
Comentário: Andrea Arnold (1961) é uma cineasta, atriz e apresentadora de TV francesa. Ela ganhou um Oscar pelo seu curta-metragem "Wasp" (2003). Seus longas-metragens "Marcas da Vida" (2006), "Aquário" (2009) e "American Honey" (2016) são todos vencedores do Prêmio do Júri no Festival de Cannes. É dela também o documentário "Cow" (2021). "Bird" (2024) é o primeiro filme que vejo dela.
Domi Valansi do site Festival do Rio nos diz: " Como sentir um sopro de liberdade em meio ao caos cotidiano? No caloroso e sensível 'Bird', escrito e dirigido pela premiada Andrea Arnold, (...) acompanhamos a vida de Bailey (Nikia Adams), uma menina de 12 anos que leva uma vida dura em Gravesend, uma das áreas mais carentes do Reino Unido, com poucas perspectivas de futuro.
Ela vive com seu irmão Hunter (Jason Buda) e seu jovem pai Bug (Barry Kheogan), que não tem muito tempo para se dedicar aos filhos, em uma ocupação. Em paralelo, ela visita a mãe alcoólatra com frequência, para cuidar de seus outros irmãos.
A realizadora mais uma vez opta pelo seu estilo realista, com uma câmera íntima que mostra o ponto de vista dos personagens. E é notável como Bailey percebe e interage com o mundo de uma outra maneira, incomum às pessoas ao seu redor. Em contraponto ao urbano, a natureza e os pássaros, manifestam para ela liberdade e leveza. A menina filma pássaros com seu celular e depois projeta as imagens na parede de seu quarto. Em busca de atenção e novas formas de contato, Bailey passa a fazer parte de uma gangue de amigos mais velhos.
A rotina monótona e marcada pela vulnerabilidade então muda quando Bailey conhece Bird (interpretado por Franz Rogowski), um misterioso jovem com sotaque alemão, que lhe aparece como uma espécie de refúgio. Conectados, todas as noites eles sobem no topo do prédio mais alto da cidade para observar o horizonte.
Destaque na 77ª edição do Festival de Cannes, 'Bird' concorreu à Palma de Ouro, à Queer Palm e venceu o Prêmio da Cidadania".
O que disse a crítica 1: Jorge Pereira do site C7nema avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom. Disse: "Entre os personagens Bailey e Bird nasce uma relação de cumplicidade peculiar, que derradeiramente vai fluir numa passagem do típico realismo de Arnold para o realismo mágico que se desenvolveu fortemente nas décadas de 1960 e 1970 na América Latina e tem conquistado adeptos em várias formas de arte, da literatura ao cinema. É (mais uma) agradável surpresa, juntamente com a descoberta de mais uma 'atriz' desconhecida, Nykiya Adams. A jovem, que procura aceitação um pouco por todo o lado - pai, mãe, Bird ou na gangue - é a força motriz do filme de Arnold, sendo acompanhada por Franz Rogowski e Barry Koeghan com precisão, extravagância e humor".
O que disse a crítica 2: Caio Coleti do site Omelete avaliou com 5 estrelas, ou seja, obra-prima. Escreveu: "No fundo, talvez todos os triunfos de 'Bird' tenham a ver com esse construir tão cuidadoso de subjetividades. Nos jovens atores que dirige para entregar performances carismáticas, mas pulsantemente internalizadas em suas emoções mais significativas; na dosagem criteriosa que faz da inclusão de Keoghan e Rogowski, ambos excelentes em suas próprias idiossincrasias, para que eles não distraiam o espectador da concretude plenamente possível daquela história; na escolha da música, que segue sua própria jornada dentro do filme, a caminho de uma abertura emocional, de um diálogo mais direto e relacionável com o público e entre os personagens… nas mãos de Arnold, tudo é calculado e tudo parece absolutamente natural".
Domi Valansi do site Festival do Rio nos diz: " Como sentir um sopro de liberdade em meio ao caos cotidiano? No caloroso e sensível 'Bird', escrito e dirigido pela premiada Andrea Arnold, (...) acompanhamos a vida de Bailey (Nikia Adams), uma menina de 12 anos que leva uma vida dura em Gravesend, uma das áreas mais carentes do Reino Unido, com poucas perspectivas de futuro.
Ela vive com seu irmão Hunter (Jason Buda) e seu jovem pai Bug (Barry Kheogan), que não tem muito tempo para se dedicar aos filhos, em uma ocupação. Em paralelo, ela visita a mãe alcoólatra com frequência, para cuidar de seus outros irmãos.
A realizadora mais uma vez opta pelo seu estilo realista, com uma câmera íntima que mostra o ponto de vista dos personagens. E é notável como Bailey percebe e interage com o mundo de uma outra maneira, incomum às pessoas ao seu redor. Em contraponto ao urbano, a natureza e os pássaros, manifestam para ela liberdade e leveza. A menina filma pássaros com seu celular e depois projeta as imagens na parede de seu quarto. Em busca de atenção e novas formas de contato, Bailey passa a fazer parte de uma gangue de amigos mais velhos.
A rotina monótona e marcada pela vulnerabilidade então muda quando Bailey conhece Bird (interpretado por Franz Rogowski), um misterioso jovem com sotaque alemão, que lhe aparece como uma espécie de refúgio. Conectados, todas as noites eles sobem no topo do prédio mais alto da cidade para observar o horizonte.
Destaque na 77ª edição do Festival de Cannes, 'Bird' concorreu à Palma de Ouro, à Queer Palm e venceu o Prêmio da Cidadania".
O que disse a crítica 1: Jorge Pereira do site C7nema avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom. Disse: "Entre os personagens Bailey e Bird nasce uma relação de cumplicidade peculiar, que derradeiramente vai fluir numa passagem do típico realismo de Arnold para o realismo mágico que se desenvolveu fortemente nas décadas de 1960 e 1970 na América Latina e tem conquistado adeptos em várias formas de arte, da literatura ao cinema. É (mais uma) agradável surpresa, juntamente com a descoberta de mais uma 'atriz' desconhecida, Nykiya Adams. A jovem, que procura aceitação um pouco por todo o lado - pai, mãe, Bird ou na gangue - é a força motriz do filme de Arnold, sendo acompanhada por Franz Rogowski e Barry Koeghan com precisão, extravagância e humor".
O que disse a crítica 2: Caio Coleti do site Omelete avaliou com 5 estrelas, ou seja, obra-prima. Escreveu: "No fundo, talvez todos os triunfos de 'Bird' tenham a ver com esse construir tão cuidadoso de subjetividades. Nos jovens atores que dirige para entregar performances carismáticas, mas pulsantemente internalizadas em suas emoções mais significativas; na dosagem criteriosa que faz da inclusão de Keoghan e Rogowski, ambos excelentes em suas próprias idiossincrasias, para que eles não distraiam o espectador da concretude plenamente possível daquela história; na escolha da música, que segue sua própria jornada dentro do filme, a caminho de uma abertura emocional, de um diálogo mais direto e relacionável com o público e entre os personagens… nas mãos de Arnold, tudo é calculado e tudo parece absolutamente natural".
O que eu achei: Trata-se da minha primeira experiência com o cinema de Andrea Arnold, uma cineasta conhecida pelo olhar sensível focado nas juventudes à margem, nos personagens que crescem em ambientes hostis e aprendem a sobreviver mais pela intuição do que por promessas de futuro. Em "Bird" (2024) vamos acompanhar Bailey, uma menina de 12 anos que vive com o pai, prestes a se casar, e com o meio-irmão. A mãe, alcoólatra, está presa a um relacionamento abusivo. Tudo em sua vida soa alienante exceto seu amor por pássaros, símbolo de liberdade e imaginação. É nesse contexto que surge Bird, um rapaz excêntrico e problemático que procura os próprios pais. Bailey decide ajudá-lo e, a partir daí, a narrativa passa a flertar com um certo realismo mágico. Mesmo com a presença desse elemento fantástico, Arnold constrói a encenação de forma tão orgânica que acreditamos que aquilo pode, de fato, estar acontecendo. A fantasia não rompe o realismo, ela nasce da carência afetiva da protagonista, como uma extensão emocional da sua sobrevivência. Como ambientação, seguindo a tradição do realismo social britânico, o filme usa conjuntos habitacionais degradados como cenário e aposta num estilo naturalista, captando a angústia cotidiana de personagens marcados pela exclusão social no Reino Unido. Nykiya Adams, em sua estreia no cinema, sustenta a protagonista Bailey com uma atuação muito verdadeira, equilibrando fragilidade e força. A trilha sonora também é um destaque, com músicas como “Yellow” (Coldplay) e “The Universal” (Blur), ampliando o impacto emocional das cenas. Ainda que o filme não seja totalmente equilibrado em seu ritmo, "Bird" trata com sensibilidade temas como identidade, pertencimento, a dor de não ser visto e a transição da infância para a vida adulta. É um filme capaz de provocar empatia genuína, que toca em feridas sociais e emocionais importantes, e que encontra na mistura entre realismo e magia uma forma honesta de falar sobre crescer e desejar, mesmo nas condições mais adversas, alçar algum tipo de voo. Boa pedida.