27.4.26

"Los Angeles, Cidade Proibida" – Curtis Hanson (1997)

Sinopse:
 
Ao investigar um caso de múltiplos homicídios ocorridos no Café Nite Owl, os detetives Ed Exley (Guy Pearce) e Bud White (Russell Crowe) acabam desvendando um lucrativo esquema de prostituição de luxo, envolvendo figurões de Hollywood e o departamento de polícia de Los Angeles.
Comentário: Trata-se do filme número 83 da lista dos 100 essenciais elaborada pela Revista Bravo! em 2007. A matéria diz: “Um detetive de moral duvidosa (Kevin Spacey), sempre disposto a vender informações a quem pagar mais. Outro, de atributos físicos avantajados (Russell Crowe), está habituado a conseguir informações por meio da violência. Um terceiro policial (Guy Pearce) é o oposto: honesto e idealista. Há ainda uma loira estonteante, fatal e misteriosa (Kim Basinger). Quatro pontas que sustentam uma trama repleta de reviravoltas e detalhes obscuros elucidados apenas no final, embalada por trilha sonora do cancioneiro norte-americano. Parece até um daqueles noir do cinema clássico americano estrelados por Humphrey Bogart, mas 'Los Angeles, Cidade Proibida' é de 1997. Dirigido por Curtis Hanson e inspirado em romance homônimo de James Ellroy, autor também de 'Dália Negra' (base para o longa de Brian De Palma) e papa da literatura policial contemporânea, o filme chamou a atenção por seu gostinho de naftalina e por lembrar aos cinéfilos que Hollywood já foi espaço para tramas inteligentes e imprevisíveis, diálogos espirituosos e grandes atuações, mais do que efeitos especiais mirabolantes. Destaque para o roteiro, para a reconstrução dos cenários e da atmosfera da década de 1950 e para o choque provocado pelos temperamentos distintos dos três policiais, cada um com a sua maneira de resolver os problemas. 'Los Angeles, Cidade Proibida' foi indicado a nove Oscar em 1998. Ganhou apenas os de Roteiro Adaptado e de Atriz Coadjuvante (para Basinger, que levou o Globo de Ouro na mesma categoria). Havia, naquele ano, um fenômeno chamado 'Titanic'".
O que eu achei: Prosseguindo na minha saga de ver todos os 100 filmes listados como essenciais pela Revista Bravo! em 2007, desta vez assisti "Los Angeles, Cidade Proibida" (1997). O longa resgata o espírito dos grandes clássicos hollywoodianos e o atualiza com a energia e o ritmo do cinema dos anos 1990. Ambientada na Los Angeles dos anos 1950, a trama mergulha no submundo do crime organizado, onde mafiosos e seus capangas controlam a distribuição de heroína e outras drogas ilícitas, enquanto a alta sociedade consome esse luxo proibido em festas regadas a dinheiro, poder e prostituição. É um universo onde tudo se mistura: política, polícia, mídia e crime. O grande trunfo do filme está justamente na construção de seus personagens. Entre os policiais, há de tudo: o idealista que tenta seguir as regras, o ambicioso que vende informações para ganhar notoriedade, o truculento que resolve tudo na base da violência e até figuras da alta cúpula, aparentemente irrepreensíveis, mas profundamente corrompidas, trabalhando lado a lado com o crime. Essa variedade cria um mosaico moral complexo e extremamente interessante. Ao terminar não pude deixar de ver no longa uma mistura de dois temas muito atuais: o Rio de Janeiro com o domínio do tráfico de drogas envolvendo políticos e polícia e o caso Jeffrey Epstein. Então apesar do filme ser antigo, ele é bastante elucidativo para saber como as coisas funcionam. O elenco contribui decisivamente para o impacto do filme, com destaques para Russell Crowe, Guy Pearce e Kevin Spacey, que dão vida a personagens distintos, mas igualmente marcantes. Kim Basinger também está ótima na pele de uma prostituta de luxo. O resultado é um filme envolvente, daqueles gostosos de assistir, que combina investigação policial, drama e crítica social com enorme habilidade. O diretor Curtis Hanson conduz a narrativa com precisão, equilibrando as múltiplas histórias sem perder o ritmo. A atmosfera noir, a reconstituição de época e o roteiro bem amarrado tornam a experiência ainda mais rica. No fim, “Los Angeles, Cidade Proibida” é um ótimo filme justamente por conseguir unir entretenimento e complexidade com temas bem atuais. Exige atenção absoluta para acompanhar a trama cheia de reviravoltas e personagens ambíguos, mas vale pelo resultado que mostra com competência uma sociedade onde aparência e corrupção caminham lado a lado.