
Comentário: Grigory Chukhray (1921-2001) foi um diretor e roteirista de cinema ucraniano/soviético. Na sua filmografia constam oito longas de ficção e dois documentários. “A Balada do Soldado” (1959) é seu segundo filme e o primeiro filme que vejo dele.
Waldemar Dalenogare nos conta em seu site que "Devido a Guerra Fria, de 1946 até 1963, a União Soviética decidiu não enviar submissões para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Pelas regras da Academia, um filme estrangeiro só poderia ser indicado e premiado com o Oscar após a aprovação do país em que o longa foi realizado. No ano de 1959, os produtores de 'A Balada do Soldado' não conseguiram convencer o comitê cinematográfico da União Soviética a indicar o longa ao Oscar, muito por conta da turbulenta relação entre o presidente americano Dwight D. Eisenhower e Nikita Khrushchev.
A Academia não deixou de perceber a grandiosidade deste filme e lhe indicou ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Caso tivesse recebido nomeação para o Oscar Estrangeiro, 'Balada de Um Soldado' seria um sério candidato para levar o prêmio de 'Através de um Espelho' de Ingmar Bergman, que, para falar a verdade, só venceu esta categoria pois a Academia de Cinema da Itália decidiu submeter 'A Noite' de Michelangelo Antonioni ao invés de "A Doce Vida' de Federico Fellini.
Dirigido por Grigory Chukhray, um veterano soldado da Segunda Guerra Mundial, o longa segue a história de Alexei Skvortsov (Vladimir Ivashov), um jovem soldado que ganha o status de herói de seu batalhão após explodir dois tanques de guerra da Alemanha no front. Ao invés de receber uma promoção e uma condecoração por seu feito heroico, Alexei pede para o general encarregado de sua região apenas alguns dias de folga para poder consertar o telhado de sua mãe, destruído em um ataque aéreo. Boa parte do filme se passa dentro de um vagão de trem, onde acontece a tal balada do soldado. Ao atravessar a Rússia, ele vê fome e doenças. Sem perspectiva para o fim do confronto, ele faz amizade com Shura (Zhanna Prokhorenko), uma mulher que diz estar a caminho do hospital onde seu [noivo] está internado.
Apesar do filme mostrar uma história da Segunda Guerra Mundial com teor melodramático (fechando com a proposta do cinema soviético da época), o diretor deu muita atenção a construção de seu personagem protagonista, explorando sua coragem e seus medos. O jovem é representado como apenas uma das milhares vidas perdidas na guerra. Ele poderia ser um engenheiro, um médico, mas preferiu defender sua pátria e morrer por ela. Esta mensagem, com certo teor de propaganda, garantiu recursos para o diretor financiar seu projeto".
O longa, além de concorrer ao Oscar de Melhor Roteiro Original, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e ganhou o BAFTA de Melhor Filme.
O que disse a crítica 1: Eduardo Kaneco do site Leitura Fílmica avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Disse: "'A Balada de um Soldado' é um filme que provoca reflexões sobre os efeitos da guerra sobre a pureza da juventude, bem como sobre o vazio das mães que veem suas crianças partirem. A trama ganha uma embalagem fácil de alcançar o público, não só da então União Soviética, como de todo o mundo. Afinal, seu cinema clássico é o mesmo praticado por Hollywood".
O que disse a crítica 2: Rubens Ewald Filho também avaliou com 4 estrelas. Escreveu: Um belo romance, muito bem fotografado e narrado (menos demagógico de que outros filmes contemporâneos, só é preciso suportar um discurso final sobre o heroísmo do soldado russo), com o casal romântico certo. Mas a ênfase está na volta ao lar para ver a mãe. (...) Bastante irônico, humano, e até com senso de humor, foi indicado ao Oscar de Roteiro Original e ganhou o prêmio de Melhor Filme europeu do ano. Ao mesmo tempo que absorve o estilo visual dos antigos mestres do Cinema Soviético, o filme surpreende por sua naturalidade e encanto".
O que eu achei: “A Balada do Soldado” (1959) parte de uma história simples e eficaz: um jovem combatente recebe alguns dias de licença e atravessa um país marcado pela guerra para rever a mãe. No caminho, vive pequenos encontros, gestos de solidariedade e um breve romance, num percurso que tenta condensar a dor e a esperança de um povo em conflito. O problema do filme é que essa trajetória é conduzida por um tom excessivamente melodramático, comum no cinema soviético da época, mas que hoje soa insistente e, por vezes, artificial. Tanto os diálogos quanto a trilha sonora sublinham emoções que já estavam claras na encenação, tornando a experiência mais cansativa do que comovente. Embora se apresente como um drama de guerra poético, o filme carrega também um viés patriótico típico do período, tratando o sacrifício individual como parte de uma engrenagem heroica maior. Seu apelo popular é evidente: a narrativa busca alcançar facilmente o público e, em vários momentos, lembra o cinema clássico de estúdio, quase como um épico romântico à moda de Hollywood, apenas deslocado para o front soviético. Há ainda uma curiosa assepsia na representação da guerra. Corpos de mortos aparecem limpos e idealizados, contrastando com a brutalidade esperada do cenário. Uma cena emblemática mostra uma mulher morta estendida no chão, mas arrumada como se tivesse acabado de sair do cabeleireiro o que reforça a sensação de artificialidade. Por outro lado, é impossível ignorar a beleza da fotografia em preto e branco, com enquadramentos delicados e uso expressivo da luz. No fim, o filme funciona melhor como exercício estético e registro de um estilo de época do que como experiência emocional profunda: há ternura e uma boa história, mas o excesso de sentimentalismo enfraquece seu impacto dramático. Muito bonito, mas bem mediano.
Waldemar Dalenogare nos conta em seu site que "Devido a Guerra Fria, de 1946 até 1963, a União Soviética decidiu não enviar submissões para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Pelas regras da Academia, um filme estrangeiro só poderia ser indicado e premiado com o Oscar após a aprovação do país em que o longa foi realizado. No ano de 1959, os produtores de 'A Balada do Soldado' não conseguiram convencer o comitê cinematográfico da União Soviética a indicar o longa ao Oscar, muito por conta da turbulenta relação entre o presidente americano Dwight D. Eisenhower e Nikita Khrushchev.
A Academia não deixou de perceber a grandiosidade deste filme e lhe indicou ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Caso tivesse recebido nomeação para o Oscar Estrangeiro, 'Balada de Um Soldado' seria um sério candidato para levar o prêmio de 'Através de um Espelho' de Ingmar Bergman, que, para falar a verdade, só venceu esta categoria pois a Academia de Cinema da Itália decidiu submeter 'A Noite' de Michelangelo Antonioni ao invés de "A Doce Vida' de Federico Fellini.
Dirigido por Grigory Chukhray, um veterano soldado da Segunda Guerra Mundial, o longa segue a história de Alexei Skvortsov (Vladimir Ivashov), um jovem soldado que ganha o status de herói de seu batalhão após explodir dois tanques de guerra da Alemanha no front. Ao invés de receber uma promoção e uma condecoração por seu feito heroico, Alexei pede para o general encarregado de sua região apenas alguns dias de folga para poder consertar o telhado de sua mãe, destruído em um ataque aéreo. Boa parte do filme se passa dentro de um vagão de trem, onde acontece a tal balada do soldado. Ao atravessar a Rússia, ele vê fome e doenças. Sem perspectiva para o fim do confronto, ele faz amizade com Shura (Zhanna Prokhorenko), uma mulher que diz estar a caminho do hospital onde seu [noivo] está internado.
Apesar do filme mostrar uma história da Segunda Guerra Mundial com teor melodramático (fechando com a proposta do cinema soviético da época), o diretor deu muita atenção a construção de seu personagem protagonista, explorando sua coragem e seus medos. O jovem é representado como apenas uma das milhares vidas perdidas na guerra. Ele poderia ser um engenheiro, um médico, mas preferiu defender sua pátria e morrer por ela. Esta mensagem, com certo teor de propaganda, garantiu recursos para o diretor financiar seu projeto".
O longa, além de concorrer ao Oscar de Melhor Roteiro Original, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e ganhou o BAFTA de Melhor Filme.
O que disse a crítica 1: Eduardo Kaneco do site Leitura Fílmica avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Disse: "'A Balada de um Soldado' é um filme que provoca reflexões sobre os efeitos da guerra sobre a pureza da juventude, bem como sobre o vazio das mães que veem suas crianças partirem. A trama ganha uma embalagem fácil de alcançar o público, não só da então União Soviética, como de todo o mundo. Afinal, seu cinema clássico é o mesmo praticado por Hollywood".
O que disse a crítica 2: Rubens Ewald Filho também avaliou com 4 estrelas. Escreveu: Um belo romance, muito bem fotografado e narrado (menos demagógico de que outros filmes contemporâneos, só é preciso suportar um discurso final sobre o heroísmo do soldado russo), com o casal romântico certo. Mas a ênfase está na volta ao lar para ver a mãe. (...) Bastante irônico, humano, e até com senso de humor, foi indicado ao Oscar de Roteiro Original e ganhou o prêmio de Melhor Filme europeu do ano. Ao mesmo tempo que absorve o estilo visual dos antigos mestres do Cinema Soviético, o filme surpreende por sua naturalidade e encanto".
O que eu achei: “A Balada do Soldado” (1959) parte de uma história simples e eficaz: um jovem combatente recebe alguns dias de licença e atravessa um país marcado pela guerra para rever a mãe. No caminho, vive pequenos encontros, gestos de solidariedade e um breve romance, num percurso que tenta condensar a dor e a esperança de um povo em conflito. O problema do filme é que essa trajetória é conduzida por um tom excessivamente melodramático, comum no cinema soviético da época, mas que hoje soa insistente e, por vezes, artificial. Tanto os diálogos quanto a trilha sonora sublinham emoções que já estavam claras na encenação, tornando a experiência mais cansativa do que comovente. Embora se apresente como um drama de guerra poético, o filme carrega também um viés patriótico típico do período, tratando o sacrifício individual como parte de uma engrenagem heroica maior. Seu apelo popular é evidente: a narrativa busca alcançar facilmente o público e, em vários momentos, lembra o cinema clássico de estúdio, quase como um épico romântico à moda de Hollywood, apenas deslocado para o front soviético. Há ainda uma curiosa assepsia na representação da guerra. Corpos de mortos aparecem limpos e idealizados, contrastando com a brutalidade esperada do cenário. Uma cena emblemática mostra uma mulher morta estendida no chão, mas arrumada como se tivesse acabado de sair do cabeleireiro o que reforça a sensação de artificialidade. Por outro lado, é impossível ignorar a beleza da fotografia em preto e branco, com enquadramentos delicados e uso expressivo da luz. No fim, o filme funciona melhor como exercício estético e registro de um estilo de época do que como experiência emocional profunda: há ternura e uma boa história, mas o excesso de sentimentalismo enfraquece seu impacto dramático. Muito bonito, mas bem mediano.