10.7.23

“Monika e o Desejo” – Ingmar Bergman (Suécia, 1953)

Sinopse:
Monika (Harriet Andersson), é uma jovem espontânea e extrovertida, que por sua beleza é assediada por pessoas no dia a dia e não tem seu espaço respeitado em casa. Ela se apaixona por Harry (Lars Ekborg), rapaz trabalhador que vê no novo relacionamento um escape de sua cansativa rotina. Juntos, decidem fugir da melancólica e sofrida vida que levam na cidade, viajando de barco para uma praia para passar o verão.
Comentário: Ingmar Bergman (1919-2007) é um diretor de cinema sueco famoso pela abordagem psicológica que ele dá a seus filmes. Sua produção engloba em torno de uns 60 filmes. Assisti dele 13 filmes, dentre eles as obras-primas "O Sétimo Selo" (1957), "Morangos Silvestres" (1957), "Persona" (1966), "O Ovo da Serpente" (1977) e "Sonata de Outono" (1978). Desta vez vou conferir “Monika e o Desejo” (1953).
Segundo Natasha Moura do site Cineset, “Monika e o Desejo”, de 1953, tem o roteiro baseado no romance do sueco Per Anders Fogelström. A história gira em torno de “Monika Eriksson (Harriet Andersson), uma garota de dezessete anos empregada de uma quitanda, que como bem diz o título, é marcada por seus desejos. Sejam eles de uma vida livre, afortunada e cheia de paixão. Depois de uma briga com o pai, que ameaça bater na jovem, ela foge com o namorado Harry Lund (Lars Ekborg) no barco do pai do garoto em uma aventura pelo arquipélago de Estocolmo”, o que vai trazer sérias consequências para ambos.
O que disse a crítica 1: Alain Bergala, em texto publicado na Revista Eco Pós da UFRJ, entende que “Bergman não filma a história de amor entre os jovens Harry e Monika, mas constrói uma relação complexa e erótica entre personagens, atores, espectadores e o próprio diretor, um jogo de cumplicidades e rivalidades que só é possível graças à especificidade da arte cinematográfica, que exige a presença material de corpos em locais concretos para que possa se realizar. Filmado em um momento extraordinariamente fértil na história do cinema, ‘Monika e o Desejo’ se deixa invadir e permear pela realidade, furando o invólucro hermético da narrativa clássica para contaminar-se com o acaso e com o amor do diretor pela atriz Harriet Andersson, em cuja figura se amalgamam e se exibem na tela simultaneamente a mulher de carne e osso e a personagem sonhada”.
O que disse a crítica 2: Luiz Santiago do site Plano Crítico achou o filme bom, mas disse que poderia ter sido melhor. Ele se declara um confesso admirador do trabalho de Oscar Rosander, o primeiro editor de Bergman, que por algum motivo, não conseguiu trabalhar em “Monika e o Desejo”. Ele diz: “fico imaginando como seria este filme se Rosander tivesse realizado a montagem. Com base em seus outros trabalhos com Bergman, é possível afirmar que o incômodo uso de fades e a criação de elipses na linha cronológica de Monika e Harry seria completamente diferente, por certo menos imediatos nos momentos de interação entre as personagens (corrigindo em partes esse caráter bem estranho do roteiro) e mais ágeis e dinâmicos na exposição das paisagens. Para que se tenha noção, o trabalho dos editores aqui deixou tanto a desejar que eles não foram creditados e o próprio Bergman (assumido desorientado editor) teve que levar parte dos negativos à moviola e tentar minimizar o estrago”.
O que disse a crítica 3: Conrado Heoli do site Papo de Cinema classificou como excelente. Escreveu: “O olhar certeiro de Bergman e a fotografia atmosférica de Gunnar Fischer investiram em locações com significância poética. As luzes e os amplos espaços que preenchem os dias oníricos dos jovens nas ilhas são contrastados com a escuridão claustrofóbica da cidade, para onde eles são obrigados a seguir, onde a eletricidade do casal é vagarosamente extinguida pela falta de ar que pontua sua relação. Filmado num preto e branco extasiante, o filme apresenta um diretor em controle absoluto de sua expressividade singular”.
O que eu achei: A atriz Harriet Andersson é uma figura interessante que desafiava os estigmas entre a beleza clássica e o estilo blonde bombshell dos anos 1950. Mostra uma nudez incomum nos filmes do diretor e incomum para a época, retratando uma adolescente livre que não aceita levar uma vida regrada. É um filme sobre a transição da juventude para a vida adulta e sua eterna busca pela liberdade. è bom e vale ser visto.