
Comentário: Tobias Lindholm é um cineasta dinamarquês. Foi ele quem roteirizou “A Caça” (2012) e “Another Round” (2020) para Vinterberg. Com relação à sua atuação como diretor, assisti dele apenas o filme “Guerra” (2015).
Jonathan Firmino do site Techtudo nos conta que “Nesta obra (...) o diretor Tobias Lindholm (...) adapta a história de Charles Cullen, enfermeiro americano que chocou os Estados Unidos ao ser preso em 2003 por induzir a morte de 29 pacientes aos seus cuidados. O longa traz os vencedores do Oscar Eddie Redmayne (‘A Teoria de Tudo’), como o enfermeiro serial killer, e Jessica Chastain (‘Os Olhos de Tammy Faye’), como Amy Loughren, enfermeira responsável por obter a confissão de Cullen. O filme tem como base o livro ‘The Good Nurse: A True Story of Medicine, Madness and Murder’ (‘O Bom Enfermeiro: Uma História Real de Medicina, Loucura e Assassinato’) (...), escrito em 2013 pelo jornalista americano Charles Graeber. No entanto, é comum que certas liberdades de roteiro sejam tomadas na construção de cinebiografias”.
Firmino fez um levantamento da biografia de Cullen e nos conta que “Nascido em Nova Jersey em 22 de fevereiro de 1960, Charles Edmund Cullen teve uma infância de pobreza e perdas. Antes de completar um ano de idade ele perdeu o pai, Edmund Cullen, que trabalhava como motorista de ônibus. Ficou completamente órfão na adolescência, quando sua mãe Florence foi vítima de um acidente de carro. Ainda criança, Charles demonstrava ter problemas psicológicos. Aos nove anos, tentou o suicídio pela primeira vez, ao ingerir substâncias de um kit infantil de química. Antes de seguir carreira na enfermagem, Cullen ingressou na Marinha em 1978, onde chegou à patente de suboficial de segunda classe. Sua instabilidade mental ainda era um problema, e novas tentativas de suicídio o levaram à internação na ala psiquiátrica da Marinha. Em 1987, resolve sair das forças armadas e conclui um curso de enfermagem, se casando também no mesmo ano. No filme, Cullen dá poucos detalhes sobre sua ex-esposa e suas filhas. Em um dado momento, o enfermeiro se refere à antiga companheira como ‘louca’ e que ela o acusou falsamente de ter agredido seus cachorros. Na vida real, as acusações feitas por Adrienne Taub, casada com Charles Cullen de 1987 a 1993, foram levadas a sério quando o caso explodiu. De acordo com registros jornalísticos da época, Taub pediu divórcio após ficar assustada com o comportamento ‘extremamente cruel’ do ex-marido. Em um dos casos relatados, Cullen chegou a sufocar o pequeno cão da família dentro de uma bolsa de boliche, além de praticar outras agressões físicas nos demais cachorros como forma de ‘treinamento’. No ambiente familiar, ele também costumava adulterar bebidas com fluído de isqueiro e abusar psicologicamente das duas filhas. Em 1993, um ano após o nascimento de sua segunda filha, Adrienne pediu não apenas divórcio de Cullen, como também uma ordem de restrição, alegando que o ex-marido cometida violência doméstica”.
O que disse a crítica: Pedro Strazza do site Omelete avaliou como regular. Escreveu: “Não é difícil reparar aqui na repetição desse raciocínio de choque para tentar depreender algum tipo de arco narrativo na personagem de Amy, que chegou a ser amiga íntima do assassino antes de descobrir seus crimes, mas essa tensão se dissipa rápido demais para implicar em algo. Tampouco se percebe a visão do sistema no processo, até porque a posição de Cullen é de novo a do mal isolado, confortável na categorização de serial killer. O que fica, então, é o aborrecimento do presente, despido de qualquer interesse a momentos que redefinam o olhar do espectador no curso das cenas. Conforme ‘O Enfermeiro da Noite’ se prende ao factual, qualquer interpretação se reduz ao insignificante, e a ficção aos poucos é despida de vida para virar uma espécie de grande matéria informacional”.
Rafael Braz, colunista de cultura de A Gazeta, gostou. Disse: “Sem depender de grandes revelações ou de uma virada surpresa, ‘O Enfermeiro da Noite’ é um grande suspense por prender a atenção do espectador e pelo clima tenso que cria desde o início. Ao fim, com grandes atuações, um bom texto e uma ótima direção, o filme de Tobias Lindholm usa a força dos fatos a seu favor para mostrar uma história de crimes, mas também um sutil retrato do sistema de saúde dos EUA”.
O que eu achei: Filmes baseados em histórias reais sempre ativam um interesse natural pela história em si, neste caso saber que houve, nos EUA, um enfermeiro serial killer que matou dezenas de pacientes de hospitais, com o sistema de saúde lhe permitindo operar por 15 anos antes de finalmente ser levado à justiça. Em termos de qualidades, o filme tem a vantagem de ser bastante fiel ao que de fato ocorreu, havendo pouca divergência entre a realidade e aquilo que é mostrado. Outra qualidade são os atores principais - Eddie Redmayne e Jessica Chastain – que apresentam boas atuações e boa química entre eles. De negativo há a narrativa pouco apaixonada, sem grandes dilemas e sem adrenalina. Entre qualidades e defeitos o resultado é um filme regular cujo gostar depende mais do interesse pelo tema do que pelo filme em si, que se resume basicamente à uma reconstrução do caso.
Firmino fez um levantamento da biografia de Cullen e nos conta que “Nascido em Nova Jersey em 22 de fevereiro de 1960, Charles Edmund Cullen teve uma infância de pobreza e perdas. Antes de completar um ano de idade ele perdeu o pai, Edmund Cullen, que trabalhava como motorista de ônibus. Ficou completamente órfão na adolescência, quando sua mãe Florence foi vítima de um acidente de carro. Ainda criança, Charles demonstrava ter problemas psicológicos. Aos nove anos, tentou o suicídio pela primeira vez, ao ingerir substâncias de um kit infantil de química. Antes de seguir carreira na enfermagem, Cullen ingressou na Marinha em 1978, onde chegou à patente de suboficial de segunda classe. Sua instabilidade mental ainda era um problema, e novas tentativas de suicídio o levaram à internação na ala psiquiátrica da Marinha. Em 1987, resolve sair das forças armadas e conclui um curso de enfermagem, se casando também no mesmo ano. No filme, Cullen dá poucos detalhes sobre sua ex-esposa e suas filhas. Em um dado momento, o enfermeiro se refere à antiga companheira como ‘louca’ e que ela o acusou falsamente de ter agredido seus cachorros. Na vida real, as acusações feitas por Adrienne Taub, casada com Charles Cullen de 1987 a 1993, foram levadas a sério quando o caso explodiu. De acordo com registros jornalísticos da época, Taub pediu divórcio após ficar assustada com o comportamento ‘extremamente cruel’ do ex-marido. Em um dos casos relatados, Cullen chegou a sufocar o pequeno cão da família dentro de uma bolsa de boliche, além de praticar outras agressões físicas nos demais cachorros como forma de ‘treinamento’. No ambiente familiar, ele também costumava adulterar bebidas com fluído de isqueiro e abusar psicologicamente das duas filhas. Em 1993, um ano após o nascimento de sua segunda filha, Adrienne pediu não apenas divórcio de Cullen, como também uma ordem de restrição, alegando que o ex-marido cometida violência doméstica”.
O que disse a crítica: Pedro Strazza do site Omelete avaliou como regular. Escreveu: “Não é difícil reparar aqui na repetição desse raciocínio de choque para tentar depreender algum tipo de arco narrativo na personagem de Amy, que chegou a ser amiga íntima do assassino antes de descobrir seus crimes, mas essa tensão se dissipa rápido demais para implicar em algo. Tampouco se percebe a visão do sistema no processo, até porque a posição de Cullen é de novo a do mal isolado, confortável na categorização de serial killer. O que fica, então, é o aborrecimento do presente, despido de qualquer interesse a momentos que redefinam o olhar do espectador no curso das cenas. Conforme ‘O Enfermeiro da Noite’ se prende ao factual, qualquer interpretação se reduz ao insignificante, e a ficção aos poucos é despida de vida para virar uma espécie de grande matéria informacional”.
Rafael Braz, colunista de cultura de A Gazeta, gostou. Disse: “Sem depender de grandes revelações ou de uma virada surpresa, ‘O Enfermeiro da Noite’ é um grande suspense por prender a atenção do espectador e pelo clima tenso que cria desde o início. Ao fim, com grandes atuações, um bom texto e uma ótima direção, o filme de Tobias Lindholm usa a força dos fatos a seu favor para mostrar uma história de crimes, mas também um sutil retrato do sistema de saúde dos EUA”.
O que eu achei: Filmes baseados em histórias reais sempre ativam um interesse natural pela história em si, neste caso saber que houve, nos EUA, um enfermeiro serial killer que matou dezenas de pacientes de hospitais, com o sistema de saúde lhe permitindo operar por 15 anos antes de finalmente ser levado à justiça. Em termos de qualidades, o filme tem a vantagem de ser bastante fiel ao que de fato ocorreu, havendo pouca divergência entre a realidade e aquilo que é mostrado. Outra qualidade são os atores principais - Eddie Redmayne e Jessica Chastain – que apresentam boas atuações e boa química entre eles. De negativo há a narrativa pouco apaixonada, sem grandes dilemas e sem adrenalina. Entre qualidades e defeitos o resultado é um filme regular cujo gostar depende mais do interesse pelo tema do que pelo filme em si, que se resume basicamente à uma reconstrução do caso.