Sinopse: Uma mão decepada escapa do laboratório de dissecação no qual estava presa durante os últimos meses. Com a fuga ela possui um só objetivo: retornar para o restante de seu corpo e voltar a fazer parte de um organismo completo. Enquanto ela vaga pelos arredores de Paris, se lembra dos tempos de quando era apenas uma jovem mão no corpo de um apaixonado rapaz.
Comentário: Trata-se de uma animação baseada no romance "Happy Hand", escrito por Guillaume Laurant, que também assina o roteiro do filme. Apesar de ser uma adaptação, há certa liberdade criativa na construção narrativa e visual.
Realizado em animação 2D com uso de técnicas digitais, o filme apresenta um estilo visual estilizado e atmosférico, com traços simples, mas expressivos. A história alterna entre duas linhas narrativas: de um lado, acompanhamos uma mão decepada que “ganha vida” e percorre Paris tentando reencontrar seu corpo; de outro, vemos a trajetória de Naoufel, um jovem solitário lidando com perdas e tentando se reconectar com o mundo. Aos poucos, as duas narrativas se entrelaçam.
O filme se destaca por sua proposta incomum e por abordar temas como solidão, memória, destino e identidade de forma sensível e por vezes melancólica. Não é uma animação voltada para crianças pequenas: seu ritmo, sua estrutura fragmentada e seu conteúdo mais introspectivo dialogam muito mais com o público adulto ou com espectadores interessados em cinema autoral.
“Perdi Meu Corpo” foi amplamente reconhecido internacionalmente. Venceu o prêmio principal da Semana da Crítica no Festival de Cannes em 2019 e também recebeu o prêmio de Melhor Filme de Animação no European Film Awards, além de ter sido indicado ao Oscar de Melhor Animação.
A escolha de transformar a mão em protagonista de parte da narrativa, com movimentos e “sensações” exigiram um trabalho detalhado de animação para transmitir emoções sem expressões faciais. Esse recurso ajuda a criar uma experiência bastante singular dentro do gênero.
O que eu achei: O filme chama atenção logo de início pela proposta inusitada e pela execução técnica. A animação 2D estilizada, com atmosfera melancólica e detalhamento cuidadoso, cria uma identidade visual forte, especialmente nas sequências que acompanham a mão em sua jornada quase autônoma por Paris. Há inventividade nesses momentos, tanto na movimentação quanto na forma como sensações são transmitidas sem o uso de expressões faciais. No entanto, quando a narrativa se volta para a história do jovem Naoufel, o filme passa a caminhar por terrenos mais familiares. Temas como solidão, perda e encontros afetivos são tratados com sensibilidade, mas frequentemente recaem em soluções previsíveis. A alternância entre as duas linhas narrativas - uma mais original, outra mais convencional - cria um certo desequilíbrio, como se o filme oscilasse entre ousadia e zona de conforto. Outro ponto que pode dividir opiniões é o ritmo. A proposta contemplativa funciona em alguns momentos, reforçando o tom introspectivo, mas em outros contribui para uma sensação de arrastamento, especialmente quando a trama não avança com a mesma força da ideia central. O resultado é uma obra com qualidades e defeitos. Tem primor visual mas poderia ter menos clichês.
Realizado em animação 2D com uso de técnicas digitais, o filme apresenta um estilo visual estilizado e atmosférico, com traços simples, mas expressivos. A história alterna entre duas linhas narrativas: de um lado, acompanhamos uma mão decepada que “ganha vida” e percorre Paris tentando reencontrar seu corpo; de outro, vemos a trajetória de Naoufel, um jovem solitário lidando com perdas e tentando se reconectar com o mundo. Aos poucos, as duas narrativas se entrelaçam.
O filme se destaca por sua proposta incomum e por abordar temas como solidão, memória, destino e identidade de forma sensível e por vezes melancólica. Não é uma animação voltada para crianças pequenas: seu ritmo, sua estrutura fragmentada e seu conteúdo mais introspectivo dialogam muito mais com o público adulto ou com espectadores interessados em cinema autoral.
“Perdi Meu Corpo” foi amplamente reconhecido internacionalmente. Venceu o prêmio principal da Semana da Crítica no Festival de Cannes em 2019 e também recebeu o prêmio de Melhor Filme de Animação no European Film Awards, além de ter sido indicado ao Oscar de Melhor Animação.
A escolha de transformar a mão em protagonista de parte da narrativa, com movimentos e “sensações” exigiram um trabalho detalhado de animação para transmitir emoções sem expressões faciais. Esse recurso ajuda a criar uma experiência bastante singular dentro do gênero.
O que eu achei: O filme chama atenção logo de início pela proposta inusitada e pela execução técnica. A animação 2D estilizada, com atmosfera melancólica e detalhamento cuidadoso, cria uma identidade visual forte, especialmente nas sequências que acompanham a mão em sua jornada quase autônoma por Paris. Há inventividade nesses momentos, tanto na movimentação quanto na forma como sensações são transmitidas sem o uso de expressões faciais. No entanto, quando a narrativa se volta para a história do jovem Naoufel, o filme passa a caminhar por terrenos mais familiares. Temas como solidão, perda e encontros afetivos são tratados com sensibilidade, mas frequentemente recaem em soluções previsíveis. A alternância entre as duas linhas narrativas - uma mais original, outra mais convencional - cria um certo desequilíbrio, como se o filme oscilasse entre ousadia e zona de conforto. Outro ponto que pode dividir opiniões é o ritmo. A proposta contemplativa funciona em alguns momentos, reforçando o tom introspectivo, mas em outros contribui para uma sensação de arrastamento, especialmente quando a trama não avança com a mesma força da ideia central. O resultado é uma obra com qualidades e defeitos. Tem primor visual mas poderia ter menos clichês.
