9.4.23

“A Última Sessão” - Pan Nalin (Índia/EUA, 2021)

Sinopse:
 
Quando a magia dos filmes conquista o coração do jovem Samay (Bhavin Rabari), de 9 anos, ele faz de tudo para realizar o seu sonho de se tornar um cineasta, sem saber das dificuldades que está prestes a enfrentar.
Comentário: Baseando-se em sua própria infância, o diretor indiano Pan Nalin ambienta o filme, seu primeiro na língua regional Gujarati, na remota península de Saurashtra, na Índia. Lá, Samay (Bhavin Rabari) de 9 anos e seu leal quinteto de amigos exploram a paisagem idílica a pé ou de bicicleta. Samay passa muito tempo na estação ferroviária de Chalala, onde vende o chai que seu pai (Dipen Raval) prepara na barraca. Quando não está na escola ou trabalhando para seu pai sisudo, o menino de olhar aguçado vagueia pelos trilhos do trem, coletando destroços e refugos, como os pregos que transforma em pontas de flecha depois de serem achatados por um trem que passa. Mantendo-se fiel à tradição, o pai de Samay acredita que o cinema não é apropriado para membros da casta brâmane. Mas ele abre uma exceção para a exibição de um filme com tema religioso no Galaxy Cinema. Durante o raro passeio em família, Samay fica tão extasiado com o fluxo de luz da cabine de projeção quanto com as imagens na tela. Escondido da família, o garoto fecha um acordo com Fazal (Bhavesh Shrimali), o projecionista do Galaxy: em troca das marmitas que a mãe de Samay prepara, ele pode observar o funcionamento interno da cabine de projeção, tendo a chance não apenas de assistir a filmes, mas também de se familiarizar com as maravilhas do maquinário que transmite som e imagens à tela. O resultado é um filme fofo e meio agridoce daqueles típicos da Sessão da Tarde, que lembra “Cinema Paradiso” (Giuseppe Tornatore, 1988) no qual o menino Totó se encanta pelo cinema e inicia uma grande amizade com o projecionista de sua pequena cidade. Dialoga também com “Os Fabelmans” (Steven Spielberg, 2021) que mostra a paixão do menino que decide ser cineasta. No final da exibição Nalin homenageia alguns diretores famosos exibindo uma pequena lista de nomes, como os irmãos Lumière, Eadweard Muybridge, David Lean, Stanley Kubrick e Andrei Tarkovsky, dentre outros. 
O que disse a crítica: Robin Clifford do Reeling Reviews gostou. Ele escreveu: “Este é um mundo mágico de luz e som enquanto Samay vive seu sonho e ganha o respeito de seu pai. É bom, às vezes, ver o mundo pelos olhos de uma criança”. 
Richard Whittaker do Austin Chronicle também gostou. Ele disse: “’A Última Sessão’ é tão visualmente inebriante (os vislumbres de filmes de cores vibrantes, a visão de refeições fervendo em ervas tão lindas que você jura que sentirá o aroma) quanto tematicamente rico”. 
Hoai-Tran Bui da Slashfilm também aprovou dizendo: “’A Última Sessão’ anda em uma corda bamba complicada entre o sentimental e o meditativo, embora no final pareça mais leve”. 
O que eu achei: O filme foi a indicação da Índia para uma vaga na lista de concorrentes ao Oscar, mas ficou de fora e, de fato, não faria frente a produções como “Argentina, 1985”, “Nada de Novo no Front” ou “Close”. Não é um filme ruim, mas não contém muita novidade além do fato de se passar na Índia. É filme pra reunir a família, em especial as crianças pré-adolescentes, e passar uma tarde observando uma história sincera sobre o amor ao cinema e a descoberta de uma profissão.