
Comentário: Neeraj Ghaywan (1980) é um diretor e roteirista de cinema indiano que trabalha em filmes de Bollywood. A palavra Bollywood vem da junção das palavras Bombaim (antigo nome de Mumbai) e Hollywood e se refere à indústria cinematográfica indiana não como um todo, mas à indústria que produz filmes em língua hindi. Ghaywan construiu um trabalho no cinema e em séries para streaming, frequentemente centrando suas narrativas em questões de casta, classe, gênero e identidade. Dirigiu curtas-metragens como “Noise” (2011), “The Epiphany” (2013) e “Juice” (2017) e o longa “Crematório” (2015), vencedor do prêmio da crítica na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes. “Homebound” é seu segundo longa e o primeiro filme que vejo dele.
Isadora Wandermurem da Time nos conta que o filme "é inspirado em um ensaio de 2020 do The New York Times escrito pelo jornalista e editor colaborador da Time, Basharat Peer, que capturou um momento marcante durante o lockdown da COVID-19 na Índia. O artigo narra a história de dois amigos de infância, Mohammad Saiyub e Amrit Kumar, cuja jornada de volta para a vila de Devari se tornou viral depois que uma fotografia capturou um amigo segurando o outro, febril e desidratado, à beira de uma estrada.
Estrelado por Ishaan Khatter, Vishal Jethwa e Janhvi Kapoor, 'Homebound' acompanha Shoaib (Ishaan Khatter) e Chandan (Vishal Jethwa) em sua busca por um emprego na polícia que promete dignidade, apenas para se depararem com a brutal realidade sociopolítica da Índia durante o lockdown de 2020. Shoaib, um muçulmano, é inspirado em Mohammad Saiyub, enquanto Chandan, um dalit, é baseado em Amrit Kumar. Em um país com crescente islamofobia e onde a discriminação de castas é oficialmente proibida, mas o estigma persiste, a amizade entre os dois destaca a interseção de divisões sociais, lealdade e resiliência".
Na história real "Mohammad Saiyub, um muçulmano de 22 anos, e Amrit Kumar, um dalit de 24 anos, cresceram juntos na pequena vila de Devari, em Basti, Uttar Pradesh, enfrentando divisões sociais e religiosas profundamente enraizadas. Apesar dessas barreiras sociais, os dois formaram uma forte amizade desde a infância.
Quando jovens adultos, mudaram-se para Surat, na costa oeste da Índia, para trabalhar em fábricas locais, dividindo um quarto alugado enquanto mantinham empregos separados. O objetivo era juntar dinheiro para sustentar suas famílias em Devari, na Índia. Mas, com a chegada da COVID-19 e o lockdown nacional imposto pelo governo em 2020, as fábricas fecharam e os empregos desapareceram, deixando os amigos com economias cada vez menores e sem perspectivas claras de como voltar para casa.
Tentando voltar para casa, Saiyub e Kumar inicialmente tentaram conseguir lugares em trens especiais administrados pelo governo para trabalhadores migrantes, mas depois de semanas sem sucesso, recorreram a um caminhão que transportava trabalhadores para o norte, em direção a Uttar Pradesh. Eles combinaram de pagar ao motorista 4.000 rúpias indianas cada um - aproximadamente US$ 53 na época e cerca de US$ 45 hoje.
A dupla caminhou cerca de 24 quilômetros ao lado de outros 60 trabalhadores para chegar a um local isolado na rodovia, onde o caminhão os aguardava. Uma vez a bordo, eles suportaram a longa e desconfortável viagem em um espaço apertado, semelhante a uma sacada, acima da cabine do motorista.
No dia seguinte, Kumar apresentou febre alta e começou a tremer. Os outros passageiros, temendo uma infecção por COVID-19, insistiram para que ele saísse do caminhão. Saiyub se recusou a abandonar o amigo e o ajudou a descer sob o calor do meio-dia. Eles esperaram em uma pequena clareira à beira da estrada, onde um político local chegou para fornecer comida e água. Saiyub permaneceu ao lado de Kumar, tentando refrescá-lo e mantê-lo consciente enquanto seu estado piorava.
Uma ambulância os transportou para um hospital local em Kolaras. Naquele momento, eles ainda estavam a mais de 500 quilômetros de sua aldeia em Devari. Os médicos suspeitaram inicialmente de insolação e hipoglicemia e iniciaram a terapia de reidratação oral para estabilizá-lo. Como o estado de Kumar piorou, ele foi transferido para um hospital melhor equipado em Shivpuri, onde foi internado na unidade de terapia intensiva com desidratação grave. Saiyub foi colocado em uma ala de quarentena enquanto aguardava o resultado do teste de COVID-19, permanecendo ansiosamente ciente da condição crítica de seu amigo e preocupado com o impacto na família de Kumar.
Em 15 de maio de 2020, uma fotografia - tirada antes da chegada da ambulância - capturou um momento comovente em uma rodovia no centro da Índia: Mohammad Saiyub embalando seu amigo Amrit Kumar no colo, febril, desidratado e quase inconsciente. Ao lado deles, uma garrafa de água pela metade e uma sacola vermelha, enquanto o sol castigava a clareira.
A imagem se espalhou rapidamente pelas redes sociais indianas, tornando-se um poderoso símbolo de amizade inabalável, vulnerabilidade humana e o impacto invisível do lockdown da COVID-19 sobre os trabalhadores migrantes. Ela imortalizou não apenas um momento trágico, mas a luta mais ampla de inúmeros trabalhadores que enfrentam jornadas exaustivas para voltar para casa em meio à pandemia.
Em 16 de maio de 2020, uma enfermeira confirmou o pior medo de Saiyub: Amrit havia falecido devido à desidratação severa. Ambos os amigos testaram negativo para COVID-19, demonstrando que as circunstâncias fatais se deviam às duras condições da viagem, e não ao vírus. Saiyub então enfrentou o desafio de trazer o corpo de Amrit para casa em meio às rígidas regras de confinamento. Inicialmente, as autoridades governamentais impediram o pai de Amrit de viajar, e Saiyub teve que lidar com a burocracia, rezando por um resultado negativo para COVID para que pudesse levar seu amigo de volta para Devari em segurança.
Após receber a confirmação de que ambos os testes deram negativo, Saiyub transportou o corpo de Amrit para a aldeia. Ele foi enterrado no cemitério Dalit local, sob um simples monte de terra.
A morte de Amrit deixou um impacto duradouro em sua família, que dependia de sua renda e apoio. Suas modestas contribuições, incluindo uma pequena casa de tijolos, ressaltaram seu papel na sustentação de suas vidas. Saiyub retornou a Devari com seus pais, enfrentando incertezas econômicas enquanto lamentava a perda de seu amigo de longa data. O ensaio de Peer enquadrou a história deles no contexto mais amplo das lutas dos trabalhadores migrantes da Índia, destacando as vulnerabilidades de casta, classe e sociais reveladas durante a pandemia".
Apesar de "Homebound" se inspirar no ensaio publicado pelo jornalista caxemiri Basharat Peer, os eventos descritos no artigo formaram apenas o clímax do filme, já que o diretor, com a orientação do produtor executivo Martin Scorsese, encontrou na história real de Mohammad Saiyub e Amrit Kumar apenas a essência para desenvolver uma história completamente original.
O que disse a crítica 1: Isaac Jackson do site The Indiependent avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom Disse: " Não é difícil perceber que Ghaywan se inspirou em eventos reais, visto que a narrativa é tão solta e sinuosa quanto admiravelmente verossímil. Há alguns momentos em que as mais de duas horas de duração se arrastam, então é uma sorte que Ghaywan tenha um trunfo dramático na manga para usar nos momentos finais do filme. Precisão biográfica à parte, é um feito narrativo que, em mãos menos talentosas, poderia soar histriônico, mas aqui consegue tocar uma fibra emocional genuína: graças principalmente a Khatter [que interpreta Shoaib], um ator promissor com o talento de um veterano consagrado".
O que disse a crítica 2: Renuka Vyavahare do site Times of India avaliou com 5 estrelas, ou seja, obra-prima. Escreveu: "As atuações são excepcionais. Ishaan Khatter entrega uma performance que define sua carreira - precisa, magnética e madura. Com uma presença marcante em cena e uma sabedoria que vai além da sua idade, ele consolida seu lugar entre os melhores atores de sua geração. Vishal Jethwa é igualmente cativante - cru, honesto e uma verdadeira revelação. É revigorante vê-lo incorporar Chandan com tanta contenção e profundidade. Shalini Vatsa, como a mãe de Chandan, deixa uma impressão duradoura com sua graça discreta. Janhvi Kapoor é sincera em sua breve aparição. 'Homebound' levanta muitas questões. Como chegamos a este ponto? O que nos tornou tão desprovidos de empatia e compaixão? Uma observação comovente de um mundo que se torna cada vez mais frio, este é um filme de altíssima qualidade".
O que eu achei: Vi “Homebound” (2025) movida pela curiosidade dele ter sido pré-selecionado como representante da Índia ao Oscar de Filme Internacional, mas a expectativa de encontrar um drama potente acabou dando lugar a uma experiência bem inferior. Inspirado em um ensaio do jornalista Basharat Peer e numa fotografia que viralizou durante o lockdown da COVID-19, o filme parte de um episódio real ocorrido na Índia: a história de dois amigos de infância que tentavam conseguir um cargo na polícia que lhes promete a dignidade negada por muito tempo por conta de sua casta, mas que acabam tendo seus planos frustrados pela chegada da pandemia. Os acontecimentos retratados no artigo aparecem apenas como clímax, enquanto o restante da narrativa segue por caminhos ficcionais que pouco acrescentam em originalidade. A fotografia é belíssima. Ela captura com sensibilidade tanto a vastidão das paisagens quanto a vulnerabilidade dos personagens. Entretanto esses momentos visualmente impactantes sugerem um filme mais profundo do que ele de fato é, já que essa potência estética não encontra equivalente no roteiro. O problema central está no tom excessivamente melodramático. “Homebound” recorre a soluções fáceis, carregando nas emoções de forma previsível, o que enfraquece o impacto da história real que o inspirou. Em vez de explorar as nuances humanas de uma crise tão complexa, o filme opta por uma abordagem simplificada, novelesca, quase didática. O resultado é um longa correto, acessível, mas sem o peso ou a densidade que se espera de um representante ao Oscar. Está mais para um forte candidato a passar na Sessão da Tarde, daqueles com uma trilha sonora apelativa.
Isadora Wandermurem da Time nos conta que o filme "é inspirado em um ensaio de 2020 do The New York Times escrito pelo jornalista e editor colaborador da Time, Basharat Peer, que capturou um momento marcante durante o lockdown da COVID-19 na Índia. O artigo narra a história de dois amigos de infância, Mohammad Saiyub e Amrit Kumar, cuja jornada de volta para a vila de Devari se tornou viral depois que uma fotografia capturou um amigo segurando o outro, febril e desidratado, à beira de uma estrada.
Estrelado por Ishaan Khatter, Vishal Jethwa e Janhvi Kapoor, 'Homebound' acompanha Shoaib (Ishaan Khatter) e Chandan (Vishal Jethwa) em sua busca por um emprego na polícia que promete dignidade, apenas para se depararem com a brutal realidade sociopolítica da Índia durante o lockdown de 2020. Shoaib, um muçulmano, é inspirado em Mohammad Saiyub, enquanto Chandan, um dalit, é baseado em Amrit Kumar. Em um país com crescente islamofobia e onde a discriminação de castas é oficialmente proibida, mas o estigma persiste, a amizade entre os dois destaca a interseção de divisões sociais, lealdade e resiliência".
Na história real "Mohammad Saiyub, um muçulmano de 22 anos, e Amrit Kumar, um dalit de 24 anos, cresceram juntos na pequena vila de Devari, em Basti, Uttar Pradesh, enfrentando divisões sociais e religiosas profundamente enraizadas. Apesar dessas barreiras sociais, os dois formaram uma forte amizade desde a infância.
Quando jovens adultos, mudaram-se para Surat, na costa oeste da Índia, para trabalhar em fábricas locais, dividindo um quarto alugado enquanto mantinham empregos separados. O objetivo era juntar dinheiro para sustentar suas famílias em Devari, na Índia. Mas, com a chegada da COVID-19 e o lockdown nacional imposto pelo governo em 2020, as fábricas fecharam e os empregos desapareceram, deixando os amigos com economias cada vez menores e sem perspectivas claras de como voltar para casa.
Tentando voltar para casa, Saiyub e Kumar inicialmente tentaram conseguir lugares em trens especiais administrados pelo governo para trabalhadores migrantes, mas depois de semanas sem sucesso, recorreram a um caminhão que transportava trabalhadores para o norte, em direção a Uttar Pradesh. Eles combinaram de pagar ao motorista 4.000 rúpias indianas cada um - aproximadamente US$ 53 na época e cerca de US$ 45 hoje.
A dupla caminhou cerca de 24 quilômetros ao lado de outros 60 trabalhadores para chegar a um local isolado na rodovia, onde o caminhão os aguardava. Uma vez a bordo, eles suportaram a longa e desconfortável viagem em um espaço apertado, semelhante a uma sacada, acima da cabine do motorista.
No dia seguinte, Kumar apresentou febre alta e começou a tremer. Os outros passageiros, temendo uma infecção por COVID-19, insistiram para que ele saísse do caminhão. Saiyub se recusou a abandonar o amigo e o ajudou a descer sob o calor do meio-dia. Eles esperaram em uma pequena clareira à beira da estrada, onde um político local chegou para fornecer comida e água. Saiyub permaneceu ao lado de Kumar, tentando refrescá-lo e mantê-lo consciente enquanto seu estado piorava.
Uma ambulância os transportou para um hospital local em Kolaras. Naquele momento, eles ainda estavam a mais de 500 quilômetros de sua aldeia em Devari. Os médicos suspeitaram inicialmente de insolação e hipoglicemia e iniciaram a terapia de reidratação oral para estabilizá-lo. Como o estado de Kumar piorou, ele foi transferido para um hospital melhor equipado em Shivpuri, onde foi internado na unidade de terapia intensiva com desidratação grave. Saiyub foi colocado em uma ala de quarentena enquanto aguardava o resultado do teste de COVID-19, permanecendo ansiosamente ciente da condição crítica de seu amigo e preocupado com o impacto na família de Kumar.
Em 15 de maio de 2020, uma fotografia - tirada antes da chegada da ambulância - capturou um momento comovente em uma rodovia no centro da Índia: Mohammad Saiyub embalando seu amigo Amrit Kumar no colo, febril, desidratado e quase inconsciente. Ao lado deles, uma garrafa de água pela metade e uma sacola vermelha, enquanto o sol castigava a clareira.
A imagem se espalhou rapidamente pelas redes sociais indianas, tornando-se um poderoso símbolo de amizade inabalável, vulnerabilidade humana e o impacto invisível do lockdown da COVID-19 sobre os trabalhadores migrantes. Ela imortalizou não apenas um momento trágico, mas a luta mais ampla de inúmeros trabalhadores que enfrentam jornadas exaustivas para voltar para casa em meio à pandemia.
Em 16 de maio de 2020, uma enfermeira confirmou o pior medo de Saiyub: Amrit havia falecido devido à desidratação severa. Ambos os amigos testaram negativo para COVID-19, demonstrando que as circunstâncias fatais se deviam às duras condições da viagem, e não ao vírus. Saiyub então enfrentou o desafio de trazer o corpo de Amrit para casa em meio às rígidas regras de confinamento. Inicialmente, as autoridades governamentais impediram o pai de Amrit de viajar, e Saiyub teve que lidar com a burocracia, rezando por um resultado negativo para COVID para que pudesse levar seu amigo de volta para Devari em segurança.
Após receber a confirmação de que ambos os testes deram negativo, Saiyub transportou o corpo de Amrit para a aldeia. Ele foi enterrado no cemitério Dalit local, sob um simples monte de terra.
A morte de Amrit deixou um impacto duradouro em sua família, que dependia de sua renda e apoio. Suas modestas contribuições, incluindo uma pequena casa de tijolos, ressaltaram seu papel na sustentação de suas vidas. Saiyub retornou a Devari com seus pais, enfrentando incertezas econômicas enquanto lamentava a perda de seu amigo de longa data. O ensaio de Peer enquadrou a história deles no contexto mais amplo das lutas dos trabalhadores migrantes da Índia, destacando as vulnerabilidades de casta, classe e sociais reveladas durante a pandemia".
Apesar de "Homebound" se inspirar no ensaio publicado pelo jornalista caxemiri Basharat Peer, os eventos descritos no artigo formaram apenas o clímax do filme, já que o diretor, com a orientação do produtor executivo Martin Scorsese, encontrou na história real de Mohammad Saiyub e Amrit Kumar apenas a essência para desenvolver uma história completamente original.
O que disse a crítica 1: Isaac Jackson do site The Indiependent avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom Disse: " Não é difícil perceber que Ghaywan se inspirou em eventos reais, visto que a narrativa é tão solta e sinuosa quanto admiravelmente verossímil. Há alguns momentos em que as mais de duas horas de duração se arrastam, então é uma sorte que Ghaywan tenha um trunfo dramático na manga para usar nos momentos finais do filme. Precisão biográfica à parte, é um feito narrativo que, em mãos menos talentosas, poderia soar histriônico, mas aqui consegue tocar uma fibra emocional genuína: graças principalmente a Khatter [que interpreta Shoaib], um ator promissor com o talento de um veterano consagrado".
O que disse a crítica 2: Renuka Vyavahare do site Times of India avaliou com 5 estrelas, ou seja, obra-prima. Escreveu: "As atuações são excepcionais. Ishaan Khatter entrega uma performance que define sua carreira - precisa, magnética e madura. Com uma presença marcante em cena e uma sabedoria que vai além da sua idade, ele consolida seu lugar entre os melhores atores de sua geração. Vishal Jethwa é igualmente cativante - cru, honesto e uma verdadeira revelação. É revigorante vê-lo incorporar Chandan com tanta contenção e profundidade. Shalini Vatsa, como a mãe de Chandan, deixa uma impressão duradoura com sua graça discreta. Janhvi Kapoor é sincera em sua breve aparição. 'Homebound' levanta muitas questões. Como chegamos a este ponto? O que nos tornou tão desprovidos de empatia e compaixão? Uma observação comovente de um mundo que se torna cada vez mais frio, este é um filme de altíssima qualidade".
O que eu achei: Vi “Homebound” (2025) movida pela curiosidade dele ter sido pré-selecionado como representante da Índia ao Oscar de Filme Internacional, mas a expectativa de encontrar um drama potente acabou dando lugar a uma experiência bem inferior. Inspirado em um ensaio do jornalista Basharat Peer e numa fotografia que viralizou durante o lockdown da COVID-19, o filme parte de um episódio real ocorrido na Índia: a história de dois amigos de infância que tentavam conseguir um cargo na polícia que lhes promete a dignidade negada por muito tempo por conta de sua casta, mas que acabam tendo seus planos frustrados pela chegada da pandemia. Os acontecimentos retratados no artigo aparecem apenas como clímax, enquanto o restante da narrativa segue por caminhos ficcionais que pouco acrescentam em originalidade. A fotografia é belíssima. Ela captura com sensibilidade tanto a vastidão das paisagens quanto a vulnerabilidade dos personagens. Entretanto esses momentos visualmente impactantes sugerem um filme mais profundo do que ele de fato é, já que essa potência estética não encontra equivalente no roteiro. O problema central está no tom excessivamente melodramático. “Homebound” recorre a soluções fáceis, carregando nas emoções de forma previsível, o que enfraquece o impacto da história real que o inspirou. Em vez de explorar as nuances humanas de uma crise tão complexa, o filme opta por uma abordagem simplificada, novelesca, quase didática. O resultado é um longa correto, acessível, mas sem o peso ou a densidade que se espera de um representante ao Oscar. Está mais para um forte candidato a passar na Sessão da Tarde, daqueles com uma trilha sonora apelativa.