
Comentário: Asghar Farhadi é um cineasta iraniano. Assisti dele os ótimos "A Separação" (2011), "O Passado" (2013), "O Apartamento" (2016) e "Todos Já Sabem (2018). Desta vez vou conferir "Um Herói" (2021).
A trama é a seguinte: Rahim Soltani é um homem humilde, preso por dívidas, que durante os dois dias de liberdade que obtém tenta vender algumas moedas de ouro achadas por acaso para quitar o que deve ao homem que o está processando. Enquanto Soltani tenta fazer essa venda, lhe bate um arrependimento e ele resolve procurar a pessoa que perdeu a bolsa com o ouro e devolver, afinal aquilo não é dele. A história da devolução comove, de imediato, as autoridades prisionais, a liga das senhoras caridosas e, sobretudo, a televisão. Todos estão interessados nesse bom exemplo. E assim Soltani vai virando uma espécie de “herói nacional”, situação essa que traz desdobramentos diversos em sua vida e na de todos que o cercam.
O que disse a crítica 1: Inácio Araújo da Folha SP achou o filme mediano. Ele diz: “Farhadi (...) não escolheu o melhor caminho. Sua trama é tão cheia de alternativas que uma acaba anulando a outra. Não é a questão de encontrar ‘furos’ no roteiro. É que tudo gira em torno de verdades que escorregam para a mentira, de uma realidade que se consome em imagem. E para isso é preciso o talento de um Fritz Lang, coisa que Farhadi, bom diretor, ainda não demonstrou ter”.
O que disse a crítica 2: Francisco Carbone do site Cenas de Cinema avaliou como ótimo. Escreveu: “O arco dramático de ‘Um Herói’ não guarda surpresas para quem já está versado em Farhadi, mas aí entra em cena o cineasta presente na construção de planos como o da visita ao cunhado na pedreira, o jogo imagético não-revelado no conflito braçal, o sutil interesse pelo som enquanto catalisador de provocações (a porta batida é o maior exemplo). A união de sua habilidade como contador de histórias - mais que isso até, como intérprete de conflitos - com esse seu interesse que não para na palavra, mas chega até o gesto e a reverberação dessas potencialidades”.
O que disse a crítica 3: Katiúscia Vianna do site Adoro Cinema também gostou muito. Disse: “’Um Herói’ não é um suspense, mas te deixa inquieto na poltrona do cinema, pois mostra a catástrofe que as pessoas podem causar. Em determinada cena, colocam o filho gago de Rahim para fazer uma declaração online, a fim de tentar melhorar a imagem do pai. É algo que dá embrulho no estômago - muito mais do que muitos thrillers vistos em Hollywood. O ser humano é muito mais complexo que a madrasta má de algum conto de fadas; aquele que pode ser o seu herói, pode ser o vilão da história de alguém. E isso é uma conclusão bem triste... Porém, nem todo mundo pode estar preparado para as conclusões desse longa, mesmo que sejam mais sutis que um soco na cara. No final das contas, temos que aceitar as consequências de nossos atos e, infelizmente, perceber que nada é muito justo nesse mundo”.
O que eu achei: Fahardi, além de um excelente diretor, é um excelente roteirista, apesar de ter achado a edição mais confusa do que nos outros quatro filmes que vi dele anteriormente. É uma trama que requer atenção aos detalhes, do tipo piscou, perdeu. O filme discute as questões éticas e morais da honestidade, fala das injustiças do sistema penal, fala dos preconceitos da mídia e das redes sociais. Estamos no Irã, mas o assunto é universal. Há muita humanidade na forma como o diretor conduz cada cena. Vale ser visto. Atenção especial ao protagonista interpretado pelo ator Amir Jadidi que segura as pontas com maestria. Boa pedida.
O que disse a crítica 2: Francisco Carbone do site Cenas de Cinema avaliou como ótimo. Escreveu: “O arco dramático de ‘Um Herói’ não guarda surpresas para quem já está versado em Farhadi, mas aí entra em cena o cineasta presente na construção de planos como o da visita ao cunhado na pedreira, o jogo imagético não-revelado no conflito braçal, o sutil interesse pelo som enquanto catalisador de provocações (a porta batida é o maior exemplo). A união de sua habilidade como contador de histórias - mais que isso até, como intérprete de conflitos - com esse seu interesse que não para na palavra, mas chega até o gesto e a reverberação dessas potencialidades”.
O que disse a crítica 3: Katiúscia Vianna do site Adoro Cinema também gostou muito. Disse: “’Um Herói’ não é um suspense, mas te deixa inquieto na poltrona do cinema, pois mostra a catástrofe que as pessoas podem causar. Em determinada cena, colocam o filho gago de Rahim para fazer uma declaração online, a fim de tentar melhorar a imagem do pai. É algo que dá embrulho no estômago - muito mais do que muitos thrillers vistos em Hollywood. O ser humano é muito mais complexo que a madrasta má de algum conto de fadas; aquele que pode ser o seu herói, pode ser o vilão da história de alguém. E isso é uma conclusão bem triste... Porém, nem todo mundo pode estar preparado para as conclusões desse longa, mesmo que sejam mais sutis que um soco na cara. No final das contas, temos que aceitar as consequências de nossos atos e, infelizmente, perceber que nada é muito justo nesse mundo”.
O que eu achei: Fahardi, além de um excelente diretor, é um excelente roteirista, apesar de ter achado a edição mais confusa do que nos outros quatro filmes que vi dele anteriormente. É uma trama que requer atenção aos detalhes, do tipo piscou, perdeu. O filme discute as questões éticas e morais da honestidade, fala das injustiças do sistema penal, fala dos preconceitos da mídia e das redes sociais. Estamos no Irã, mas o assunto é universal. Há muita humanidade na forma como o diretor conduz cada cena. Vale ser visto. Atenção especial ao protagonista interpretado pelo ator Amir Jadidi que segura as pontas com maestria. Boa pedida.