
Comentário: Trata-se do filme número 82 da lista de filmes essenciais elaborada pela Revista Bravo! em 2007. A matéria diz: “A carreira do espanhol Luis Buñuel passou por várias fases distintas – a mexicana, do realismo brutal de 'Os Esquecidos' (1950), a espanhola, de 'Viridiana' (1961), e a francesa, de impiedosas sátiras sobre a burguesia. Nenhuma delas, entretanto, sintetiza tão bem sua obra quanto a surrealista, que compreende os curtas 'Um Cão Andaluz' (1929) e 'A Era do Ouro' (1930). É neles que aparecem as características que levariam o espanhol a ser considerado por Alfred Hitchcock o melhor diretor de todos os tempos: o humor provocador, algo grotesco, e a ironia destilada contra a hipocrisia da igreja católica. 'Um Cão Andaluz', escrito em parceria com o artista plástico Salvador Dalí e inspirado em sonhos dos dois, é o exemplo máximo da adaptação para as telas do movimento criado por André Breton. Não existe uma trama definida conduzindo o filme, apenas mergulhos no inconsciente, uma compilação não-linear de imagens aparentemente desconexas (o próprio diretor dizia que não significavam nada), oníricas, fragmentárias e violentas. Um piano coberto por cavalos mortos, livros que se transformam em revólveres, formigas que cobrem uma mão e, na cena mais famosa, um homem que corta o olho de uma mulher com uma navalha. Reza a lenda que Buñuel (ele, assim como Dalí, faz ponta no filme) tinha tanto medo de ser atacado pela plateia que foi à estreia munido de pedras nos bolsos. Não poderia estar mais equivocado: com 16 minutos de duração, 'Um Cão Andaluz' é considerado por vários críticos o mais importante curta-metragem da história".
O que eu achei: Com apenas 16 minutos de duração, "Um Cão Andaluz" (1928) permanece, quase um século depois, como uma das experiências mais radicais e perturbadoras da história do cinema. Realizado por Luis Buñuel em parceria com Salvador Dalí, o curta não apenas inaugura uma estética surrealista no audiovisual como rompe deliberadamente com qualquer expectativa de narrativa lógica, psicológica ou simbólica. Sua proposta é clara e extrema: rejeitar toda imagem que possa ser explicada racionalmente, abrindo espaço para o fluxo do inconsciente, do sonho e do choque. A célebre cena inicial do olho sendo cortado funciona como manifesto: o filme exige que o espectador abandone a busca por sentido convencional e aceite a experiência sensorial e afetiva do absurdo. Não há personagens estáveis, causalidade ou progressão dramática. O tempo se embaralha, os corpos se fragmentam, os desejos surgem de forma violenta e desconexa. Buñuel ataca frontalmente a moral burguesa, o conforto narrativo e a ideia de cinema como ilustração de histórias compreensíveis. Exibido pela primeira vez em 1929 para a elite artística surrealista de Paris, o curta provocou escândalo e fascínio na mesma medida. Seu impacto foi imediato: mais do que um filme, "Um Cão Andaluz" consolidou o cinema como território legítimo da vanguarda artística, capaz de dialogar de igual para igual com a pintura, a poesia e o pensamento experimental da época. A razão dele figurar entre os 100 filmes essenciais da história do cinema, segundo a Revista Bravo!, está menos em sua forma “agradável” - que ele nunca pretendeu ser - e mais em seu gesto inaugural. Buñuel prova que o cinema pode ser um ato de ruptura, um ataque ao olhar domesticado, um espaço onde o irracional não precisa ser domado. Poucos filmes influenciaram tanto, com tão pouco tempo de projeção.
O que eu achei: Com apenas 16 minutos de duração, "Um Cão Andaluz" (1928) permanece, quase um século depois, como uma das experiências mais radicais e perturbadoras da história do cinema. Realizado por Luis Buñuel em parceria com Salvador Dalí, o curta não apenas inaugura uma estética surrealista no audiovisual como rompe deliberadamente com qualquer expectativa de narrativa lógica, psicológica ou simbólica. Sua proposta é clara e extrema: rejeitar toda imagem que possa ser explicada racionalmente, abrindo espaço para o fluxo do inconsciente, do sonho e do choque. A célebre cena inicial do olho sendo cortado funciona como manifesto: o filme exige que o espectador abandone a busca por sentido convencional e aceite a experiência sensorial e afetiva do absurdo. Não há personagens estáveis, causalidade ou progressão dramática. O tempo se embaralha, os corpos se fragmentam, os desejos surgem de forma violenta e desconexa. Buñuel ataca frontalmente a moral burguesa, o conforto narrativo e a ideia de cinema como ilustração de histórias compreensíveis. Exibido pela primeira vez em 1929 para a elite artística surrealista de Paris, o curta provocou escândalo e fascínio na mesma medida. Seu impacto foi imediato: mais do que um filme, "Um Cão Andaluz" consolidou o cinema como território legítimo da vanguarda artística, capaz de dialogar de igual para igual com a pintura, a poesia e o pensamento experimental da época. A razão dele figurar entre os 100 filmes essenciais da história do cinema, segundo a Revista Bravo!, está menos em sua forma “agradável” - que ele nunca pretendeu ser - e mais em seu gesto inaugural. Buñuel prova que o cinema pode ser um ato de ruptura, um ataque ao olhar domesticado, um espaço onde o irracional não precisa ser domado. Poucos filmes influenciaram tanto, com tão pouco tempo de projeção.