
Comentário: Sofia Coppola é uma cineasta ítalo-americana, filha do grande diretor Francis Ford Coppola. Vi dela seis filmes: o excepcional “Encontros e Desencontros” (2004), os ótimos “As Virgens Suicidas” (1999) e “Maria Antonieta” (2006) e os bons “Um Lugar Qualquer” (2010), "Bling Ring: A Gangue de Hollywood" (2013) e “O Estranho que Nós Amamos” (2017).
“On The Rocks” é uma produção original da Apple TV. O filme conta a história de Laura (Rashida Jones), uma escritora que está passando por um intenso bloqueio criativo. Inserida em um casamento com duas filhas pequenas e um marido com foco total no trabalho, ela tenta equilibrar a vida pessoal, o casamento e a criação das meninas, mas acaba deixando de lado uma das mais importantes áreas de sua vida: a profissional. A vida em família é muito diferente da vida de solteira, mas claramente a mudança pesa muito mais sobre a mulher do que sobre o homem, e este filme deixa isso muito claro quando mostra Dean (Marlon Wayans) tocando sua vida profissional despreocupadamente enquanto Laura dedica todo o seu tempo para a família, deixando as horas que “sobram” para se dedicar à sua carreira. Um dia, desconfiada de estar sendo traída, Laura se abre com o pai (Bill Murray), um marchand que, na juventude, trocou a esposa – mãe dela – por outra mulher mais jovem. Ele, por outro lado, está carente desse momento de conexão. E aposta tudo na oportunidade de mais uma vez se alinhar com a filha.
Fabricio Duque do site Vertentes do Cinema nos conta que numa “entrevista à revista Vogue, em 11 de outubro de 2020, Sofia disse como encontrou sua história. ‘Uma amiga me contou uma história. Seu marido estava viajando muito com uma colega de trabalho e ela realmente foi espioná-lo com seu pai. Eles estavam se escondendo em arbustos. Ouvindo isso, pensei que adoraria ver um filme de detetive de pai e filha’”.
O que disse a crítica: Encontrei avaliações que variam entre as notas 1,5 (ruim) e 3,25 (bom).
Robledo Milani do site Papo de Cinema foi quem menos gostou. Escreveu: “É engraçado como o peso dos anos se revela mesmo entre os mais jovens. Sofia Coppola surgiu primeiro como um passo em falso – sua desastrada aparição como atriz em ‘O Poderoso Chefão III’ (1990) – depois se mostrou uma cineasta de talento – ganhou o Oscar por ‘Encontros e Desencontros’ (2003) – e agora completa o círculo voltando ao ponto de partida, porém dessa vez como realizadora. Em ‘On the Rocks’, o sétimo longa de ficção que assina, ela parte de uma ideia já visitada – o encontro geracional que lança novas perspectivas para ambos os envolvidos – mas, ao invés de buscar um novo ponto de vista, tudo o que consegue é reciclar velhos conceitos através de uma ótica ultrapassada, por vezes até mesmo ofensiva, seja pela ingenuidade do discurso ou pelo viés equivocado que se esforça em defender. O resultado, como não poderia ser diferente diante de uma mistura de elementos tão anacrônicos, termina por se apresentar de forma problemática e desprovido dos pontos de interesse que tão bem demonstrava lidar no início de sua carreira”.
A melhor avaliação foi de Maggie Silva da Magazine HD. Ela disse: “’On the Rocks’ é uma comédia agridoce agradável de enganos e desenganos que, apesar da leveza, conseguimos encaixar facilmente na filmografia de Sofia Coppola. Pode não ser ‘A obra’ da realizadora norte-americana, mas consegue convencer através das suas boas intenções e charme inerente”. Como pontos positivos ela destaca: “as interpretações de Rashida Jones e Bill Murray”, “a convincente e ligeira franqueza dos diálogos” e a locação: “uma Nova Iorque que fala por si”. Como pontos negativos ela diz que “em toda a sua mundana normalidade, ‘On the Rocks’ esquece-se de apontar para ser verdadeiramente memorável. Apesar de enternecer, nunca se aproxima sequer de ter um caráter arrebatador”.
O que eu achei: Impossível ver este filme sem compará-lo à “Encontros e Desencontros” (2004). Naquele filme Bill Murray interpreta o astro decadente Bob Harris que está em Tóquio para gravar um comercial. No mesmo hotel está a jovem Charlotte (Scarlett Johansson) que não sabe com o que trabalhar e, acima de tudo, não sabe mais quem é seu marido, um fotógrafo de bandas de rock que foge dela em todas as oportunidades possíveis. Neste, Bill Murray está na pele de um pai cuja filha Laura (Rashida Jones), desconfia da fidelidade do marido e o pai vai ajudá-la na busca pela verdade. O primeiro é uma obra-prima enquanto este carece de tudo: a história é fraca, a dupla Murray-Jones carece de química, a trilha sonora não acrescenta nada e não há clímax. Para uma Sofia Coppola, com tantos filmes ótimos no curriculum, este tem a aparência de um trabalho feito para um TCC de faculdade, só que ele é de 2020, ou seja, o último depois de pelo menos seis filmes muito melhores. É um filme que serve para passar o tempo, mas notavelmente esquecível para as carreiras de todos os envolvidos.
“On The Rocks” é uma produção original da Apple TV. O filme conta a história de Laura (Rashida Jones), uma escritora que está passando por um intenso bloqueio criativo. Inserida em um casamento com duas filhas pequenas e um marido com foco total no trabalho, ela tenta equilibrar a vida pessoal, o casamento e a criação das meninas, mas acaba deixando de lado uma das mais importantes áreas de sua vida: a profissional. A vida em família é muito diferente da vida de solteira, mas claramente a mudança pesa muito mais sobre a mulher do que sobre o homem, e este filme deixa isso muito claro quando mostra Dean (Marlon Wayans) tocando sua vida profissional despreocupadamente enquanto Laura dedica todo o seu tempo para a família, deixando as horas que “sobram” para se dedicar à sua carreira. Um dia, desconfiada de estar sendo traída, Laura se abre com o pai (Bill Murray), um marchand que, na juventude, trocou a esposa – mãe dela – por outra mulher mais jovem. Ele, por outro lado, está carente desse momento de conexão. E aposta tudo na oportunidade de mais uma vez se alinhar com a filha.
Fabricio Duque do site Vertentes do Cinema nos conta que numa “entrevista à revista Vogue, em 11 de outubro de 2020, Sofia disse como encontrou sua história. ‘Uma amiga me contou uma história. Seu marido estava viajando muito com uma colega de trabalho e ela realmente foi espioná-lo com seu pai. Eles estavam se escondendo em arbustos. Ouvindo isso, pensei que adoraria ver um filme de detetive de pai e filha’”.
O que disse a crítica: Encontrei avaliações que variam entre as notas 1,5 (ruim) e 3,25 (bom).
Robledo Milani do site Papo de Cinema foi quem menos gostou. Escreveu: “É engraçado como o peso dos anos se revela mesmo entre os mais jovens. Sofia Coppola surgiu primeiro como um passo em falso – sua desastrada aparição como atriz em ‘O Poderoso Chefão III’ (1990) – depois se mostrou uma cineasta de talento – ganhou o Oscar por ‘Encontros e Desencontros’ (2003) – e agora completa o círculo voltando ao ponto de partida, porém dessa vez como realizadora. Em ‘On the Rocks’, o sétimo longa de ficção que assina, ela parte de uma ideia já visitada – o encontro geracional que lança novas perspectivas para ambos os envolvidos – mas, ao invés de buscar um novo ponto de vista, tudo o que consegue é reciclar velhos conceitos através de uma ótica ultrapassada, por vezes até mesmo ofensiva, seja pela ingenuidade do discurso ou pelo viés equivocado que se esforça em defender. O resultado, como não poderia ser diferente diante de uma mistura de elementos tão anacrônicos, termina por se apresentar de forma problemática e desprovido dos pontos de interesse que tão bem demonstrava lidar no início de sua carreira”.
A melhor avaliação foi de Maggie Silva da Magazine HD. Ela disse: “’On the Rocks’ é uma comédia agridoce agradável de enganos e desenganos que, apesar da leveza, conseguimos encaixar facilmente na filmografia de Sofia Coppola. Pode não ser ‘A obra’ da realizadora norte-americana, mas consegue convencer através das suas boas intenções e charme inerente”. Como pontos positivos ela destaca: “as interpretações de Rashida Jones e Bill Murray”, “a convincente e ligeira franqueza dos diálogos” e a locação: “uma Nova Iorque que fala por si”. Como pontos negativos ela diz que “em toda a sua mundana normalidade, ‘On the Rocks’ esquece-se de apontar para ser verdadeiramente memorável. Apesar de enternecer, nunca se aproxima sequer de ter um caráter arrebatador”.
O que eu achei: Impossível ver este filme sem compará-lo à “Encontros e Desencontros” (2004). Naquele filme Bill Murray interpreta o astro decadente Bob Harris que está em Tóquio para gravar um comercial. No mesmo hotel está a jovem Charlotte (Scarlett Johansson) que não sabe com o que trabalhar e, acima de tudo, não sabe mais quem é seu marido, um fotógrafo de bandas de rock que foge dela em todas as oportunidades possíveis. Neste, Bill Murray está na pele de um pai cuja filha Laura (Rashida Jones), desconfia da fidelidade do marido e o pai vai ajudá-la na busca pela verdade. O primeiro é uma obra-prima enquanto este carece de tudo: a história é fraca, a dupla Murray-Jones carece de química, a trilha sonora não acrescenta nada e não há clímax. Para uma Sofia Coppola, com tantos filmes ótimos no curriculum, este tem a aparência de um trabalho feito para um TCC de faculdade, só que ele é de 2020, ou seja, o último depois de pelo menos seis filmes muito melhores. É um filme que serve para passar o tempo, mas notavelmente esquecível para as carreiras de todos os envolvidos.