
Comentário: Karen Shakhnazarov (1952) é um cineasta, produtor e roteirista soviético. Ele se tornou diretor geral da Mosfilm em 1998. Ele é conhecido pelo seu trabalho em "Enfermaria Nº 6" (2009), "Cidade Zero" (1988) e "Tigre Branco" (2012). Assisti dele o excelente “Anna Karenina: A História de Vronsky” (2017). Desta vez vou conferir "O Mensageiro" (1986).
Guillermo Sánchez Ferrer do site Cinema Gavia publicou: "'O Mensageiro' (1986) é um filme do aclamado diretor Karen Shakhnazarov, que retratou como nenhum outro a atitude da juventude em relação às reformas soviéticas que ocorreram durante o período da Perestroika. O filme foi um enorme sucesso de bilheteria (tornando-se o sexto filme de maior bilheteria na URSS naquele ano) e um sucesso de crítica. (...)
O ator principal de 'O Mensageiro', Fyodor Dunayevsky, compartilha parte da história por trás do enredo do filme. Assim como o personagem que interpreta, seus pais se divorciaram quando ele tinha apenas quatorze anos. Ele então trabalhou em um jardim de infância, onde se envolveu em diversas brigas, chegando a enfrentar acusações no tribunal juvenil. Sua entrada no cinema foi puramente por acaso. Sua ex-colega de classe, Anastasiya Nemolyayeva , que originalmente interpretaria a protagonista feminina, Katya, enviou várias fotos de seus colegas para o estúdio para o papel de Ivan. Dunayevsky foi convidado para uma audição e, após ser aprovado, conseguiu o papel principal.
'O Mensageiro' é um retrato que apresenta uma luta geracional. De um lado, está a geração representada pelo personagem principal, Ivan. São os jovens da Perestroika. São os jovens que já não acreditam no socialismo, mas sim no que veem na televisão, agora aberta ao Ocidente (numa cena, os vemos assistindo a filmes de artes marciais). 'O Mensageiro', enquanto obra documental de todo este período, é verdadeiramente excecional.
O diretor nos apresenta todas essas novas influências: música rock (desde a música que está tocando até os pôsteres de bandas que Ivan tem em seu quarto), danças (quase como uma sequência icônica, vemos vários jovens dançando a dança do robô, tão emblemática dos anos oitenta), festas (uma boate aparece diretamente no filme), o próprio idioma... Como eu disse, como um simples documentário, é uma verdadeira maravilha para todos os amantes da cultura eslava e de sua história.
Por outro lado, essa geração entra em conflito com a geração soviética, simbolizada pelo pai de Katya, magistralmente interpretado por Oleg Basilashvili. Esses são os pais que viveram a Segunda Guerra Mundial ou o período pós-guerra. Eles acreditavam que o socialismo triunfaria no mundo todo. Eles sempre tiveram (...) uma vida planejada e, portanto, entram em conflito direto com essa nova geração.
A geração que o pai de Katya representa era a de sonhadores. Eles deram suas vidas pelo socialismo, acreditando que o mundo seria um lugar melhor. O sonho deles era que seus filhos tivessem a vida que lhes fora negada. Eram idealistas. No entanto, a nova geração trazida pela Perestroika não transmitiu esses sonhos às gerações mais jovens. Ou melhor, trouxe sonhos completamente diferentes. Como o filme mostra, os jovens olhavam para os Estados Unidos e para o que viam em Hollywood. Não havia nada além de querer um carro e ser bonito. Apenas superficialidade pela superficialidade. Ou pelo menos essa é a visão do cineasta, e a história acabou por lhe dar razão.
Em 'O Mensageiro', essa mesma ideia é vista repetidamente, refletida no próprio diálogo. 'Qual é o seu sonho? O que você pretende fazer no futuro?', perguntam ao nosso protagonista. E, no entanto, ele não sabe como responder, porque, na realidade, nem ele mesmo sabe. Essa era do colapso dos antigos sonhos é justamente o tema principal do filme.
Filmes como 'O Mensageiro' (1986) são raros, em grande parte devido ao seu humor peculiar. Filmes soviéticos com dramas semelhantes ou mesmo histórias parecidas são abundantes, mas geralmente adotam um tom pessimista ou dramático. Aqui, no entanto, um humor original é empregado e, embora o filme possa, em última análise, transmitir uma mensagem de desespero, ela é sempre atenuada por um humor que invariavelmente se origina do nosso protagonista. De fato, o personagem principal usa esse humor absurdo e corrosivo como uma espécie de escudo contra suas próprias inseguranças e medos.
Com a Perestroika, a URSS também se abriu para a música ocidental, que permeou todos os aspectos da vida cotidiana. Em 'O Mensageiro', o papel da música é essencial para que possamos perceber as grandes diferenças que surgiram entre as duas gerações. Por um lado, temos a música que era popular na época, a música eletrônica, que o filme utiliza não apenas quando os jovens protagonistas estão presentes, mas também nos interlúdios entre as cenas.
Muitos dos temas principais eram, na verdade, versões criadas especificamente para o filme, baseadas em canções populares da época. Por outro lado, temos música tradicional, que aparece apenas em uma cena: aquela em que o pai pede a Katya que cante uma canção tradicional ('Solobey, o Rouxinol', uma canção clássica composta por Alexander Aliyaviev em 1851), mas ela se recusa. Nenhuma explicação adicional sobre o significado dessa sequência é necessária, pois ela se explica por si só. Além disso, 'O Mensageiro' inclui canções de rock que começavam a surgir naquela época. Entre outros grupos, Akbarium e Zemlyane estão presentes".
Em termos de prêmios, "O Mensageiro" ganhou o Prêmio do Júri Infantil e o Prêmio do Comitê Central da Liga da Juventude Comunista da Geórgia "por uma solução fascinante e espirituosa para o tema complexo da formação da personalidade de um jovem" no 20º Festival de Cinema de Toda a União em Tbilisi. Ele também ganhou o Prêmio Especial do Júri na competição de longas-metragens no 15º Festival Internacional de Cinema de Moscou e foi indicado ao Prêmio Nika de Melhor Trilha Sonora (compositor Eduard Artemyev).
O que disse a crítica 1: Felipe B. Brida do site DVD Magazine gostou. Disse "'O Mensageiro' é, talvez, o melhor dos trabalhos desse diretor, pontual, e de certa forma, atual, pois trata de uma geração de jovens desiludidos no novo mundo em transformação. (...) No trânsito dessas relações, o diretor discute o fim da Era Gorbachev, mostrando uma sociedade à deriva, sem perspectivas, que presenciava o Socialismo ruir, em meio a uma crise política, social e econômica (o filme é de 1986, estamos falando de anos antes da queda do muro de Berlim e da dissociação da URSS). Há um grau de melancolia no trato da história, reforçado pela bonita fotografia escura e de ambientes internos (casas, escritório), do mestre russo Nikolay Nemolyaev, além de uma trilha sonora eletrônica bem modernosa, assinada por Eduard Artemyev (compositor de trilhas de Andrei Tarkovsky, como 'Solaris' e 'Stalker')".
O que disse a crítica 2: Guillermo Sánchez Ferrer do site Cinema Gavia deu 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: "Uma obra atemporal que deveria ser vista obrigatoriamente por todos os amantes do cinema não convencional. Mesmo como um artefato arqueológico de uma era passada, possui um valor inegável".
O que eu achei: Trata-se de um filme soviético de comédia baseado em um roteiro de Alexander Borodyansky e no conto homônimo do próprio diretor Shakhnazarov. Apesar do filme ser de 1986, a trama gira em torno dos problemas da juventude da era Perestroika. Embora Mikhail Gorbachev tenha assumido o poder na União Soviética em março de 1985 e iniciado as discussões sobre reformas, foi a partir de 1986 que as medidas concretas de reestruturação econômica (Perestroika) e abertura política/transparência (Glasnost) começaram a ser implementadas. Portanto, 1986 é considerado um ano fundamental no início da aplicação prática dessas políticas que duraram até 1991. A trama começa mostrando o divórcio dos Miroshnikov. Seu filho, Ivan, um jovem de 17 anos recém-formado no ensino médio, mora com a mãe. Desinteressado dos estudos ele é reprovado no vestibular, mas consegue um emprego de office-boy em uma editora. No primeiro dia de trabalho ele é enviado para entregar um manuscrito ao Professor Kuznetsov. É na casa do professor que Ivan conhece a filha dele, Katya, e os dois logo travam uma amizade. Porém o rapaz é extremamente ‘sem noção’, algo que irrita o professor ao mesmo tempo que encanta sua filha. Para representar essa abertura ocorrida na época, são mostradas muitas cenas com a juventude soviética consumindo filmes americanos, perfumes franceses, ouvindo bandas não tradicionais e dançando breakdance, que ganhou popularidade no país. Entretanto, apesar de servir como um retrato de época, o filme não é tão agradável de assistir. A proposta de comédia simplesmente não funciona: o humor é irregular, muitas vezes baseado em situações constrangedoras ou no comportamento errático do protagonista, talvez mais compreensível para o público local. Ivan rapidamente passa a soar apenas como irritante, o que compromete o envolvimento com a narrativa. A condução do roteiro também contribui para essa sensação de frustração. Há momentos que parecem prometer um olhar mais crítico ou sensível sobre aquela juventude em transição, mas essas ideias não se desenvolvem plenamente, ficando dispersas. Mesmo o pano de fundo histórico - que poderia enriquecer a experiência - acaba funcionando mais como uma curiosidade do que como um elemento realmente integrado ao longa. Finaliza como um filme que deixa a desejar, uma comédia que não faz rir nem chorar, um retrato geracional que não emociona, resultando em uma experiência bastante morna.
Guillermo Sánchez Ferrer do site Cinema Gavia publicou: "'O Mensageiro' (1986) é um filme do aclamado diretor Karen Shakhnazarov, que retratou como nenhum outro a atitude da juventude em relação às reformas soviéticas que ocorreram durante o período da Perestroika. O filme foi um enorme sucesso de bilheteria (tornando-se o sexto filme de maior bilheteria na URSS naquele ano) e um sucesso de crítica. (...)
O ator principal de 'O Mensageiro', Fyodor Dunayevsky, compartilha parte da história por trás do enredo do filme. Assim como o personagem que interpreta, seus pais se divorciaram quando ele tinha apenas quatorze anos. Ele então trabalhou em um jardim de infância, onde se envolveu em diversas brigas, chegando a enfrentar acusações no tribunal juvenil. Sua entrada no cinema foi puramente por acaso. Sua ex-colega de classe, Anastasiya Nemolyayeva , que originalmente interpretaria a protagonista feminina, Katya, enviou várias fotos de seus colegas para o estúdio para o papel de Ivan. Dunayevsky foi convidado para uma audição e, após ser aprovado, conseguiu o papel principal.
'O Mensageiro' é um retrato que apresenta uma luta geracional. De um lado, está a geração representada pelo personagem principal, Ivan. São os jovens da Perestroika. São os jovens que já não acreditam no socialismo, mas sim no que veem na televisão, agora aberta ao Ocidente (numa cena, os vemos assistindo a filmes de artes marciais). 'O Mensageiro', enquanto obra documental de todo este período, é verdadeiramente excecional.
O diretor nos apresenta todas essas novas influências: música rock (desde a música que está tocando até os pôsteres de bandas que Ivan tem em seu quarto), danças (quase como uma sequência icônica, vemos vários jovens dançando a dança do robô, tão emblemática dos anos oitenta), festas (uma boate aparece diretamente no filme), o próprio idioma... Como eu disse, como um simples documentário, é uma verdadeira maravilha para todos os amantes da cultura eslava e de sua história.
Por outro lado, essa geração entra em conflito com a geração soviética, simbolizada pelo pai de Katya, magistralmente interpretado por Oleg Basilashvili. Esses são os pais que viveram a Segunda Guerra Mundial ou o período pós-guerra. Eles acreditavam que o socialismo triunfaria no mundo todo. Eles sempre tiveram (...) uma vida planejada e, portanto, entram em conflito direto com essa nova geração.
A geração que o pai de Katya representa era a de sonhadores. Eles deram suas vidas pelo socialismo, acreditando que o mundo seria um lugar melhor. O sonho deles era que seus filhos tivessem a vida que lhes fora negada. Eram idealistas. No entanto, a nova geração trazida pela Perestroika não transmitiu esses sonhos às gerações mais jovens. Ou melhor, trouxe sonhos completamente diferentes. Como o filme mostra, os jovens olhavam para os Estados Unidos e para o que viam em Hollywood. Não havia nada além de querer um carro e ser bonito. Apenas superficialidade pela superficialidade. Ou pelo menos essa é a visão do cineasta, e a história acabou por lhe dar razão.
Em 'O Mensageiro', essa mesma ideia é vista repetidamente, refletida no próprio diálogo. 'Qual é o seu sonho? O que você pretende fazer no futuro?', perguntam ao nosso protagonista. E, no entanto, ele não sabe como responder, porque, na realidade, nem ele mesmo sabe. Essa era do colapso dos antigos sonhos é justamente o tema principal do filme.
Filmes como 'O Mensageiro' (1986) são raros, em grande parte devido ao seu humor peculiar. Filmes soviéticos com dramas semelhantes ou mesmo histórias parecidas são abundantes, mas geralmente adotam um tom pessimista ou dramático. Aqui, no entanto, um humor original é empregado e, embora o filme possa, em última análise, transmitir uma mensagem de desespero, ela é sempre atenuada por um humor que invariavelmente se origina do nosso protagonista. De fato, o personagem principal usa esse humor absurdo e corrosivo como uma espécie de escudo contra suas próprias inseguranças e medos.
Com a Perestroika, a URSS também se abriu para a música ocidental, que permeou todos os aspectos da vida cotidiana. Em 'O Mensageiro', o papel da música é essencial para que possamos perceber as grandes diferenças que surgiram entre as duas gerações. Por um lado, temos a música que era popular na época, a música eletrônica, que o filme utiliza não apenas quando os jovens protagonistas estão presentes, mas também nos interlúdios entre as cenas.
Muitos dos temas principais eram, na verdade, versões criadas especificamente para o filme, baseadas em canções populares da época. Por outro lado, temos música tradicional, que aparece apenas em uma cena: aquela em que o pai pede a Katya que cante uma canção tradicional ('Solobey, o Rouxinol', uma canção clássica composta por Alexander Aliyaviev em 1851), mas ela se recusa. Nenhuma explicação adicional sobre o significado dessa sequência é necessária, pois ela se explica por si só. Além disso, 'O Mensageiro' inclui canções de rock que começavam a surgir naquela época. Entre outros grupos, Akbarium e Zemlyane estão presentes".
Em termos de prêmios, "O Mensageiro" ganhou o Prêmio do Júri Infantil e o Prêmio do Comitê Central da Liga da Juventude Comunista da Geórgia "por uma solução fascinante e espirituosa para o tema complexo da formação da personalidade de um jovem" no 20º Festival de Cinema de Toda a União em Tbilisi. Ele também ganhou o Prêmio Especial do Júri na competição de longas-metragens no 15º Festival Internacional de Cinema de Moscou e foi indicado ao Prêmio Nika de Melhor Trilha Sonora (compositor Eduard Artemyev).
O que disse a crítica 1: Felipe B. Brida do site DVD Magazine gostou. Disse "'O Mensageiro' é, talvez, o melhor dos trabalhos desse diretor, pontual, e de certa forma, atual, pois trata de uma geração de jovens desiludidos no novo mundo em transformação. (...) No trânsito dessas relações, o diretor discute o fim da Era Gorbachev, mostrando uma sociedade à deriva, sem perspectivas, que presenciava o Socialismo ruir, em meio a uma crise política, social e econômica (o filme é de 1986, estamos falando de anos antes da queda do muro de Berlim e da dissociação da URSS). Há um grau de melancolia no trato da história, reforçado pela bonita fotografia escura e de ambientes internos (casas, escritório), do mestre russo Nikolay Nemolyaev, além de uma trilha sonora eletrônica bem modernosa, assinada por Eduard Artemyev (compositor de trilhas de Andrei Tarkovsky, como 'Solaris' e 'Stalker')".
O que disse a crítica 2: Guillermo Sánchez Ferrer do site Cinema Gavia deu 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: "Uma obra atemporal que deveria ser vista obrigatoriamente por todos os amantes do cinema não convencional. Mesmo como um artefato arqueológico de uma era passada, possui um valor inegável".
O que eu achei: Trata-se de um filme soviético de comédia baseado em um roteiro de Alexander Borodyansky e no conto homônimo do próprio diretor Shakhnazarov. Apesar do filme ser de 1986, a trama gira em torno dos problemas da juventude da era Perestroika. Embora Mikhail Gorbachev tenha assumido o poder na União Soviética em março de 1985 e iniciado as discussões sobre reformas, foi a partir de 1986 que as medidas concretas de reestruturação econômica (Perestroika) e abertura política/transparência (Glasnost) começaram a ser implementadas. Portanto, 1986 é considerado um ano fundamental no início da aplicação prática dessas políticas que duraram até 1991. A trama começa mostrando o divórcio dos Miroshnikov. Seu filho, Ivan, um jovem de 17 anos recém-formado no ensino médio, mora com a mãe. Desinteressado dos estudos ele é reprovado no vestibular, mas consegue um emprego de office-boy em uma editora. No primeiro dia de trabalho ele é enviado para entregar um manuscrito ao Professor Kuznetsov. É na casa do professor que Ivan conhece a filha dele, Katya, e os dois logo travam uma amizade. Porém o rapaz é extremamente ‘sem noção’, algo que irrita o professor ao mesmo tempo que encanta sua filha. Para representar essa abertura ocorrida na época, são mostradas muitas cenas com a juventude soviética consumindo filmes americanos, perfumes franceses, ouvindo bandas não tradicionais e dançando breakdance, que ganhou popularidade no país. Entretanto, apesar de servir como um retrato de época, o filme não é tão agradável de assistir. A proposta de comédia simplesmente não funciona: o humor é irregular, muitas vezes baseado em situações constrangedoras ou no comportamento errático do protagonista, talvez mais compreensível para o público local. Ivan rapidamente passa a soar apenas como irritante, o que compromete o envolvimento com a narrativa. A condução do roteiro também contribui para essa sensação de frustração. Há momentos que parecem prometer um olhar mais crítico ou sensível sobre aquela juventude em transição, mas essas ideias não se desenvolvem plenamente, ficando dispersas. Mesmo o pano de fundo histórico - que poderia enriquecer a experiência - acaba funcionando mais como uma curiosidade do que como um elemento realmente integrado ao longa. Finaliza como um filme que deixa a desejar, uma comédia que não faz rir nem chorar, um retrato geracional que não emociona, resultando em uma experiência bastante morna.