Sinopse: Após a morte da reclusa avó (Kathleen Chalfant), a família Graham começa a desvendar algumas coisas. Mesmo após a partida da matriarca, ela permanece como se fosse um sombra sobre a família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie (Milly Shapiro), por quem ela sempre manteve uma fascinação não usual. Com um crescente terror tomando conta da casa, a família explora lugares mais obscuros para escapar do infeliz destino que herdaram.
Comentário: Ari Aster (1986) é um cineasta e roteirista norte-americano. Com origem judia, ele é filho de mãe poetisa e pai musicista. Graduado no reconhecido American Film Institute, Aster forjou uma sólida reputação com os curtas “The Strange Thing About the Johnsons” (2011) e “Munchausen” (2013). "Hereditário" (2018) é sua estreia na direção de longas.
No filme, Toni Colette interpreta uma mulher que perde sua mãe. Daí em diante, ela e seus filhos desvendam pavorosos segredos que transformam suas vidas em um verdadeiro inferno.
Isabela Boscov nos conta em seu blog que “Medo é muito pessoal, e cada um sabe onde exatamente o sapato lhe aperta. Pois ‘Hereditário’ pisou no meu calo: durante toda a primeira hora e meia de filme, passei aquele tipo de pavor que faz o couro cabeludo pinicar, o sangue fugir do rosto e a boca ficar seca - resultado do trabalho extraordinário do diretor estreante e também roteirista Ari Aster, que trata aqui o terror como uma infecção que se espalha. No caso, essa infecção toma conta da família de Annie (Toni Collette), que acabou de perder a mãe depois de uma longa doença acompanhada de demência. O relacionamento entre as duas foi sempre terrível, e a morte traz consigo uma sensação de alívio. Ela dura pouco, porém. Annie sente que há algo de anormal na sua casa; o marido (Gabriel Byrne), cético, e o filho adolescente (Alex Wolff), desligadão, acham que o problema está na verdade em Annie - e, talvez, também em Charlie (Milly Shapiro), a peculiar menina de 13 anos que era unha e carne com a avó. Charlie vê a avó, cercada de fogo, na mata que circunda a casa - e, em vez de se assustar, quer se juntar a ela. Annie acha que viu o espectro da falecida no seu quarto de trabalho - e julga estar alucinando. É sobrenatural ou é loucura? Caminhando na fronteira entre as duas possibilidades, Ari Aster estica os nervos do espectador até o limite: tudo, aqui, está nos enquadramentos, na luz clara mas leitosa, no ritmo deliberado que nunca permite susto ou resolução, nas atuações magnificamente moduladas de todo o elenco e em especial de Toni Collette, que ora se desintegra, ora reúne todas as forças em explosões operísticas de ressentimento”.
A direção de fotografia é de Pawel Pogorzelski, a desenhista de produção é a Grace Yun e o compositor da trilha sonora é Colin Stetson.
O que disse a crítica 1: Marcelo Hessel do site Omelete avaliou com 4 estrelas, ou seja, excelente. Escreveu: “de todos os parentescos que Aster esboça em seu impulso cinefílico, talvez ‘Hereditário’ se aproxime mais de outro terror recente que subverte a lógica naturalista em favor da farsa: a versão de Adam Wingard para ‘Death Note’. Nos dois filmes, embora a caricatura tenha um efeito cômico imediato muito claro, no fundo ela reflete uma preocupação em preservar um efeito duradouro de disrupção. São duas tragicomédias de horror que acima de tudo estão rindo da sua capacidade de jogar com regras e expectativas do riso e do desconforto”.
O que disse a crítica 2: Rogério Montanare do site Cinema com Rapadura avaliou com o equivalente à 4,75 estrelas, ou seja, quase uma obra-prima. Disse: “’Hereditário’ é um filme único. Uma obra engenhosa, metafórica, com um final arrepiante e uma proposta fora do comum. É também um veículo incrível para provar, mais uma vez, o quanto a atriz Toni Collette é multitalentosa e versátil, já que a mais alta ‘montanha-russa’ emocional do longa recai sobre seus ombros e ela a encara com excelente desenvoltura. Mas acima de tudo, é mais uma pérola nessa incrível nova safra de filmes de horror realmente aterrorizantes e inteligentes”.
A direção de fotografia é de Pawel Pogorzelski, a desenhista de produção é a Grace Yun e o compositor da trilha sonora é Colin Stetson.
O que disse a crítica 1: Marcelo Hessel do site Omelete avaliou com 4 estrelas, ou seja, excelente. Escreveu: “de todos os parentescos que Aster esboça em seu impulso cinefílico, talvez ‘Hereditário’ se aproxime mais de outro terror recente que subverte a lógica naturalista em favor da farsa: a versão de Adam Wingard para ‘Death Note’. Nos dois filmes, embora a caricatura tenha um efeito cômico imediato muito claro, no fundo ela reflete uma preocupação em preservar um efeito duradouro de disrupção. São duas tragicomédias de horror que acima de tudo estão rindo da sua capacidade de jogar com regras e expectativas do riso e do desconforto”.
O que disse a crítica 2: Rogério Montanare do site Cinema com Rapadura avaliou com o equivalente à 4,75 estrelas, ou seja, quase uma obra-prima. Disse: “’Hereditário’ é um filme único. Uma obra engenhosa, metafórica, com um final arrepiante e uma proposta fora do comum. É também um veículo incrível para provar, mais uma vez, o quanto a atriz Toni Collette é multitalentosa e versátil, já que a mais alta ‘montanha-russa’ emocional do longa recai sobre seus ombros e ela a encara com excelente desenvoltura. Mas acima de tudo, é mais uma pérola nessa incrível nova safra de filmes de horror realmente aterrorizantes e inteligentes”.
O que eu achei: Trata-se de um filme de terror que foge dos clichês. Você não verá monstros nem criaturas surreais circulando pela película. A matriarca morre e o filme se transforma num absoluto terror por conta dos próprios familiares que vão sendo envolvidos em situações catalizadoras de medos nos fazendo acreditar que todos, ou quase todos, estão ficando loucos. A trilha sonora angustiante ajuda muito. A fotografia idem. Tudo parece bem equilibrado para nos manter atônitos e atentos durante todo o filme, em especial o ritmo. Ao final tudo será explicado, uma explicação aliás que nos faz querer ver o filme novamente, não só para checar se tudo se encaixa, mas também para poder prestar mais atenção aos detalhes. Atenção para o trabalho incrível das casas em miniatura feitas por uma das personagens. Li que Steve Newburn, contratado para fazer a maquiagem e os efeitos práticos do filme, foi o responsável em fazê-las junto com sua equipe. Se gostar de passar medo, se jogue, que vale cada minuto.
