997) e pela terceira parte da trilogia 'O Senhor dos Anéis' (2003). Entre os prêmios, o de Melhor Ator, Diretor, Fotografia, Montagem e Efeitos Especiais. Fora a influência que exerceu sobre praticamente todos os épicos feitos posteriormente, de 'Spartacus' (1960) a 'Gladiador' (2000)".
O que eu achei: Trata-se da adaptação do livro "Ben-Hur: Uma História dos Tempos de Cristo", escrito pelo general e autor americano Lew Wallace e publicado originalmente em 1880. O filme, com 3h32m de duração, conta a história de Judah Ben-Hur, um príncipe e rico comerciante judeu. Sua vida muda drasticamente com o retorno para a cidade de seu amigo de infância, o romano Messala, que agora é o novo comandante militar da região. Por conta de seu cargo, Messala exige que Ben-Hur denuncie os judeus que se opõem ao Império Romano, mas Ben-Hur se recusa a trair seu povo e a forte amizade logo se transforma em rivalidade. Por conta de um acidente doméstico que quase mata o governador, Ben-Hur, com um empurrãozinho de Messala, é condenado à escravidão nas galés (navios de guerra) e sua mãe e irmã são presas. Mas o mundo dá voltas e Ben-Hur terá a oportunidade de retornar à Judeia e se vingar de Messala numa corrida de bigas. O subtítulo do livro original - Uma História dos Tempos de Cristo - reflete o pano de fundo do filme. Jesus Cristo aparece em momentos cruciais da vida de Ben-Hur, dando água a ele, pregando nos campos, ou mesmo sendo julgado e crucifixado. Mas o personagem Ben-Hur nunca existiu de fato. Ele é 100% fictício, tendo sido inserido num cenário político real que foi o Império Romano, juntamente com figuras históricas que realmente existiram como o próprio Jesus, o governador romano Pôncio Pilatos e o imperador Tibério César. É daqueles filmes grandiosos, não só no tempo de duração como também nos cenários - a arena da corrida de bigas, por exemplo, ocupava 73 hectares, tinha arquibancadas de 5 andares e usou mais de 40 mil toneladas de areia branca trazida do Mediterrâneo -; um mar de figurantes e milhares de figurinos, além do orçamento astronômico. Ganhou 11 Oscars, incluindo Melhor Trilha Sonora para o compositor húngaro Miklós Rózsa, não vencendo justamente na categoria Melhor Roteiro Adaptado. Uma curiosidade é que essa versão clássica de 1959, com direção de William Wyler, estrelada por Charlton Heston, não foi a primeira e nem a última. O livro de Lew Wallace foi adaptado para o cinema mudo em 1907 e 1925, e ainda ganhou um novo remake em 2016.